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Último suspiro: aliados de Bolsonaro inspecionam Papuda preocupados com condições e STF publica acórdão

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    Jair Bolsonaro
    Jair Bolsonaro em motociata em Belo Horizonte, um dia antes de ser derrotado para Lula na última eleição presidencial |29.10.2022| Foto Giazi Cavalcante O Globo


    Brasil vive o início do fim de uma era: condenado ruma ao regime fechado no complexo prisional em Brasília após Corte ativar contagem regressiva, enquanto defesa prepara embargos finais


    Brasília, 18 de novembro de 2025

    A aliados do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de estado, Jair Bolsonaro, intensificaram esforços para mitigar o impacto de uma possível detenção no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

    Na segunda-feira (17/nov), uma comitiva de senadores bolsonaristas realizou vistoria nas instalações do presídio, destacando preocupações com a saúde frágil do condenado e questionando a adequação do local para um ex-militar idoso.

    Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) publicou a ata de julgamento que rejeita recursos da defesa, abrindo um prazo de cinco dias para embargos finais – o último suspiro antes do trânsito em julgado e do cumprimento imediato de pena em regime fechado, com o Brasil vivendo o fim da era bolsonarista.

    A inspeção na Papuda, conduzida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, reuniu parlamentares como Izalci Lucas (PSDB-DF), Márcio Bittar (PL-AC) e Eduardo Girão (Novo-CE).

    O grupo focou na ala destinada a idosos, onde condições alarmantes de higiene, alimentação e atendimento médico saltaram aos olhos.

    “A nossa maior preocupação é: Bolsonaro está muito doente. Qual é o tempo entre o complexo e o primeiro hospital? O tempo de deslocamento seria suficiente?”, alertou Damares Alves, ecoando temores de que o trajeto até o Hospital de Base, a cerca de 20 minutos dali, possa agravar problemas de saúde crônicos do ex-presidente, como sequelas de um atentado sofrido em 2018.

    A comitiva planeja entregar um relatório ao STF, solicitando autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, para inspecionar celas específicas – um pedido ainda pendente. Essa ação ocorre dias após o STF rejeitar, por unanimidade na Primeira Turma, os embargos de declaração apresentados pela defesa de Bolsonaro e outros seis condenados no núcleo central da trama golpista.

    A decisão, formalizada na ata publicada ontem, impõe ao ex-presidente uma pena de 27 anos e três meses de reclusão, mais 124 dias-multa, por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

    Desde 4 de agosto de 2024, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas o esgotamento de recursos pode transferi-lo para a Papuda ainda em novembro, conforme indicam preparativos no presídio reportados por fontes oficiais.

    A defesa, liderada por advogados como Fernando Antônio de Souza, aposta nos embargos infringentes – um recurso raro que questiona o mérito em julgamentos não unânimes, embora o placar tenha sido 4 a 1 contra Bolsonaro (o ministro Luiz Fux votou pela absolvição).

    “Inconformismo”, definiu Moraes nos autos, ao classificar tentativas protelatórias como mera insatisfação com a colegialidade.

    Se negados, o trânsito em julgado selará o destino: regime inicial fechado, possivelmente na ala de presos de alta periculosidade da Papuda.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    Como Bolsonaro acabou com sua vida política

    Em dezembro de 2022, logo após as eleições que o derrotaram para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), investigações sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 – invasões a sedes dos Três Poderes – revelaram indícios de planejamento prévio orquestrado pelo então presidente.

    A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) mapearam reuniões no Palácio da Alvorada e no QG do Exército, com participação de militares como o almirante Almir Garnier Santos e o general Augusto Heleno.

    Em junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Bolsonaro inelegível por oito anos, por abuso de poder em lives que disseminaram fake news sobre urnas eletrônicas – uma decisão ratificada pelo STF em 2024.

    O ponto de virada veio em setembro deeste ano, quando a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro e aliados pelo “núcleo 1” da trama: incitação a um autogolpe para anular as eleições de 2022.

    O delator Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, forneceu provas irrefutáveis, como minutas de decretos de estado de sítio e áudios de reuniões.

    Diferente de prisões anteriores de ex-presidentes – como Lula em 2018, confinado na superintendência da PF em Curitiba –, o caso de Bolsonaro não prevê regalias militares, apesar de apelos para prisão domiciliar ou em quartel, inspirados no tratamento dado a Braga Netto no Rio de Janeiro.

    “O general Braga Netto está em um quartel no Rio de Janeiro, e Lula, quando foi preso, ficou em uma prisão federal. Bolsonaro é ex-militar. Acho que a Papuda não seria adequada. Deveria estar em prisão domiciliar, em função do estado de saúde dele”, argumentou Izalci Lucas durante a vistoria, segundo a CNN Brasil.

    No sábado (15/nov), o plenário virtual do STF encerrou o julgamento dos embargos, com Carmen Lúcia proferindo o voto decisivo pela rejeição. .

    O governo do Distrito Federal (DF), sob Ibaneis Rocha, chegou a propor alas exclusivas na Papuda, mas Moraes negou pedidos de transferência para presídios federais, priorizando a segurança em Brasília.

    Enquanto isso, o Planalto monitora o cenário com “alerta máximo“, temendo instabilidade política, conforme postagens em redes sociais de assessores.

    As implicações transcendem o individual: a condenação não só barra Bolsonaro de candidaturas futuras – ampliando sua inelegibilidade até 2062 – mas sinaliza o fim de uma era de polarização extremada no Brasil.

    Aliados como Damares invocam comoção popular para pressionar por clemência, mas analistas veem pouca margem para manobras.

    “Estivemos na ala dos idosos, encontramos pessoas com 85 anos, doentes. Vimos cenas muito tristes, questões sobre alimentação, condições da comida. Vamos entregar um relatório”, concluiu a senadora, pintando um quadro que humaniza o debate sem romantizá-lo.

    O desfecho, esperado para os próximos dias, pode redefinir os contornos da democracia brasileira.



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    3 comentários em “Último suspiro: aliados de Bolsonaro inspecionam Papuda preocupados com condições e STF publica acórdão”

    1. Esses congressistas que foram na Papuda deveriam se preocupar com todos os presos e presídios do país e não só com o inelegível terrorista

    2. Dionea de Toledo Machado

      Reformem tudo na prisão, porque caso ela não sirva para a prisão de Bolsonaro não serve, também, para os outros presos.

    Os comentários estão fechados.

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