Vice-presidente da Corte eleitoral sinalizou a colegas que pedirá vista – uma manobra processual que suspende a deliberação
Brasília, 21 de outubro 2025
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendou para a terça-feira (4/nov) o julgamento de um recurso que ameaça a estabilidade do governo fluminense: a possível cassação do mandato do governador Cláudio Castro (PL) e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).
Acusados de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, por supostas contratações irregulares no Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio (Ceperj) que teriam favorecido a campanha de Castro, os réus foram absolvidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) em maio de 2024, por 4 votos a 3.
No entanto, o Ministério Público Eleitoral (MPE) recorreu, pedindo não só a perda dos cargos, mas também inelegibilidade por oito anos – uma reviravolta que poderia desencadear eleições suplementares no Rio de Janeiro e agravar a crise de segurança pública no estado.
Relatora do caso, a ministra Isabel Gallotti, que encerra seu mandato em novembro, liberou o processo para pauta urgente, sob presidência de Cármen Lúcia, com participação de André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Floriano de Azevedo Marques, Antonio Carlos Ferreira e Estela Aranha.
Em nota oficial, Cláudio Castro rebateu as alegações, afirmando que “todas as ações do governo seguiram na legalidade e sem qualquer vínculo com a campanha”, expressando confiança na absolvição pelo plenário do TSE.
O caso ganha contornos ainda mais dramáticos diante da recente operação policial contra o Comando Vermelho, a mais letal da história do estado, que expõe fragilidades na gestão de segurança.
Se confirmada a cassação, o vice Thiago Pampolha (MDB) cairia junto, e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, assumiria interinamente – abrindo caminho para eleições indiretas pela Alerj ou diretas, conforme o Código Eleitoral, dependendo do timing da decisão.
O vice-presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, sinalizou a colegas que pedirá vista no processo – uma manobra processual que suspende o julgamento até que ele retorne com análise própria, efetivamente travando a cassação e fortalecendo a defesa de Castro.
Essa estratégia, comum em casos sensíveis, pode empurrar a resolução para 2026, o último ano do mandato, evitando turbulências imediatas no Rio de Janeiro.
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