
Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro, Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca | Ao fundo, uma refinaria de combustíveis | Imagens reprodução redes sociais / Montagem
| Brasília (DF)
29 de maio de 2026
Na quinta-feira (28/mai), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou que o governo Donald Trump classificará o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho.
A decisão, que já inclui a designação como terroristas globais especialmente designados, foi tomada um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar ter pedido exatamente essa medida em reunião com Trump na Casa Branca, em 26 de maio.
O setor de combustíveis entra no centro do debate porque operações policiais deflagradas no mesmo dia, como a Fluxo Oculto do Gaeco e da Receita Federal em cinco estados, revelam infiltração profunda do PCC em distribuidoras, postos de gasolina e fintechs usadas para lavagem de dinheiro.
A ação mira seis fintechs que operavam como bancos paralelos e adulteração de combustível com solvente petroquímico.
A classificação permite aos EUA aplicar leis como o Kingpin Act e RICO, com sanções secundárias que bloqueiam bens e proíbem transações com qualquer entidade ligada às facções.
Como as sanções americanas são extraterritoriais, bancos internacionais e parceiros comerciais podem recusar negócios com empresas brasileiras para evitar multas nos Estados Unidos, especialmente aquelas que usam dólar.
O governo Lula não foi avisado previamente, o que reforça preocupações com soberania.
Flávio Bolsonaro publicou nas redes: “Grande dia. Agradeço ao presidente Donald Trump e ao secretário Marco Rubio por atenderem rapidamente ao meu pedido em nome do povo brasileiro”. O irmão Eduardo Bolsonaro também celebrou.
No entanto, fontes consultadas pela Folha de S.Paulo e por especialistas em relações internacionais alertam que a mesma ferramenta pode atingir setores legítimos da economia brasileira onde há presença histórica de recursos ilícitos, como o de combustíveis.
O PCC utiliza a cadeia de distribuição para dar aparência legal a capitais do tráfico, prática que operações anteriores como a Carbono Oculto já mapearam em mais de 300 postos.
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