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    “Assassino OTAN, saia do país”: Partido Comunista turco protesta e tem mais de 100 detidos em Ancara

    — calculando —
    Manifestante detido pela Polis em Ancara, Turquia

    📷 Manifestante é detido por agente da ‘Polis’ em Ancara, capital da Turquia, em meio a protesto neste domingo (5.7.2026) Imagem reprodução de vídeo Reuters [Digital remaster upscaling photo]

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Ancara (TR)
    05 de julho de 2026

    A dois dias do início da cúpula da OTAN em Ancara, as autoridades turcas detiveram mais de 100 participantes de uma marcha organizada pelo Partido Comunista da Turquia (TKP) na capital, no domingo (5/jul).

    A informação foi confirmada pelo partido em comunicado e amplamente divulgada pela imprensa internacional.

    A marcha partiu da praça Kızılay, no coração de Ancara, e foi rapidamente dispersada pela polícia de choque. Imagens divulgadas mostram manifestantes agitando bandeiras e entoando slogans como “Assassino OTAN, saia do país” e “Não à OTAN”, enquanto a polícia utilizava gás lacrimogêneo para conter a manifestação.

    O TKP afirmou que, entre os detidos, estão membros do partido, incluindo administradores.

    A ação faz parte de um rigoroso esquema de segurança implementado pelo governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan para a cúpula de 7 a 8 de julho, que reunirá líderes dos 32 países membros da aliança, além de parceiros.

    As medidas incluem a proibição total de manifestações em Ancara entre 28 de junho e 10 de julho, barricadas em grande parte da cidade e o fechamento de estradas.

    A promessa do Partido Comunista

    O secretário-geral do TKP, Kemal Okuyan, discursou para os manifestantes em Istambul, onde também ocorreram protestos. Em sua fala, ele reafirmou o compromisso do partido em se opor à presença da aliança militar no país.

    “Nós dissemos que não entregaríamos Ancara aos apoiadores da OTAN, que não permitiríamos que Ancara permanecesse em silêncio. Nós cumprimos essa promessa”, declarou Okuyan.

    Além da marcha em Ancara, centenas de pessoas participaram de um protesto separado organizado pelo TKP em Istambul, partindo da Praça Taksim em direção a Dolmabahçe.

    Dois outros protestos de grupos de esquerda ocorreram no distrito de Kadıköy, também em Istambul, sem confrontos, apesar da forte presença policial.

    Críticas da oposição e onda de detenções

    As detenções e as restrições impostas pelo governo geraram críticas de partidos de oposição. Tuncer Bakirhan, copresidente do partido pró-curdo DEM, classificou a situação como um “estado de emergência não declarado”.

    Em publicação na rede social X, ele afirmou: “O país foi completamente transformado em um centro de detenção usando a cúpula da OTAN como desculpa. Estamos vivendo dias de lei marcial não declarada”.

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    O presidente do Partido Republicano do Povo (CHP), principal partido de oposição, Kemal Kılıçdaroğlu, também se manifestou contra as detenções, classificando-as como medidas inaceitáveis que impedem direitos básicos.

    O partido DEM já havia criticado as restrições à liberdade de expressão e de reunião pacífica impostas para a cúpula.

    As detenções deste domingo são apenas a ponta do iceberg. No mês passado, as autoridades turcas prenderam 103 pessoas em operações antiterroristas em Ancara, que resultaram na detenção de 225 pessoas no total.

    Em 22 de junho, a polícia realizou uma operação em que 209 pessoas foram detidas, incluindo políticos, ativistas LGBTQIA+ e advogados supostamente ligados a grupos de esquerda, gerando acusações de que o governo estaria usando a segurança como pretexto para silenciar críticos e impedir protestos anti-OTAN.

    Entre os detidos estavam 56 supostos membros do Estado Islâmico e 35 do grupo de extrema-esquerda DHKP/C.

    Transformação urbana e críticas locais

    A cúpula da OTAN também teve um impacto significativo na rotina dos moradores de Ancara, uma cidade de quase 6 milhões de habitantes.

    As autoridades realizaram uma verdadeira reforma urbana para apresentar uma imagem mais polida da capital turca aos visitantes estrangeiros.

    Foram plantadas flores, reparadas estradas e instalados enormes outdoors que escondem bairros mais pobres.

    O custo dessas obras foi estimado em cerca de 11 bilhões de liras turcas (aproximadamente US$ 303 milhões).

    Para muitos moradores e lojistas, a situação se tornou insustentável. Comerciantes relataram perdas de até 95% nas vendas devido aos bloqueios e à instalação de barreiras. 

    Ümit Orkan, gerente de uma loja de conveniência, afirmou que clientes não conseguem mais chegar ao estabelecimento e que será forçado a fechar por uma semana, sem qualquer compensação.

    Kadir Kokus, florista, disse que os painéis publicitários reduziram suas vendas em cerca de 95%.

    Muitos residentes optaram por deixar a cidade durante o evento, e ônibus e trens com destino a outras cidades estão com lotação esgotada.

    O taxista Mehmet Yiginer afirmou que seus colegas foram instruídos a usar calças cinza e camisas brancas como parte de uma campanha para melhorar a imagem do serviço.

    A cúpula da OTAN em Ancara está prevista para começar na terça-feira (7/jul).

    A imprensa internacional aguarda declarações oficiais do governo turco sobre as detenções do fim de semana.



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