Ty Cobb acrescenta que o republicano quer “reescrever a história” para apagar o fato de que ele “liderou uma insurreição violenta” para tentar permanecer no poder – ASSISTA E SAIBA MAIS
Brasília, 28 de setembro de 2025
Ty Cobb, ex-advogado da Casa Branca para o Escritório do Conselho Presidencial durante o governo passado de Donald Trump, expôs o que caracteriza como um projeto calculado do ex-presidente para “reescrever a história”.
Em uma denúncia gravíssima no programa Face The Nation, da CBS News, Cobb, um advogado com mais de 40 anos de experiência no Departamento de Justiça dos EUA, onde atuou em divisões criminal e de integridade pública, alerta que o objetivo é apagar da consciência nacional eventos críticos como a insurreição violenta de 6 de janeiro e a retenção de documentos classificados.
As declarações, dadas em uma entrevista, ganham peso adicional pela trajetória de Cobb. Diferente de um crítico político comum, ele é um operador do direito com décadas de serviço público, conhecido por ter representado a Casa Branca em investigações anteriores.
Sua análise é baseada em uma compreensão profunda dos mecanismos legais e de poder que Trump agora busca manipular.
Cobb foi categórico ao afirmar que Trump quer “reescrever a história para que a próxima geração não saiba que ele incitou uma insurreição violenta, recusou-se a transferir o poder pacificamente… roubou documentos classificados e os mostrou a… convidados em Mar-a-Lago.”
A referência direta à insurreição do Capitólio em 2021 ataca o coração do princípio democrático: a soberania popular expressa pelo voto.
Cobb, que em 2017 foi descrito pelo The New York Times como um “veteran defense lawyer” (advogado de defesa veterano) ao ser recrutado para a equipe de Trump, agora vê o ex-presidente como uma ameaça ao Estado de Direito que ele serviu por tanto tempo.
O caso dos documentos classificados de Mar-a-Lago, que é objeto de processo criminal federal, é citado como outro pilar dessa tentativa de revisionismo.
A Estratégia de Branqueamento Histórico e Institucional
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A análise de Cobb vai além dos crimes específicos e aponta para uma estratégia mais ampla de manipulação da narrativa nacional.
Ele destacou a nomeação de Lindsay Halligan, ex-consultora sênior de Trump, para o cargo de Procuradora dos EUA.
Cobb lembrou seu trabalho anterior no Instituto Smithsonian, onde, segundo ele, ela atuou “tentando eliminar a teoria de que a América tinha escravos” e “branquear o Smithsonian“.
Esta visão conecta a reescrita recente aos esforços de setores da direita para impor uma versão “nacionalista” e edulcorada da história, ignorando capítulos fundamentais para a compreensão das desigualdades sociais, como a escravidão.
O Peso do Alerta de um “Homem do Sistema”
O contexto atual dá urgência ao alerta de Cobb. Conforme reportado pela CNN e pelo The New York Times, a retórica de campanha de Trump para 2024 intensificou-se em tom agressivo.
A Reuters noticiou planos de seus aliados para uma grande reestruturação no governo federal, alimentando temores de um ataque às instituições.
A autoridade de Cobb para fazer tais acusações é significativa. De acordo com sua biografia, após deixar a Casa Branca em 2018, ele passou a criticar publicamente as táticas de Trump frente às investigações.
Sua transição de defensor interno para crítico vocal, baseando-se em sua vasta experiência no Departamento de Justiça, oferece uma perspectiva única. Ele não é um opositor externo, mas alguém que conhece o sistema que Trump pretende subverter.
O cerne da questão, como colocado por Ty Cobb, é a defesa do Estado Democrático de Direito.
A reescrita da história, quando articulada por um ex-presidente e executada por seus apoiadores em cargos-chave, é uma ferramenta poderosa para corroer a soberania popular e os freios ao poder executivo.
A luta, portanto, não é apenas sobre o passado, mas sobre a própria preservação dos pilares democráticos no futuro.







