“Como a UE sucumbiu ao rolo compressor tarifário de Trump“, escreve o Finantial Times – Veja reações no mundo e no Brasil e entenda o que a Europa perde
Brasília, 28 de julho de 2025
Perfis nas redes sociais afirmam que a presidente da União Europeia, Úrsula von der Leyen, fez toda a região sofrer uma humilhação histórica ao ceder às pressões tarifárias impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e aceitar um acordo que evita a imposição de tarifas de 10% sobre produtos europeus, como automóveis, vinhos e queijos.
“A União Europeia não sobreviverá ao século XXI“, escreveu o perfil no X Dott. Orikron. “Nossas elites são pouco melhores que capachos. Ou aprendemos a enfrentar os EUA como a China, ou este continente continuará indo por água abaixo“, completou, compartilhando uma matéria do Finantial Times.
The European Union will not survive the 21st century. Our elites are little better than doormats.
— Dott. Orikron 🇵🇹 (@orikron) July 27, 2025
We either learn to stand up to the US like China, or this continent will keep going down the drain. https://t.co/ZQRk1FL0B2
O jornal inglês diz que, em troca, a UE concordou em aumentar as importações de produtos agrícolas americanos, como carne bovina, frango e soja, e em reduzir barreiras regulatórias para facilitar o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.
Clemens Fuest, outra conta na plataforma, afirma que “o acordo comercial é uma humilhação para a UE, mas reflete o desequilíbrio de poder. Os europeus precisam acordar, concentrar-se mais na força econômica e reduzir sua dependência militar e tecnológica dos EUA. Só então poderão renegociar”.
The trade deal is a humiliation for the EU, but it reflects the imbalance of power. The Europeans need to wake up, focus more on economic strength and reduce their military and technological dependence on the US. Then they can renegotiate.
— Clemens Fuest (@FuestClemens) July 27, 2025
Segundo o Finantial Times, a decisão da UE foi motivada pelo receio de uma guerra comercial que poderia custar bilhões à economia europeia, especialmente em setores sensíveis como o automotivo, que emprega milhões de trabalhadores na Alemanha, França e Itália.
Apesar da vitória de Trump em evitar uma escalada tarifária, diz o FT, o acordo gerou críticas na Europa, com setores agrícolas e ambientalistas preocupados com o impacto da maior entrada de produtos americanos, muitas vezes produzidos sob padrões menos rigorosos.
Segundo Alex Christoforou, “o acordo comercial UE-EUA humilha e esvazia a Europa, mas qual país ficará responsável por cuidar da carcaça da UE? Os Estados Unidos. Este acordo alivia o maior medo das elites da UE: o afastamento dos EUA da Europa. É uma relação tóxica”.
The EU-US trade deal humiliates and hollows out Europe, but which country will be stuck caring for the EU carcass? The United States.
— Alex Christoforou (@AXChristoforou) July 28, 2025
This deal alleviates the EU elites' greatest fear, the US walking away from Europe. It's a toxic relationship. pic.twitter.com/x8isXKcSot
A UE também enfrenta tensões internas, já que países como a França, tradicionalmente protecionistas, resistem à abertura de seus mercados, escreve o autor da matéria no Finantial Times.
O entendimento reflete a estratégia de Trump de usar ameaças tarifárias para obter concessões, enquanto a UE busca preservar sua economia diante de um cenário global instável, marcado por disputas comerciais e incertezas geopolíticas.
No Brasil e América Latina, outros perfis na rede social também criticaram duramente a situação. Andrade diz que “a ultradireita brasileira é a única entreguista do mundo. Liderada por uma família miliciana, aqui ela não se importa com nacionalismo. É apenas bandida, golpista, corrupta e visa exclusivamente poder e enriquecimento pessoais!”
Ele se referiu às imposições das tarifas de 50% de Trump, com participação de Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA e usa a taxação para chantagear o STF (Tribunal Superior Eleitoral) e o governo brasileiro em defesa de seu pai, Jair Bolsonaro, réu na Corte por tentativa de golpe de Estado.
Andrade compartilhou uma resposta da extremista de direita francesa Marine Le Pen ao acordo fechado por Ursula von der Leyen com Trump e acrescentou que nunca pensou que elogiaria algo escrito por ela, que escrachou o acordo vexatório da União Europeia com os EUA.
A ultradireita brasileira é a única entreguista do mundo. Liderada por uma família miliciana, aqui ela não se importa com nacionalismo. É apenas bandida, golpista, corrupta e visa exclusivamente poder e enriquecimento pessoais!
— Andrade (@AndradeRNegro2) July 28, 2025
Marine Le Pen (nunca pensei que elogiaria algo… https://t.co/EUSwgjCuTx
Rodrigo Luis Veloso, outro perfil no X, comentou também as palavras de Le Pen, representante francesa da extrema-direita europeia. O dono da conta diz que ela “sentou o pau na União Europeia e na rendição ao Trump. A do Brasil, bem. Nem precisamos comparar. Tem um senador que se diz informante estrangeiro fazendo vídeos na Disney e festejando a guerra ao próprio país“. A referência é a Marcos Do Val.
