Comissão de senadores enfrenta resistência nos EUA enquanto Eduardo Bolsonaro é acusado de boicotar negociações contra tarifas de Trump
Brasília, 25 de julho de 2025
Uma comissão de senadores brasileiros embarca nesta sexta-feira (25/jul) para os Estados Unidos com a missão de abrir um canal de diálogo para evitar o “tarifaço” de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado por Donald Trump para entrar em vigor em 1º de agosto.
A medida, que pode custar R$ 52 bilhões às exportações brasileiras e 110 mil empregos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), é vista como uma retaliação política.
Interlocutores do presidente Lula em Nova Iorque relataram que Trump não autorizou sua equipe a negociar com o Brasil, centralizando todas as decisões na Casa Branca, o que dificulta as tratativas, informou o Blog do Valdo Cruz, no g1.
A tensão ganhou um componente político com a acusação de que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo estão boicotando as negociações. Eles teriam influenciado a postura de Trump, que já expressou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
A carta de Trump a Lula, divulgada em 9 de julho, cita o julgamento de Bolsonaro como “vergonha internacional” e justifica as tarifas com alegações infundadas, como censura a empresas americanas e desequilíbrio comercial, apesar do superávit dos EUA com o Brasil desde 2009.
Diante do bloqueio, Lula tem reforçado a soberania brasileira, chamando as tarifas de “chantagem inaceitável” em pronunciamento na TV. O governo intensificou conversas nos bastidores com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e planeja reuniões com empresários da Amcham e parlamentares americanos na próxima semana.
Apesar da resistência, o Brasil avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou usar a Lei da Reciprocidade Econômica, embora empresários peçam cautela para evitar retaliações que prejudiquem ainda mais a economia.
A imposição das tarifas reflete um momento crítico nas relações Brasil-EUA, considerado o pior em décadas, segundo especialistas. A postura de Trump, aliada à influência de aliados de Bolsonaro, sugere uma pressão política para interferir na Justiça brasileira, especialmente no caso de Jair Bolsonaro.
Enquanto a comissão brasileira tenta abrir portas no Capitólio e com a iniciativa privada, o governo Lula aposta no pragmatismo, destacando que os EUA também têm a perder com a escalada de tensões, já que o Brasil é um parceiro comercial com déficit favorável aos americanos.








