Ucrânia está derrotada e prepara condições de rendição, mas Zelensky não é claro, diz site

Em 2019, Zelensky e Putin estiveram junto em Paris / © Ian LANGSDON / POOL / AFP


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Editor internacional acrescenta que mesma postura têm os batalhões nazi-fascistas, da “resistência nacionalista” que propagandeia a mídia imperialista

O editor internacional do portal progressista de notícias Brasil 247 e do Resistência, José Reinaldo Carvalho, afirma que o acordo de criação dos corredores humanitários alcançado na última quinta-feira [3/3], é revelador de que a Rússia não abriu mão dos objetivos da Operação Militar Especial e de que a Ucrânia sabe que está derrotada e prepara as condições para a rendição“. Carvalho vê falta de clareza no ex-comediante em lidar com uma provável rendição de seu país. Zelensky “ainda não fez sinalizações claras nesse sentido“, escreve. E a mesma posição têm “os batalhões nazi-fascistas encarregados de organizar a chamada “resistência nacionalista”, com direito a propaganda ao vivo de toda a mídia imperialista“.

“Grandes potências não querem o cessar-fogo, mas tão somente o recuo da Rússia e a preservação do regime por elas militarizado da Ucrânia“, diz o editor no texto. “Uma pausa das ações militares cria melhores condições para desmilitarizar e desnazificar o país”, como é o desejo declarado do líder da Federação Russa, Vladimir Putin. “Até agora a ofensiva russa consistiu na destruição da infra-estrutura militar e correlatas da Ucrânia e na ocupação de cidades estratégicas“, escreve sobre a ‘ação’ que foi proibida, na Rússia, de ser chamada de ‘guerra’.

Em editorial em defesa do cessar-fogo e pela paz, Carvalho deixa um pouco de sua “análise objetiva dos fatos e do seu contexto histórico“, no que se refere a interesses das duas partes. “O que há de mais relevante é o fato objetivo e insofismável de que os Estados Unidos e as potências ocidentais aliadas empreenderam ao longo de um quarto de século, pelo menos, a expansão da Otan, ampliaram e adensaram seu conceito estratégico, tornando mais graves as ameaças à paz e à segurança de países e povos“, escreve. “Não só da Rússia. Que o digam o Iraque, o Afeganistão, a Líbia e os povos da Iugoslávia, destruída pela Otan“.

A anarquia no sistema internacional não ocorreu neste limiar de 2022, o direito internacional não foi violado agora, a Carta das Nações Unidas não foi vilipendiada em primeiro lugar pelo atual chefe do Kremlin, a diplomacia e o multilateralismo não foram abandonados apenas recentemente como método de política externa. Faz tempo que o mundo está de cabeça para baixo ou até mesmo sem cabeça“. 

A “ordem” internacional e a paz não foram rompidas em 24 de fevereiro de 2022. A guerra no Leste Europeu, e especificamente na Ucrânia, começou em abril-maio de 2014, com o golpe anti-Rússia realizado por nazifascistas ucranianos,  apoiados diretamente pelas embaixadas dos EUA e de países membros da União Europeia em Kiev“, explica o editor.

Esta mesma guerra teve continuidade durante oito anos com os massacres contra as populações das províncias de Donetsk e Luganski. A Operação Militar Especial decretada há dez dias por Putin foi, de facto,  a última tentativa do Kremlin de parar a guerra por procuração da Ucrânia contra a Rússia“, diz Carvalho, acrestentando, em seguida, que “nossa opção editorial não comporta a aceitação acrítica da versão dos EUA e da Otan de que não estava em seus planos incorporar a Ucrânia na Aliança Atlântica“. Ele explica ainda que essa atual “ofensiva de Putin paralisou a tempo a Otan, o que a colocou na circunstância incômoda de não poder mais atender ao apelo desesperado” do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, “de participação direta do pacto agressivo na guerra contra a Rússia“. 

” (…) o imperialismo é forte mas não é invencível. Por isso será sempre inócuo tentar demonizar e tirar de cena o presidente russo. Vale mais aceitá-lo como incontornável protagonista da conjuntura internacional, concordando ou discurdando dele”, pontua.

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