Órgão ambiental determinou que a empresa elabore e protocole plano de ação para inspeção completa do maciço, caracterização e tratamento – As imediações da barragem já estavam esvaziadas, não havendo presença de comunidades na zona de risco em caso de rompimento
A mineradora multinacional brasileira Vale S.A. informou que identificou, durante uma inspeção de rotina, trincas superficiais na barragem Forquilha 3, localizada na mina de Fábrica, em Ouro Preto, Região Central de Minas Gerais, a aproximadamente cinquenta quilômetros do Centro Histórico da cidade.
Apesar das fissuras encontradas, a empresa afirma que as condições de estabilidade da estrutura permanecem inalteradas, mas, mesmo assim, verificações adicionais e um plano de ação para investigação e correções está em execução, caso seja necessário.
A Vale S.A. é uma das maiores operadoras de logística do país e uma das maiores empresas de mineração do mundo, bem como a maior produtora de minério de ferro, de pelotas e de níquel, além de cobre, cobalto e outros metais preciosos.
A empresa comunicou que está mantendo os órgãos públicos competentes informados sobre a situação.
A Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente) foi notificada pela Vale S.A. na sexta-feira (13/9) sobre duas trincas com aproximadamente 1cm de espessura, sendo uma com comprimento de 2 metros e a outra com 5 metros, mas, durante fiscalização do órgão ambiental, outras duas fissuras foram identificadas, uma de 10 metros e outra de 4 metros de comprimento, conforme mostrou o g1.

A Fundação disse que o motivo do aparecimento das trincas seria o ressecamento de solo, em decorrência do longo período de estiagem e que, à princípio, elas são superficiais, mas estudos mais aprofundados foram iniciados para “viabilizar efetivo tratamento“. A Feam também determinou que a Vale S.A. elabore e protocole um plano de ação para inspeção completa do maciço da barragem, caracterização e tratamento das trincas.
As imediações já estavam esvaziadas, não havendo presença de comunidades na zona de risco em caso de rompimento. Forquilha 3, assim como a barragem da mina de Serra Azul, da ArcelorMittal – maior siderúrgica produtora de aço do Brasil, em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está em nível de emergência 3, o mais alto na escala de risco, e precisa ser monitorada de forma permanente.
A estrutura possui 77 metros de altura e armazena 19,4 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O processo de descaracterização da barragem está em andamento, com previsão de conclusão em 2035.
Em março deste ano, a Vale S.A. havia identificado uma anomalia em um dreno da barragem Forquilha 3, que consistia no acúmulo de material sedimentado, de coloração acinzentada, na saída do dispositivo de drenagem, localizado no primeiro alteamento da barragem. Na época, as condições de estabilidade também ficaram inalteradas. Em abril, a mineradora informou que concluiu as obras de reparação nas anomalias detectadas na estrutura.
