Declarações polêmicas do presidente do PL sobre Bolsonaro e aliados reacendem debates sobre accountability judicial e unidade oposicionista
Brasília, 15 de setembro de 2025
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, gerou controvérsia ao admitir publicamente que existiu um “planejamento de golpe” após as eleições de 2022, embora tenha insistido que isso não configuraria crime.
A declaração, proferida durante o Rocas Festival, em Itu (São Paulo), no sábado (13/set), foi interpretada como um “sincericídio” pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da legenda na Câmara.
O bolsonarista acabou expondo fissuras no campo conservador, fortalecendo argumentos contra a proposta de anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023.
A fala de Valdemar Costa Neto ocorreu em painel ao lado do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e do deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos).
Questionado sobre a recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o dirigente partidário relativizou a gravidade do episódio:
“No Brasil a lei diz o seguinte: ‘se você planejar um assassinato, mas não fez nada, não tentou, não é crime’. O golpe não foi crime”.
Ele minimizou os atos antidemocráticos em Praça dos Três Poderes como uma simples “bagunça” orquestrada por “um bando de pé de chinelo”, atribuindo-os inclusive ao Partido dos Trabalhadores (PT), e defendeu o respeito à decisão judicial, apesar de considerá-la exagerada.
Essa admissão explícita de um esquema para subverter o resultado eleitoral chocou o espectro bolsonarista.
O ex-ministro Ricardo Salles (Novo-SP) e o comentarista Paulo Figueiredo reagiram duramente nas redes, com o primeiro ironizando que “não foi por falta de aviso”, enquanto Fábio Wajngarten, advogado de Bolsonaro, questionou publicamente:
“Houve planejamento de golpe? Se sim por quem? Alguém financiou?”.
A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) reforçou a narrativa negacionista, afirmando que “não houve tentativa de golpe no 8 de janeiro”.
Analistas apontam que a posição de Valdemar pode sabotar as negociações para o projeto de lei que visa perdoar os condenados, inclusive o ex-mandatário, enfraquecendo a articulação liderada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que tinha viagem marcada a Brasília nesta segunda-feira (15/set) em busca de apoios.
Do lado governista, a reação foi de oportunismo estratégico. Lindbergh Farias usou sua conta no X para dissecar as implicações da confissão, rotulando-a de SINCERICÍDIO.
Ele argumentou que a metáfora do assassinato não atenua, mas “escancara a existência do Plano Punhal Verde e Amarelo”, o suposto esquema que envolveria não só a ruptura institucional, mas também ameaças à integridade física do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes (STF).
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Farias destacou a transição da “cogitação à execução” por uma “organização criminosa” com participação de “kids pretos” – referência aos black blocs infiltrados nos protestos –, e concluiu que o reconhecimento judicial pelo próprio Valdemar anula defesas à anistia:
“Golpe contra a democracia não se perdoa: quem planejou deve responder perante a Constituição e a Justiça”.
Segundo reportagem do g1, o episódio é o primeiro em que um aliado próximo de Bolsonaro valida publicamente o planejamento golpista, o que “deve ser usado pelos governistas na discussão sobre anistia”.
O O Globo destacou o contraste com a visão do STF, que qualificou os fatos como obra de uma “organização criminosa”, e notou críticas de Kassab à minimização dos vandalismos.
Já a Jovem Pan capturou o descontentamento interno, com fontes anônimas prevendo um “pé de guerra” entre facções do PL.
A GloboNews, em transmissão ao vivo, questionou se Valdemar seria “fã ou hater” de Bolsonaro, com jornalistas como Andréia Sadi e Octávio Guedes relembrando histórico de alianças volúveis do presidente do partido.
Especialistas em direito penal consultados por veículos como o Metrópoles contrapõem a analogia de Valdemar: o Código Penal tipifica o “ato preparatório” em crimes contra a ordem constitucional como delito autônomo, especialmente quando há execução parcial, como nos drafts de decretos golpistas revelados pela Polícia Federal.
Essa visão alinha-se à tese de Farias, ampliando o escândalo para além da direita e reacendendo clamores por responsabilização plena.








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