
VOLODYMYR ZELENSKY em seu gabinete presidencial |8mai2025| divulgação governo da Ucrânia | DONALD TRUMP em Washington D.C. |6fev2025| Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Zelensky entrega minerais a Trump em acordo que prevê aliança estratégica – SAIBA MAIS
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Kiev/Washington, 09 de maio de 2025
O Parlamento ucraniano, Verkhovna Rada, aprovou com 338 votos a favor e nenhum contra a ratificação de um acordo histórico com os Estados Unidos, garantindo aos EUA acesso preferencial aos ricos recursos minerais da Ucrânia, como terras raras, lítio e titânio.
O pacto também estabelece um fundo conjunto para financiar a reconstrução do país devastado pela guerra contra a Rússia, que já dura três anos.
A decisão ocorre enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente dos EUA, Donald Trump, preparam um novo contato para alinhar os próximos passos dessa parceria estratégica.
O acordo permite que os EUA explorem minerais essenciais para indústrias de tecnologia e defesa, em troca de investimentos significativos na recuperação econômica da Ucrânia.
Segundo o The Wall Street Journal, a Ucrânia mantém soberania total sobre seus recursos, controlando onde e como a extração será realizada.
O fundo de reconstrução será financiado com 50% dos lucros e royalties de novas permissões de exploração, destinando-se exclusivamente à recuperação de infraestrutura destruída pela guerra.
O pacto também assegura que não haverá dívidas obrigatórias para Kiev, um ponto crucial para Zelensky.
A Ukrinform, agência estatal ucraniana, destacou que o acordo atrairá investimentos globais e fortalecerá a economia nacional, sem comprometer o processo de adesão da Ucrânia à União Europeia.
A ministra da Economia, Yulia Svyrydenko, enfatizou que o pacto é “mutuamente benéfico” e posiciona a Ucrânia como um player estratégico no mercado global de minerais.
A aprovação do acordo vem após meses de negociações marcadas por atritos.
O acordo
Em fevereiro, Trump e Zelensky protagonizaram um confronto público no Salão Oval, com Trump exigindo maior gratidão pelo apoio americano e criticando Zelensky por “arriscar a Terceira Guerra Mundial”.
O The New York Times revelou que o acordo foi finalizado após um encontro entre os dois líderes no funeral do Papa Francisco, em Roma, indicando uma reaproximação.
Trump, que inicialmente pediu US$ 500 bilhões em minerais como compensação pela ajuda militar, recuou após resistência de Zelensky, que afirmou: “Nossa soberania não está à venda.”
Na Ucrânia, o acordo enfrenta críticas. A Kyiv Independent informou que deputados como Yaroslav Jelejiak expressaram preocupação com a destinação de metade das receitas de novos contratos ao fundo, temendo que isso limite a autonomia financeira do país.
A ocupação russa de 20% do território ucraniano também levanta dúvidas sobre a viabilidade de atrair investidores para projetos de longo prazo.
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Impacto Geopolítico e Interesses Americanos
Para os EUA, o acordo é uma jogada estratégica para reduzir a dependência de minerais raros da China, que controla 60% a 70% do mercado global.
O Bloomberg relatou que a Ucrânia possui depósitos de 22 dos 50 minerais críticos, incluindo lítio e grafite, essenciais para baterias e equipamentos militares.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o pacto sinaliza à Rússia o compromisso de Trump com uma “Ucrânia soberana e próspera”, excluindo benefícios a estados que apoiam a guerra russa.
Apesar disso, a ausência de garantias explícitas de segurança no acordo, uma demanda central de Kiev, permanece um obstáculo.
O The Wall Street Journal observou que a Casa Branca considera a presença de empresas americanas na Ucrânia uma garantia implícita de proteção, uma visão que Zelensky aceita com cautela, buscando acordos de segurança mais robustos em negociações futuras.
O Caminho Adiante
Com o acordo ratificado, Trump planeja um novo diálogo com Zelensky para avançar nas negociações de paz e consolidar a parceria.
A Ukrinform informou ainda que Zelensky vê o pacto como um “primeiro passo” para laços mais profundos com os EUA, enquanto Trump busca capitalizar o acordo como prova de sua habilidade em resolver conflitos globais.
No entanto, a implementação enfrenta desafios, incluindo a instabilidade causada pela guerra e a resistência russa às negociações de paz.
O acordo marca um momento pivotal para a Ucrânia, que aposta no investimento americano para reconstruir sua economia, e para os EUA, que fortalecem sua posição no mercado global de minerais. O sucesso dessa parceria dependerá da capacidade de ambos os lados de navegar as complexidades geopolíticas e transformar promessas em resultados tangíveis.












