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Trump tentou impedir que Bolsonaro fosse preso, mas falhou, diz The New York Times

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    O presidente
    O presidente Trump e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma reunião bilateral em Kuala Lumpur, Malásia, em outubro / Crédito: Haiyun Jiang/The New York Times


    Ignorando completamente as ameaças e exigências da Casa Branca, o sistema de justiça brasileiro afirmou sua soberania, um processo que culminou na prisão efetiva do condenado, diz o jornal cuja manchete é o Brasil desafiou Trump e venceu




    Brasília, 24 de novembro 2025

    A aliança entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, outrora celebrada como um eixo conservador nas Américas, desmoronou de forma dramática, culminando em uma sucinta e reveladora declaração do presidente americano sobre a prisão de seu antigo aliado.

    Quando pressionado por repórteres se tinha algum comentário adicional, a resposta de Trump foi um seco “não“, seguido de um quase indiferente: “acho uma pena“, escreve o autor da matéria no prestigiado jornal estadunidense The New York Times.

    Segundo o jornal, essa reação sinalizou não apenas uma reviravolta geopolítica, mas também o desfecho dramaticamente divergente para dois líderes que seguiram roteiros semelhantes ao questionar os resultados de suas derrotas eleitorais.

    A mudança de tom, de uma defesa aguerrida para uma indiferença calculada, marca o fim de um capítulo e o início de outro.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    Para compreender a magnitude desta transformação, é crucial revisitar a ofensiva diplomática e econômica que a Casa Branca lançou meses antes, em uma tentativa audaciosa de moldar o destino político do Brasil.

    Leia a seguir um resumo objetivo dos principais argumentos na matéria desta segunda-feira (24/nov).

    A Ofensiva de Trump:
    Pressão Máxima Sobre o Brasil

    Em uma extraordinária tentativa de influenciar o desfecho do caso jurídico mais importante do Brasil em décadas, o presidente Trump adotou uma estratégia agressiva para proteger seu aliado político.

    Utilizando algumas das ferramentas mais poderosas à disposição da presidência americana, a intervenção visava garantir que Jair Bolsonaro, frequentemente chamado de “Trump dos Trópicos“, permanecesse em liberdade.

    Em julho, o governo Trump lançou uma ofensiva em múltiplas frentes:

    • Pressão Diplomática: Enviou uma carta contundente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exigindo que as autoridades brasileiras retirassem as acusações de tentativa de golpe de Estado contra Bolsonaro.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    • Guerra Comercial: Impôs tarifas punitivas de 50% sobre as importações brasileiras, mirando setores vitais da economia do país.

    • Sanções Individuais: Aplicou sanções diretas a um ministro do Supremo Tribunal Federal, em uma clara tentativa de intimidação do poder judiciário.

    O objetivo central dessas ações era inequívoco: manter Jair Bolsonaro fora da prisão a qualquer custo. Contudo, apesar da intensidade da ofensiva, a resposta das instituições brasileiras e os desdobramentos subsequentes provaram que a estratégia da Casa Branca estava destinada a um completo fracasso.

    A Queda de Bolsonaro e a Resiliência Brasileira

    Diante da pressão externa, as instituições democráticas do Brasil demonstraram uma notável resiliência.

    Ignorando completamente as ameaças e exigências da Casa Branca, o sistema de justiça brasileiro afirmou sua soberania, um processo que culminou na prisão efetiva de Jair Bolsonaro.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    Aos 70 anos, Bolsonaro foi detido inesperadamente no sábado para iniciar o cumprimento de sua pena de 27 anos, embora ainda estivesse em fase de apelação de seus recursos legais.

    O estopim para a ordem de prisão foi um alerta de que ele havia adulterado a tornozeleira eletrônica que usava em prisão domiciliar.

    Em seu depoimento, o ex-presidente confessou ter tentado queimar o dispositivo com um ferro de solda, justificando posteriormente o ato como consequência de alucinações provocadas por medicação.

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, justificou a ordem de prisão citando um claro risco de fuga.

    Em sua decisão, Moraes destacou a proximidade da residência de Bolsonaro com a Embaixada dos EUA, onde poderia buscar asilo.

    O argumento foi reforçado pelo precedente revelado pelo The New York Times de que Bolsonaro já havia se abrigado na Embaixada da Hungria em uma aparente tentativa de evitar a justiça.

