“Vamos denunciar o legado maldito que estamos recebendo”, diz Tereza Campello (vídeo)

Ex-ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, durante coletiva de imprensa do Grupo de Trabalho de Desenvolvimento Social e Combate a Fome

“Existem fortes indícios de abuso do poder econômico e político por parte do governo [Bolsonaro], para além da incompetência e da má gestão”, declara a ex-ministra do Desenvolvimento Social e combate à Fome sobre nota técnica que está sendo preparada pelo GT

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Nós avaliamos que existem fortes indícios de abuso do poder econômico e político por parte do governo, para além da incompetência e da má gestão“, declarou a ex-ministra do Desenvolvimento Social e combate à Fome, Tereza Campello, sobre nota técnica que está sendo preparada para denúncia da gestão Bolsonaro.

Estamos finalizando uma nota técnica no GT [Grupo de Trabalho] Desenvolvimento Social e combate à Fome, formalizando esses achados e encaminharemos aos órgãos de controle para que sejam apurados e tomadas as devidas providências”, disse Campello, que teve papel fundamental durante a gestão da pasta no governo Dilma.

A ex-ministra apresentou um “relatório de alertas” mostrando “coisas que estão acontecendo hoje e que precisam ser cuidadas para que o governo assuma com mínima condição de administrar”, disse Campello. “Estamos sugerindo um conjunto de medidas”, disse.

Ela citou apenas alguns exemplos “de uma lista enorme“. A primeira foi a interrupção, por parte do governo Bolsonaro, do Programa Cisternas – cujo público alvo são as famílias rurais de baixa renda atingidas pela seca ou falta regular de água, com prioridade para povos e comunidades tradicionais.

Campello argumentou que o “reconhecido” e “exitoso” trabalho denominado Cisternas de Placa – um tipo de reservatório semienterrado, cilíndrico, que permite o armazenamento de água a partir da captação das chuvas -, que vinha sendo feito “no semiárido nordestino” e que tinha um “marco legal“, e que deixou de ter validade a partir de 1º de abril.

Surpreendentemente, um governo que por quatro anos não fez cisternas, em agosto organiza uma ata de registro de preços, bilionária, pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde), para fazer cisternas de polietileno, que já tinha sido denunciada e não recomendadas por órgãos de controle, porque não são as mais baratas, não funcionaram, nós tivemos um conjunto de questionamentos sobre essa modalidade. E aí, agora, terminando o governo, um contrato de mais de R$ 800 milhões, assinado para fazer de cisterna de plástico“.

Assista a seguir:

Desde a implantação, em 2003, o Programa Cisternas, criado no Governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para universalizar o acesso à água na região semiárida, alcançou mais de 5 milhões de brasileiros. Foram mais de 1,3 milhão de cisternas construídas e 1.200 municípios atendidos.


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