Sob risco de cassação do mandato na Câmara e até de prisão, deputado cita matéria em que jornalista diz que o filho Zero Dois do condenado saiu derrotado – ASSISTA
Brasília, 20 de novembro 2025
O anúncio da reversão parcial do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil deflagrou uma nova rodada de embates e acusações no cenário político nacional, com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vindo a público para contestar a narrativa de sua derrota.

O parlamentar, que reside nos EUA e enfrenta sérios riscos jurídicos no Brasil, incluindo a possibilidade de cassação de mandato e prisão devido a acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR) no Supremo Tribunal Federal (STF), usou suas redes sociais para rebater uma matéria do portal g1, endossada pelo jornalista Valdo Cruz.
Em vídeo divulgado, Eduardo Bolsonaro acusou a reportagem de tentar vender informações falsas sobre o recuo das tarifas americanas.
“Pessoal estão tentando vender para vocês isso daqui”, disse o deputado, mostrando a manchete que o descrevia como “derrotado” após meses de esforços para provocar sanções dos EUA contra o Brasil devido à situação legal de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ele sustentou que o movimento de Trump não se tratou de uma vitória da diplomacia brasileira ou uma derrota pessoal, mas sim de fatores internos dos Estados Unidos. “Mas foram fatores internos dos Estados Unidos que forçaram Trump a esse movimento, que não é exclusivamente retirada de tarifas só do Brasil”, argumentou.
O deputado ampliou sua análise: “Basicamente todos os países do mundo que de maneira substancial, enviam carne, café e outros produtos desses para os Estados Unidos tiveram suas tarifas retiradas.”
O parlamentar ainda tentou desqualificar a notícia, comparando-a a eventos passados: “Não se deixe levar; vai ser igualzinho de novo aquela questão da foto do Trump com o Lula.”

E concluiu, citando uma suposta fonte: “Um colega americano falou lá atrás ainda falou ‘Eduardo, essa novela ainda vai ter várias idas e vindas. Não se preocupe, os Estados Unidos segue firme e forte com a sua política pró-liberdade. E não houve nenhuma vitória para a incompetente diplomacia americana ou menos competente ainda presidência do qual ocupa Lula agora’.”
Implicações Políticas
Em contraste, a matéria do g1, conforme trechos fornecidos, traça um panorama de derrota para o deputado e vitória para o governo Lula. A reportagem afirma que o “recuo pragmático de Donald Trump no tarifaço sobre o Brasil, diante do impacto inflacionário nos Estados Unidos, é mais uma derrota do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na outra ponta, uma vitória do presidente Lula.”
O texto destaca que as sanções políticas sobre autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes e sua família, “não atingiram o objetivo do deputado, de livrar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de uma condenação no Supremo Tribunal Federal.”
O g1 ainda enfatiza as consequências legais da atuação do deputado, afirmando que a “ação desastrosa de Eduardo Bolsonaro, criticada até por seus aliados, acabou transformando o deputado em réu no STF, com grande possibilidade de ser condenado. Ele vai perder o mandato e corre risco de ser preso.”
A matéria conclui notando que a nova ordem executiva de Trump elimina as referências ao julgamento de Jair Bolsonaro e as críticas ao STF contidas na ordem original, indicando que “agora, começa a fase das negociações entre os dois lados” e que a revogação se concentrou em “principais produtos da pauta de exportação das empresas brasileiras para os Estados Unidos, como carne, café e frutas.”
A Falsa Simetria:
Fatores Internos e a Busca por Sanções

