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    Governo Trump avalia repetir sanções contra Moraes; entenda o que motivou a escalada

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    Trump e Kim

    📷 Manchete do jornal inglês Financial Times e o ministro do STF, Alexandre de Moraes |•| Arte URBS MAGNA |•|

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Londres (UK)
    17 de agosto de 2026

    O governo de Donald Trump voltou a discutir a aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo revelou o Financial Times nesta semana.

    A informação chega em meio a um momento já tenso entre Brasília e Washington, a menos de dois meses do primeiro turno das eleições presidenciais de outubro.

    O que motivou a retomada do debate

    Segundo o jornal britânico, autoridades americanas ouvidas sob reserva citam como gatilho recente decisões de Moraes relacionadas a investigações desdobradas no Maranhão.

    O ministro autorizou buscas e apreensões contra o jornalista Luís Pablo e o ex-secretário de Segurança Pública do estado Raimundo Cutrim, dentro de um inquérito sobre a divulgação de informações que colocariam em risco a segurança da família do ministro Flávio Dino, também do STF — episódio que a fonte da publicação classificou como parte de um “padrão consistente de abuso”.

    O episódio gerou reação de setores ligados à liberdade de imprensa e reacendeu, dentro do governo americano, a possibilidade de reimpor a Lei Global Magnitsky contra o magistrado — mecanismo que já havia sido usado contra ele em 2025 e retirado meses depois.

    Como começou o embate entre Moraes e a Casa Branca

    A origem da disputa remonta a julho de 2025, quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou pela primeira vez a Lei Magnitsky contra Moraes, sua esposa Viviane Barci de Moraes e uma empresa da família, o Instituto Lex de Estudos Jurídicos.

    O secretário do Tesouro, Scott Bessent, justificou a medida citando “campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam direitos humanos e processos politizados”, numa referência direta à condução do processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

    As sanções incluíram bloqueio de bens sob jurisdição americana e restrição ao uso de cartões de crédito de bandeiras dos Estados Unidos.

    A medida foi revertida em dezembro de 2025, cinco meses depois, após uma sequência de reuniões e ligações entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme confirmou a agência Reuters à época.

    Ao comemorar a retirada das restrições, Moraes declarou que “a verdade prevaleceu”.

    O pano de fundo da nova escalada

    A trégua entre os dois países durou pouco. Em julho de 2026, os Estados Unidos voltaram a impor uma tarifa de importação de 25% sobre uma série de produtos brasileiros — nova rodada de um conflito comercial que já havia levado, em 2025, a uma tarifa de 50%, derrubada posteriormente pela própria Suprema Corte americana.

    No mês passado, o governo brasileiro negou entrada a dois enviados de Trump no país, alegando temor de interferência na eleição de outubro, acusação rejeitada por Washington.

    O padrão observado desde 2025 mostra uma correlação direta entre a temperatura da relação bilateral e o andamento dos processos judiciais que afetam o entorno de Jair Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.

    Sob a ótica deste portal, o uso de uma ferramenta desenhada originalmente para combater violações graves de direitos humanos — como a Lei Magnitsky — contra um integrante da mais alta Corte de um país democrático é um precedente incomum na história recente das relações entre Brasil e Estados Unidos, e caminha lado a lado com o próprio calendário eleitoral brasileiro.

    O próprio presidente Lula, durante o lançamento oficial de sua campanha à reeleição, neste domingo (16/ago), em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo, sugeriu que os Estados Unidos poderiam atuar para favorecer Flávio Bolsonaro no pleito, sem detalhar como.

    O estadtista também vem trocando farpas públicas com o secretário de Estado americano Marco Rubio.



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