A extrema-direita europeia sentando o pau na União Europeia e na rendição ao Trump. A do Brasil, bem. Nem precisamos comparar. Tem um senador que se diz informante estrangeiro fazendo vídeos na Disney e festejando a guerra ao próprio país. https://t.co/NRwjga8MtD
— Rodrigo Luis Veloso (@rodrigoluisvelo) July 28, 2025
Le Pen disse que o acordo UE-EUA é um fiasco político, econômico e moral. Político, porque a União Europeia, com seus 27 Estados-membros, obteve condições piores que as do Reino Unido. Soberanias, em questões comerciais, não se somam: são diluídas, ou mesmo, neste caso, anuladas, sob o peso da burocracia de Bruxelas. Econômico, porque a Comissão aceitou cláusulas assimétricas que a própria França, governada por um executivo patriótico, jamais teria aceitado.
Centenas de bilhões de euros em gás, bem como em armas, terão que ser importados anualmente dos Estados Unidos. Isso representa uma capitulação completa da indústria francesa e da nossa soberania energética e militar.
Um fiasco moral, finalmente, porque mais uma vez os agricultores franceses foram sacrificados no altar das indústrias alemãs, com cláusulas nos forçando a abrir ainda mais o mercado único à produção agrícola americana em troca de uma redução nos impostos sobre as exportações de automóveis alemães.
Esta globalização, que nega e destrói a soberania, está ultrapassada há muitos anos. Já passou da hora de esta informação chegar à Comissão Europeia. E, enquanto isso, o mínimo que podemos fazer é reconhecer este amargo fracasso, em vez de pedir aos franceses, que serão as suas primeiras vítimas, que se alegrem”.
Mas o que é o acordo UE-EUA?
O acordo é considerado uma vitória política para Trump, que o descreveu como “o maior acordo já feito“, cumprindo sua promessa de reequilibrar o comércio global em favor dos EUA, reduzindo o déficit comercial americano.
Para a UE, o pacto evita tarifas mais altas (como os 30% ameaçados) e um conflito comercial que poderia custar bilhões, mas é visto como desequilibrado por alguns, já que a UE fez mais concessões, como a abertura de mercados e compras obrigatórias, enquanto os EUA mantêm tarifas significativas.
Críticas na Europa destacam preocupações com o impacto em setores agrícolas e industriais, devido à entrada de produtos americanos com padrões regulatórios menos rigorosos, e o custo adicional de tarifas de 15% sobre exportações.
Países como a Alemanha celebraram a redução de tarifas sobre automóveis, enquanto outros, como a França, expressaram receios sobre os efeitos no setor agrícola. O acordo ainda é um “framework”, com detalhes técnicos a serem finalizados, e precisa ser ratificado pelos Estados-membros da UE, o que pode gerar debates internos.
Principais pontos do acordo:
Tarifas de 15% sobre bens da UE: Os EUA imporão uma tarifa de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, incluindo automóveis, semicondutores e produtos farmacêuticos. Essa taxa é inferior aos 30% ameaçados por Trump, mas superior aos 10% que a UE buscava manter. Para automóveis, a tarifa foi reduzida de 27,5% (ou 25% em algumas fontes) para 15%, beneficiando especialmente a indústria alemã.
Isenção de tarifas para produtos estratégicos: Ambos os lados concordaram em zerar tarifas para bens específicos, como aeronaves, peças de aviões, certos produtos químicos, medicamentos genéricos, equipamentos de semicondutores e alguns produtos agrícolas. Não há clareza ainda sobre a inclusão de vinhos e destilados, com negociações técnicas previstas para as próximas semanas.
Abertura do mercado europeu: A UE comprometeu-se a abrir seus mercados para produtos americanos com tarifas zero em setores-chave, facilitando o acesso de bens dos EUA. Isso foi descrito como uma concessão significativa, com Trump afirmando que os mercados europeus, antes “essencialmente fechados”, agora estarão abertos.
Compras de energia e armamento: A UE concordou em comprar US$ 750 bilhões em energia americana (como gás natural) ao longo de três anos, além de adquirir uma quantidade significativa de equipamentos militares dos EUA, embora o valor exato não tenha sido especificado. Isso visa fortalecer a segurança energética transatlântica e apoiar a indústria de defesa americana.
Investimentos europeus nos EUA: A UE prometeu investir US$ 600 bilhões nos Estados Unidos, em setores como farmacêutico e automotivo, embora os detalhes sobre a alocação e o prazo desses investimentos ainda não estejam claros.
Manutenção de tarifas altas em aço e alumínio: Os EUA mantiveram tarifas de 50% sobre importações de aço e alumínio da UE, com possibilidade de substituição por um sistema de cotas, conforme sugerido por von der Leyen, mas sem decisão final.








