Legenda liberal-conservadora surge com foco em renovação política, acesso a verbas públicas e candidaturas ousadas, ampliando opções para eleitores em busca de alternativas à polarização tradicional
Brasília, 04 de novembro 2025
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) selou, nesta terça-feira (4/nov), um capítulo decisivo na fragmentada paisagem partidária brasileira.
Por unanimidade, os ministros aprovaram o registro do Partido Missão, iniciativa do Movimento Brasil Livre (MBL), elevando o número de legendas ativas no país para 30.
Relator do processo, o ministro André Mendonça defendeu o deferimento, destacando o cumprimento de requisitos como a coleta de mais de 577 mil assinaturas válidas – superando o mínimo de 547 mil exigido pela lei eleitoral. “
É livre a criação de partido, desde que resguardados a soberania nacional e o pluripartidarismo” , pontuou ele, em voto acompanhado por colegas como Cármen Lúcia, presidente da Corte, e Floriano de Azevedo Marques.
A decisão não veio sem ressalvas: o estatuto da nova sigla precisará de ajustes em 90 dias, especialmente em cláusulas genéricas sobre combate à violência de gênero, para alinhar-se à Lei 9.096/1995.
Ainda assim, o Missão ganha exclusividade sobre o número 14 nas urnas – outrora do extinto Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – e direitos plenos, incluindo fatias do Fundo Partidário e Eleitoral, além de tempo de propaganda em rádio e TV.
Para o MBL, movimento que pulou das ruas para os gabinetes, essa é a consagração de uma jornada de dois anos, iniciada em outubro de 2023 com o registro civil da legenda.
Raízes nas Ruas:
O Surgimento do MBL e a Busca por uma Identidade Partidária
Para entender o impacto do Missão, é essencial revisitar o berço do MBL. Fundado em 1º de novembro de 2014 por ativistas como Renan Santos, Kim Kataguiri e Rubinho Nunes, o grupo emergiu em meio aos protestos massivos de 2013-2016, que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff.
Inicialmente apartidário, o movimento canalizou a insatisfação antipetista, defendendo a Operação Lava Jato, reformas liberais e o fim da corrupção endêmica.
Em 2015, organizou o maior ato da história recente do Brasil, reunindo milhões em avenidas como a Avenida Paulista, em São Paulo, com bandeiras amarelas que se tornaram sua marca registrada.
Ao longo da década, o MBL evoluiu de potência de rua para força institucional, elegendo nomes como Kim Kataguiri à Câmara dos Deputados em 2018 e 2022, sob siglas alugadas como União Brasil.
Mas a dependência de legendas alheias gerou frustrações: em 2023, durante o 8º Congresso Nacional em São Paulo, líderes anunciaram o Missão como “a missão impossível” de institucionalizar uma direita renovada, distante do bolsonarismo e do centrão.
O nome, inspirado em conceitos empresariais de “declaração de missão”, reflete o Livro Amarelo, manifesto de 2024 que equilibra liberalismo econômico com intervencionismo estatal moderado – uma guinada pragmática ante crises como a pandemia.
A coleta de assinaturas, toda presencial para evitar falhas digitais, mobilizou voluntários em 27 estados, com São Paulo liderando (mais de 220 mil fichas).
Em junho, o TSE validou o quórum mínimo, pavimentando o caminho para o julgamento. No entanto, o processo não foi isento de controvérsias: em novembro de 2024, o portal The Intercept Brasil denunciou supostas omissões na divulgação do vínculo com o Missão durante a captação, gerando críticas sobre transparência.
O MBL rebateu, alegando questões legais de infidelidade partidária, mas o episódio reforçou acusações de “velha política” em um grupo que se vende como disruptor.
Ambiciosos Planos para 2026:
De Pré-Candidatos a uma Agenda Antissistema
Com o registro em mãos, o Missão mira alto nas eleições gerais de 2026. Renan Santos, coordenador nacional do MBL e presidente da nova legenda, sinalizou sua pré-candidatura à Presidência da República, prometendo uma “terceira via” pragmática.
Em entrevista ao Metrópoles, ele descartou alianças com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), após rompimentos como a saída de Guto Zacarias da vice-liderança na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
“Somos de direita, mas não bolsonaristas; apoiamos privatizações como a da Sabesp, mas sem escorar em governos” , afirmou.
Kim Kataguiri, deputado federal e cofundador, delineou prioridades ao CNN Brasil: enfrentamento ao crime organizado como declaração de guerra às facções, reforma radical do Estado com corte de privilégios a elites funcionais e lobistas, além de responsabilidade fiscal e combate ao desmatamento.
O partido planeja lançar concorrentes a governos de São Paulo e Rio de Janeiro, além de uma prévia interna para o Planalto – nomes como o ex-deputado Arthur do Val e o deputado Cristiano Beraldo circulam como opções.
O g1 destacou o cumprimento de diretórios em nove estados, enquanto o Valor Econômico enfatizou o acesso imediato a recursos públicos, estimados em milhões para siglas novatas.
No X, o anúncio viralizou, com o perfil oficial do MBL celebrando: “Vencemos contra tudo e todos”.
Críticos, como o jornalista Raphael Tsavkko Garcia, ironizaram o grupo como “o sapatênis da direita”, ecoando temores de mais fragmentação no Congresso.
Implicações para o Xadrez Eleitoral:
Mais um Jogador em um Tabuleiro Sobrecarregado?
O Missão chega como o primeiro partido criado do zero desde a Unidade Popular em 2019, intensificando debates sobre o inchaço partidário – o Brasil tem 24 legendas em formação.
Para analistas, como os do Poder360, a sigla pode atrair eleitores jovens e urbanos desiludidos com a polarização Lula-Bolsonaro, mas enfrenta desafios: fatia modesta do fundo eleitoral (devido à novata) e a necessidade de superar 5% dos votos para federações em 2026.
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