Para avaliar a afirmação de Eduardo Bolsonaro — de que o recuo de Trump se deve a “fatores internos dos Estados Unidos” e não a uma derrota de sua articulação ou vitória da diplomacia brasileira — é crucial analisar os motivos do anúncio de Washington.O que é correto na fala de Eduardo Bolsonaro:
Fatores Internos dos EUA: É amplamente reportado pela imprensa internacional e analistas econômicos que a principal motivação para a reversão de tarifas em diversas categorias de produtos, incluindo os brasileiros, foi o combate à inflação nos Estados Unidos. O aumento de 40% nas tarifas sobre produtos agrícolas e de consumo como café, carne e frutas contribuía para a alta dos preços ao consumidor americano. A revogação visa aliviar a pressão inflacionária doméstica e não é exclusiva ao Brasil, sendo um movimento econômico pragmático do governo Trump.
Não Exclusividade: A retirada de tarifas não foi isolada para o Brasil. Outros países que exportam esses produtos aos EUA foram afetados e tiveram alívios tarifários similares, confirmando que a ação teve uma natureza mais ampla e econômica.
O que é falso ou enganoso na fala de Eduardo Bolsonaro:
Negação da Ligação Política Original: O deputado ignora a natureza política da imposição original. A ordem executiva inicial de Trump sobre o Brasil citava explicitamente o julgamento de Jair Bolsonaro e a atuação do STF como justificativas, aplicando a Lei Magnitsky e revogando vistos. Embora a reversão seja econômica, a motivação para a imposição inicial foi inegavelmente política e resultado direto da pressão exercida por Eduardo Bolsonaro e aliados. O fato de a nova ordem executiva ter removido essas menções políticas é, em essência, uma derrota para a estratégia do deputado de usar sanções econômicas como alavanca política contra instituições brasileiras.
Vitória da “Não-Vitória”: A retirada do viés político e a manutenção de sanções apenas em questões menos impactantes, como as sobre o ministro Alexandre de Moraes e família, ao mesmo tempo em que a pauta econômica mais relevante é liberada, representa um enfraquecimento da ofensiva bolsonarista. A diplomacia brasileira, ao conseguir o alívio das tarifas que afetavam a economia nacional, alcançou um objetivo prático, independentemente da motivação interna americana para a decisão.

Risco Jurídico:
As Chances Reais de Prisão de Eduardo Bolsonaro
O futuro político e legal de Eduardo Bolsonaro no Brasil é incerto e de alto risco. O deputado é réu no STF em uma investigação que apura sua atuação na busca por sanções internacionais contra autoridades brasileiras. Notícias atualizadas sobre a investigação indicam que:
Réu no STF: O STF aceitou a denúncia da PGR, transformando Eduardo Bolsonaro em réu, o que significa que há indícios suficientes para que ele responda a uma ação penal.
Perda do Mandato: A condenação em segunda instância ou pelo próprio STF pode levar à cassação de seu mandato, conforme a Lei da Ficha Limpa. As acusações, se comprovadas, são graves e podem configurar crimes como incitação à subversão da ordem política ou conspiração.
Risco de Prisão: Embora a prisão de um parlamentar seja mais complexa devido à imunidade, a possibilidade existe, especialmente após uma condenação em STF ou se for configurada uma situação de flagrante por crime inafiançável. O cenário de perda de mandato e prisão é um desfecho extremo, mas real, considerando a gravidade das acusações de tentativa de interferência externa contra a soberania nacional e as instituições brasileiras.
A Polarização Como Freio do Desenvolvimento Nacional
O episódio do tarifaço e a reação de Eduardo Bolsonaro ressaltam a profunda polarização política que, segundo o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem ofuscado o reconhecimento do bom momento econômico vivido pelo Brasil.
Na quinta-feira (20/nov), durante a reinauguração Salão do Automóvel, em São Paulo, no Anhembi, Fernando Haddad comentou que a mídia brasileira frequentemente deixa de dar o devido destaque às boas novas sobre o bom momento econômico do país, como o Brasil alcançar a menor inflação e o maior emprego da história do governo Lula, ou os avanços da reforma tributária.

Segundo Haddad, isso ocorre porque “o Brasil está muito polarizado e as notícias boas do governo Lula não são publicadas devidamente.
Ou seja, o ministro sugeriu que essa dificuldade se deve à necessidade dos veículos de comunicação de vender notícias também para grande parte da população brasileira que apoia Bolsonaro, dando preferência a pautas de confronto e oposição.
A conclusão é que a estratégia da extrema direita, representada pela ação de Eduardo Bolsonaro em buscar sanções internacionais e sua subsequente negação da realidade política e econômica, atua como um obstáculo.
Ao pautar o debate nacional com crises artificiais e narrativas de polarização, a atenção pública é desviada dos avanços concretos do Brasil — como a melhoria dos indicadores econômicos e a estabilização institucional — impedindo que o país se desenvolva de forma livre, com foco no progresso e não no conflito.
O embate entre a narrativa da derrota política e a realidade do alívio econômico é o sintoma de um país que ainda luta para superar suas divisões internas.
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