    A prisão de Bolsonaro expôs a total ineficácia da intervenção de Trump.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    A Pivô Estratégica:
    De Bolsonaro para Lula

    Com o fracasso de sua campanha para proteger Bolsonaro, Donald Trump demonstrou seu pragmatismo transacional.

    Em uma rápida e calculada mudança de rumo, ele abandonou seu aliado caído e iniciou uma aproximação estratégica com o adversário político dele, o presidente Lula.

    Essa virada ilustra a disposição de Trump em sacrificar alianças ideológicas em favor de vantagens que considere mais oportunas.

    A nova postura de Trump se tornou evidente em uma série de eventos e declarações:

    • Setembro, Nações Unidas: Em seu discurso, Trump abandonou o roteiro preparado, que incluía críticas ao processo contra Bolsonaro, e em vez disso improvisou, comentando que ele e Lula tiveram uma “ótima química” em um encontro momentos antes.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    • Outubro, pré-reunião: Questionado por um repórter sobre Bolsonaro, Trump ofereceu uma resposta evasiva que sinalizava distanciamento: “Eu sempre achei que ele fosse honesto, mas…”, deixando a frase incompleta.

    • Outubro, pós-reunião: Após o encontro com Lula, Trump foi só elogios: “Ele é um cara muito enérgico, na verdade. Fiquei muito impressionado”. Em seguida, desejou um feliz aniversário ao presidente brasileiro, que completava 80 anos.

    A consequência mais tangível dessa nova relação veio na forma de uma ordem executiva que removeu as tarifas mais significativas sobre a carne bovina e o café brasileiros.

    A justificativa oficial foi o “progresso nas negociações” com Lula, uma medida que também respondeu à pressão doméstica nos Estados Unidos devido à alta nos preços desses produtos.

    Essa nova aliança, contudo, também envolve interesses estratégicos, abrindo caminho para negociações futuras sobre o acesso americano a recursos minerais brasileiros.

    Consequências e o Legado da Disputa

    O saldo final do conflito diplomático revela um cenário de perdas e ganhos assimétricos. Quando Trump interveio, Bolsonaro era visto como um grande vencedor. Agora, está claro que ninguém envolvido no episódio perdeu mais.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    A intervenção de Trump, longe de ajudar seu aliado, transformou-se em um espetacular tiro pela culatra, fortalecendo paradoxalmente a posição de Lula nos cenários nacional e internacional.

    As principais consequências da disputa podem ser sintetizadas da seguinte forma:

    • Para Bolsonaro: Muitos analistas acreditam que a intervenção de Trump pode ter levado o Supremo Tribunal Federal a endurecer e aumentar sua pena como uma demonstração de soberania.

    • Para a Família Bolsonaro: Seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, passou a enfrentar acusações criminais por seus esforços de lobby junto à Casa Branca para influenciar o caso.

    • Para Lula: Saiu do conflito com Washington politicamente fortalecido, projetando uma imagem de firmeza na defesa dos interesses nacionais.

    • Para os EUA e Brasil: A expectativa é que Washington utilize a nova relação para buscar maior acesso a minerais críticos brasileiros, como metais de terras raras, nas negociações bilaterais em andamento.

    Apesar da reaproximação, uma questão permanece pendente: as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes não foram suspensas.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    Suas táticas agressivas no processo contra Bolsonaro e seus aliados continuam a gerar preocupações sobre os limites do poder judiciário e a saúde da democracia brasileira.

    Soberania e os Limites do Poder

    O episódio Brasil-Trump representa um estudo de caso sobre os limites da capacidade de uma superpotência de impor sua vontade a outras nações e sobre a natureza pragmática da política externa de Donald Trump.

    Sua disposição em abandonar rapidamente um aliado ideológico em favor de um acordo vantajoso com um adversário político deixou uma lição clara sobre o caráter transacional de sua diplomacia.

    Para o Brasil, a resolução do conflito foi uma afirmação contundente de sua autonomia institucional.

    A perspectiva brasileira sobre toda a disputa foi encapsulada de forma definitiva pelo presidente Lula, em uma mensagem direta a Washington:

    “Trump precisa entender que somos um país soberano.”

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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