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EUA: Trump pode ter dado vantagem estratégica a Putin | Rússia: Putin sai do Alasca com “triunfo diplomático”

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    O presidente
    O presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, dentro da limusine presidencial de Donald Trump, conhecida como The Beast | Imagem reprodução NBC News


    O que as mídias dos dois países disseram após encontro histórico entre os dois líderes no Alasca; falta de resultados concretos mantém a incerteza, com os EUA temendo um “acordo precipitado” e a Rússia celebrando sua “volta ao centro do palco



    Brasília, 16 de agosto de 2025

    A cúpula histórica entre Donald Trump e Vladimir Putin em Anchorage, Alasca, na sexta-feira (15/ago), gerou intensos debates nas redes sociais e na mídia internacional.

    Imagens viralizadas retratando o presidente dos EUA como um “cachorro pet” do líder da Federação Russa sugerem uma percepção de desequilíbrio político em favor do visitante e em detrimento do anfitrião.


    A suposta vantagem política de Putin é apresentada em uma comparação de narrativas de diferentes jornais dos dois países.

    ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

    Nos EUA, os jornais abordaram a cúpula com ceticismo, frequentemente apontando Putin como o grande beneficiado. O The New York Times, em artigo de Serge Schmemann, descreveu o encontro como envolto em “especulação e incerteza”, destacando que a presença de Putin em território americano — a primeira em um país ocidental desde o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em 2023 — foi uma “vitória simbólica”.

    O jornal sugeriu que Trump, ao buscar um cessar-fogo rápido na Ucrânia, pode estar comprometendo a posição de Kiev, especialmente pela ausência do presidente Volodymyr Zelensky.

    A análise aponta que Putin usou o evento para “reafirmar a relevância global da Rússia”.

    O The Wall Street Journal reforçou essa visão, citando John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional, que afirmou que “a presença de Putin no Alasca já é uma vitória antes mesmo de as negociações começarem”.

    O jornal alertou que Trump busca um “troféu diplomático” para sua campanha, mas pode ceder em questões como o reconhecimento do controle russo sobre a Crimeia ou outros territórios ocupados, o que prejudicaria aliados da OTAN.

    A força militar de Putin, que controla cerca de 20% da Ucrânia, foi vista como um “trunfo nas negociações”.

    A CNN relatou que Trump apresentou a cúpula como um “exercício de escuta”, mas autoridades americanas minimizaram as chances de avanços concretos.

    A exclusão de Zelensky foi duramente criticada, com comentaristas apontando que “deixar a Ucrânia de fora enfraquece sua soberania”.

    O The Atlantic citou Richard Haass, ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores, que alertou sobre o risco de Trump aceitar “trocas territoriais” para alcançar a paz, o que poderia fortalecer a Rússia e minar a Ucrânia.

    Além das mídias tradicionais, postagens no X reforçaram essa percepção, chamando o encontro de “espetáculo encenado” que favoreceu Moscou.

    FEDERAÇÃO RUSSA

    Na Rússia, a mídia estatal, como a RT, celebrou a cúpula como uma “vitória diplomática” para Putin, destacando sua capacidade de negociar diretamente com Trump em solo americano.

    A rede financiada pelo Estado russo enfatizou o “clima amigável”, notando a “confiança de Putin” durante o aperto de mãos e o passeio na limusine presidencial The Beast.

    O local, Alasca, um antigo território russo, foi descrito como um “símbolo histórico” que reforça a influência da Rússia.

    A RT citou uma fonte anônima do Kremlin afirmando que os avanços militares russos na Ucrânia garantem a Putin um “poder de barganha incomparável”.

    A agência TASS destacou que o encontro foi uma iniciativa dos EUA, motivada pela promessa de campanha de Trump de encerrar a guerra na Ucrânia.

    A agência estatal de notícias da Rússia mencionou a forte delegação russa, incluindo o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov e o ministro da Defesa Andrey Belousov, como sinal de discussões sérias sobre temas como “controle de armas nucleares” e “cooperação econômica”.

    A ausência de Zelensky foi justificada como uma escolha para evitar “interferências externas”, priorizando negociações bilaterais.

    A TASS minimizou as ameaças de Trump de “consequências severas”, apontando a resiliência da Rússia contra sanções.

    O independente The Moscow Times ofereceu uma visão mais equilibrada, reconhecendo o “ganho de propaganda” de Putin, mas alertando que qualquer acordo que legitime conquistas territoriais, como a Crimeia, poderia “incentivar novas agressões”.

    Citando Leigh Turner, ex-embaixador britânico em Kiev, o jornal destacou que Putin ganhou um “palco global” em Anchorage, fortalecendo sua imagem doméstica, mas alertou para os riscos de um acordo que favoreça a Rússia em detrimento da estabilidade global.

    BALANÇA

    As perspectivas da imprensa americana e russa convergem ao reconhecer que Putin obteve uma vitória simbólica, mas divergem no tom e nos detalhes.

    Nos EUA, jornais como The New York Times e The Wall Street Journal criticam Trump por buscar um “acordo histórico” que pode enfraquecer a Ucrânia e aliados da OTAN.

    A exclusão de Zelensky é vista como um erro grave, e a mídia americana alerta para o risco de Trump ceder a Putin em troca de um “legado diplomático”.

    A CNN reforça que “ignorar Kiev legitima a agressão russa”, enquanto o The Atlantic teme uma “capitulação disfarçada de paz”.

    Na Rússia, veículos estatais como RT e TASS celebram a cúpula como um “retorno da Rússia à diplomacia global”, destacando a força militar de Putin e a escolha do Alasca como um “símbolo de prestígio”.

    A ausência de Zelensky é vista como estratégica e Trump é retratado como quem precisava do encontro para cumprir promessas eleitorais.

    Mesmo o The Moscow Times, mais crítico, reconhece que Putin saiu fortalecido, mas alerta para os perigos de acordos que legitimem conquistas territoriais.

    Convergências

    Ambas as imprensas destacam que a presença de Putin no Alasca quebrou seu isolamento diplomático, um feito notável dado o mandado do TPI.

    A possibilidade de “trocas territoriais” na Ucrânia é mencionada, com os EUA preocupados e a Rússia vendo isso como uma solução prática.

    Divergências

    Nos EUA, a exclusão de Zelensky é um ponto de crítica; na Rússia, é vista como uma decisão para agilizar negociações bilaterais.

    A mídia americana foca nos riscos para a Ucrânia e na pressão de Trump por ganhos políticos pessoais, enquanto a russa enaltece a “vitória estratégica” de Putin.



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