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Trump pode anunciar tarifas individuais ajustadas às práticas de cada nação ou apenas uma universal de 20%

    Às 15h desta quarta (2), o presidente dos Estados Unidos apresenta, em cerimônia apelidada por ele de “Dia da Libertação“, um conjunto de tarifas recíprocas que pode transformar décadas de comércio global baseado em regras – SAIBA MAIS

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    WASHINGTON, 2 de abril de 2025

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está prestes a anunciar nesta quarta-feira (2/abr), em uma cerimônia no Rose Garden da Casa Branca às 16h (horário de Washington, 20h GMT – ou 15h de Brasília), um conjunto de tarifas recíprocas que pode transformar décadas de comércio global baseado em regras.

    Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, as novas tarifas entrarão em vigor imediatamente após o anúncio, enquanto uma tarifa global de 25% sobre importações de automóveis começará a valer em 3 de abril.

    A medida, apelidada de “Dia da Libertação” por Trump, visa equalizar as taxas alfandegárias americanas, geralmente mais baixas, com as cobradas por outros países, além de combater barreiras não tarifárias que prejudicam as exportações dos EUA.

    De acordo com a agência Reuters, os detalhes do plano ainda estão sendo finalizados e mantidos em sigilo, mas especula-se que Trump pode optar por uma tarifa universal de 20% ou tarifas específicas por país, ajustadas às práticas comerciais de cada nação.

    Um ex-oficial do governo Trump, em entrevista à agência de notícias, sugeriu que o número de países afetados pode superar os 15 inicialmente mencionados pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, devido aos altos superávits comerciais com os EUA.

    Impactos Econômicos e Reações Internacionais

    A decisão já provoca ondas de incerteza. Economistas do Federal Reserve Bank de Atlanta, conforme reportado pelo Wall Street Journal, indicam que as tarifas devem elevar os preços nos EUA, reduzir contratações e frear o crescimento econômico.

    Um estudo da Yale University Budget Lab estima que uma tarifa adicional de 20% custaria, em média, US$ 3.400 por família americana, pressionando ainda mais o custo de vida.

    Nos mercados financeiros, a reação é visível: o CNBC relata que, desde meados de fevereiro, investidores venderam ações agressivamente, eliminando quase US$ 5 trilhões do valor das bolsas americanas. Na terça-feira, Wall Street fechou em clima de incerteza, à espera dos detalhes do anúncio.

    Parceiros comerciais como União Europeia, Canadá e México prometeram retaliação. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, discutiram na terça-feira (1º/abr) planos para “combater ações comerciais injustificadas”, segundo comunicado oficial do governo canadense. O New York Times destaca que um movimento “Compre Canadense” já dificulta a entrada de produtos americanos no Canadá, sinalizando uma guerra comercial iminente.

    Tarifas Acumulativas e Estratégia de Trump

    Desde que assumiu o cargo há pouco mais de 10 semanas, Trump já impôs tarifas de 20% sobre todas as importações da China, justificadas pelo combate ao fentanil, e restaurou taxas de 25% sobre aço e alumínio, estendendo-as a produtos derivados no valor de US$ 150 bilhões.

    As tarifas são cumulativas: um carro fabricado no México, por exemplo, que antes pagava 2,5% para entrar nos EUA, agora enfrentará 52,5% com a soma das taxas sobre fentanil e automóveis, além de possíveis tarifas recíprocas.

    Ryan Majerus, ex-oficial do Departamento de Comércio e atual parceiro da King and Spalding, afirmou à Reuters que uma tarifa universal seria mais fácil de implementar e geraria maior receita, mas tarifas recíprocas por país poderiam ser mais eficazes contra práticas comerciais desleais. “De qualquer forma, os impactos serão significativos em várias indústrias”, alertou.

    Contexto e Críticas

    Trump defende que as tarifas protegem trabalhadores e fabricantes americanos, prejudicados por acordos de livre-comércio que resultaram em um déficit comercial de bens superior a US$ 1,2 trilhão. No entanto, economistas ouvidos pelo Bloomberg alertam que a medida pode elevar preços globalmente e desacelerar a economia mundial, afetando até mesmo os consumidores americanos que o presidente diz querer proteger.

    Enquanto o mundo aguarda o pronunciamento de Trump, a tensão comercial cresce, e o “Dia da Libertação” pode marcar o início de uma nova era de protecionismo econômico.

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