“Vai pra Cuba, Jesus!”, ouviria o Messias (que seria petista) se vivesse no Brasil de hoje

25/12/2018 0 Por Redação Urbs Magna

É irônico que há mais de dois mil anos após o nascimento de Jesus que, segundo a tradição e não à história, nasceu no dia 25 de dezembro, ainda se especule se o direito de propriedade é um direito consonante com a filosofia cristã, ou que a distribuição equânime de riquezas não seja uma exigência da mesma filosofia. Surge desse pensamento, a percepção de que o discurso do Papa Francisco o torna o primeiro Papa verdadeiramente cristão, desde São Pedro.

Na dualidade agressiva que se estabeleceu na política brasileira, cujo discurso de ódio saiu vitorioso, faz desse natal, não só o mais desanimado dos últimos anos, como o mais triste também. Esse fato se dá, em diversos relatos de famílias que se dividiram e, em alguns casos, quando apenas um ente familiar é declaradamente de esquerda, essa pessoa se isolou no Natal. Nesse sentido, toda a simbologia tradicional do Natal, em todas as religiões praticadas no Brasil, mesmo as que apenas respeitam a tradição cultural, foram profundamente feridas pelo discurso odiento e vitorioso deste ano.

Vale ressaltar que se Jesus estivesse vivo, o famoso e um dos mais belos discursos do mestre da cristandade, o sermão da montanha, seria profundamente criticado pela extrema direita atual. A mesma que se diz tradicional, cristã e, em geral, evangélica. Note:

Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.”

“Ninguém pode servir a dois Senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.”

Jesus vai mais longe, em desconformidade completa, em relação aos ditos cristãos, como Jair Bolsonaro e aqueles que fizeram a oração na frente das câmeras, em rede nacional, após a vitória.

“Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.”

Nesse sentido, o sermão mais famoso de Jesus é uma lição ao comportamento dos que se comportaram no ódio de classe, mais, uma lição aos que se comportaram na campanha, com aquela cena patética da oração pós vitória. O recado do mestre das principais religiões praticadas no Brasil é bem clara, inclusive, com o fato de não acumular riquezas mas, sim, boas ações e boas obras, o que resulta, inevitavelmente em se preocupar com o outro e com a justiça social. É aqui,

“Não ajunteis para vós tesouros na terra”, que Jesus seria chamado de comunista e, certamente, ouviria um “Vai pra Cuba!”.

“Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

Então, neste trecho de seu discurso, a clareza de que o acúmulo é o causador da pobreza e das necessidades, é bem clara. Se não houver acúmulo de riqueza, como a de Salomão, tudo será provido de forma naturalmente simples, dado que a busca pelo reino do pai e sua justiça, seriam as atitudes de compartilhar e não acumular. Portanto, buscar o que Jesus chama de reino de deus e justiça, seria não acumular bens ou riquezas. Ou seja, não se apegar com tanto fervor estúpido ao direito de propriedade e ter apenas o que é necessário para a sobrevida.

Como nada pode ser pior do que falar em distribuição de riquezas, não valorização da propriedade privada, Jesus ainda critica a justiça dos homens. Esse fato, bastaria para que fosse chamado de inimigo da Lava Jato:

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.”

A conclusão é simples. Bem-aventurados os que lutam pela libertação do povos, pela justiça social, pela distribuição justa da riquezas. Bem-aventurados os que gastam dos próprios recursos para lutar pelos mais pobres, os que distribuem e não acumulam. Bem-aventurados os que não abandonam os caluniados por que distribuíram riqueza, combateram a fome e governaram pelos pobres, por que será grande a vossa recompensa na história e nos céus.

Feliz Natal!

via A Postagem

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