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    Kassio Nunes Marques manda Meta guardar dados de quem atacou Flávio Bolsonaro

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    Flávio Bolsonaro e Kassio Nunes Marques

    📷 Kassio Nunes Marques, presidente do TSE / Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil |•| O senador Flávio Bolsonaro / Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles |•| ARTE URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    29 de julho de 2026

    O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta — dona do WhatsApp, Facebook e Instagram — armazene e preserve os dados de perfis que atacaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais.

    A decisão atende a um pedido do Partido Liberal, que aponta gastos milionários e atípicos em anúncios contra o pré-candidato à Presidência.

    A determinação foi assinada na última sexta-feira (24/jul), tramita sob sigilo de Justiça e foi revelada pela coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles.

    Como o caso começou

    A origem da investigação remonta a fevereiro de 2026, quando a equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro monitorava rotineiramente a biblioteca de anúncios da Meta e identificou, por acaso, perfis recém-criados com apenas 20 a 40 seguidores contratando impulsionamentos individuais de até R$ 200 mil — valor considerado incompatível com o alcance orgânico dessas contas.

    A advogada da campanha, Maria Cláudia Bucchianeri, descreveu o achado como “muito atípico” e afirmou nunca ter visto nada parecido, segundo apurou a coluna Grande Angular.

    Levantamentos posteriores da campanha ampliaram a estimativa: segundo o coordenador Rogério Marinho (PL-RN), a rede identificada teria cerca de 20 mil perfis falsos, mais de R$ 20 milhões investidos em impulsionamentos e alcance estimado em 270 milhões de visualizações, conforme divulgado pelo Poder360.

    Reportagem do O Globo identificou ainda sete páginas específicas no Facebook e no Instagram, com menos de 400 seguidores cada, que injetaram mais de R$ 1,1 milhão em dois meses contra Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

    A engrenagem por trás dos perfis

    Segundo Bucchianeri, os perfis não seriam robôs nem “fazendas de celular”, mas uma operação que envolveria pessoas reais utilizando CPFs falsos para criar contas, obter meios de pagamento e depois apagar os rastros.

    A advogada chegou a comparar a estrutura à chamada “milícia digital” identificada nas eleições de 2022, dizendo que esta seria ainda maior.

    Os pagamentos identificados envolveriam múltiplas moedas — reais, dólares e pesos colombianos —, sem que a campanha, até o momento, soubesse explicar a origem dos valores em moeda estrangeira.

    O pedido formal e a decisão do TSE

    Em 20 de julho, Marinho e Bucchianeri protocolaram representação no TSE e se reuniram pessoalmente com Nunes Marques, pedindo liminar para identificar os responsáveis pela estrutura, remover os perfis e apurar o financiamento — sem, segundo a própria campanha, atribuir a autoria a partidos ou candidatos específicos neste momento.

    O caso ficou sob relatoria do próprio Nunes Marques, que também responde pelo plantão judiciário do tribunal durante o recesso.

    Quatro dias depois, o ministro assinou a ordem de preservação de dados contra a Meta.

    Contexto: um padrão de decisões favoráveis

    O episódio se soma a uma sequência de decisões de Nunes Marques favoráveis a Flávio Bolsonaro neste ciclo eleitoral, incluindo a suspensão de uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que mostrava recuo do senador nas intenções de voto e a retirada do ar de vídeos que associavam o parlamentar a organizações criminosas.

    O jornalista Ricardo Noblat, em coluna no Metrópoles, classificou uma dessas decisões anteriores como carente de “sólidos fundamentos jurídicos”, lembrando que Nunes Marques deve sua indicação ao STF ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A medida atual — uma ordem de preservação de dados, e não de remoção de conteúdo ou quebra de sigilo — tem alcance mais limitado do que as decisões anteriores da mesma Corte no ciclo eleitoral, já que apenas obriga a Meta a guardar informações para eventual uso futuro em investigação.

    O ponto que merece acompanhamento não é a medida em si, mas a repetição do padrão: decisões monocráticas do presidente do TSE, sob sigilo, favorecendo sistematicamente a mesma pré-candidatura, em um tribunal cujo comando foi indicado ao Judiciário pelo pai do beneficiado.

    FAQ rápido

    O que o TSE determinou exatamente?
    Que a Meta armazene e preserve os dados de perfis que fizeram ataques pagos contra o senador Flávio Bolsonaro, sem, por ora, remover conteúdo ou identificar publicamente os responsáveis.

    Quem pediu essa medida?
    A campanha de Flávio Bolsonaro, por meio do coordenador, senador Rogério Marinho, após identificar impulsionamentos considerados atípicos.

    Já se sabe quem está por trás dos perfis?
    Não. A campanha afirma não atribuir responsabilidade a partidos ou pessoas específicas até a conclusão da apuração, que corre sob sigilo de Justiça.

    Atualização:
    nem a Meta nem o TSE se manifestaram publicamente sobre a decisão até a publicação desta matéria, já que o processo tramita em segredo de Justiça.



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