Enquanto o Itamaraty corre contra o tempo para evitar sanções americanas, petistas denunciam interferência direta de Donald Trump no pleito presidencial, com Flávio Bolsonaro já comemorando o ganho político
Brasília (DF) · 10 de março de 2026
Integrantes da cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam que a proposta dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras representa a primeira grande ofensiva de Donald Trump para influenciar as eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2026.
A medida, ainda em estágio avançado no Departamento de Estado, favorece narrativas da oposição e pode abrir brechas para sanções financeiras, bloqueio de ativos e até restrições de vistos a brasileiros ligados às facções.
De acordo com a CNN Brasil, a desconfiança petista cresceu após a retomada da discussão em Washington.
O presidente do PT, Edinho Silva, foi direto: “O Brasil não é um puxadinho do Trump”.
Ele gravou vídeo alertando que a soberania nacional não pode ser atacada e que o governo Lula busca alianças internacionais contra o crime sem abrir mão da própria legislação.
A análise do g1 reforça que a classificação vira “armadilha eleitoral”.
Pela lei brasileira, o PCC e o CV não são enquadrados como terroristas porque falta motivação política para desestabilizar o Estado — o foco é o lucro.
Nos Estados Unidos, os critérios são mais amplos e já permitem designações semelhantes a cartéis latino-americanos.
A oposição, especialmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, celebra a iniciativa: ele próprio entregou dossiê à comitiva americana em maio de 2025 ligando as facções ao terrorismo.
O UOL destaca que a decisão “mira no terrorismo, mas acerta nas eleições”.
Especialistas ouvidos pela coluna, como o ex-secretário de Defesa Marcos Degaut, afirmam que a medida alinhada à Estratégia de Segurança Nacional americana pode gerar “pressões políticas e diplomáticas” sobre o governo Lula, incluindo sanções comerciais, caso não haja cooperação plena.
No front diplomático, o Itamaraty age com urgência. O chanceler Mauro Vieira conversou por telefone na noite de domingo (8/mar) com o secretário de Estado americano Marco Rubio.
O brasileiro manifestou preocupação e defendeu parceria policial em vez de rótulo terrorista.
O tema deve dominar eventual encontro entre Lula e Trump em Washington, ainda sem data.
A classificação, se confirmada, permite ao Tesouro americano bloquear bens, criminalizar “apoio material” e impor deportações.
O governo brasileiro argumenta que isso ameaça a soberania e contraria a Lei Antiterrorismo nacional.
O Departamento de Estado não anunciou oficialmente a designação, mas fontes próximas ao governo Trump indicam que a documentação já segue para o Congresso americano.

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