📷 O presidente dos EUA, Donald Trump, o premiê de Israel, Benjamim Netanyahu, e o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em reunião na Casa Branca, em Washington |•| July 7, 2025 |•| Foto: AFP |•| URBS MAGNA
| Washington (US)
15 de agosto de 2026
O presidente americano Donald Trump ainda não concedeu ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu o apoio público que este esperava antes da eleição de 27 de outubro em Israel, apesar da relação pessoal entre os dois.
A informação é da agência Axios, que ouviu fontes americanas e israelenses com acesso direto às conversas entre os líderes.
O encontro que expôs o mal-estar
Durante um encontro no Salão Oval em julho, Trump perguntou diretamente a Netanyahu como estava se saindo nas pesquisas de opinião.
O premiê hesitou por um instante antes de um assessor intervir: “Senhor Presidente, ele vai ganhar”.
A cena, no entanto, contrasta com o cenário real: as pesquisas mais recentes projetam a coalizão de Netanyahu entre 49 e 53 cadeiras na Knesset — abaixo das 61 necessárias para formar governo e das 68 que o bloco ocupa atualmente.
A oposição, por sua vez, aparece com 67 a 70 cadeiras, com o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eizenkot surgindo como principal rival, à frente em avaliações de popularidade, conforme reproduziu o Times of Israel.
A frase que resume a frustração
Dois altos funcionários americanos disseram à Axios que Trump, embora goste de Netanyahu pessoalmente, está cada vez mais incomodado com decisões do premiê relacionadas ao Irã, ao Líbano e a Gaza.
Segundo duas pessoas que conversaram recentemente com o presidente sobre o assunto, ele teria dito, em privado: “Bibi é seu próprio pior inimigo”.
O desgaste mais recente, segundo o Daily Beast, foi a rejeição pública de Netanyahu ao chamado Board of Peace, plano de Trump para o desarmamento do Hamas em Gaza — episódio que o jornal descreveu como o momento mais recente de tensão entre os dois líderes.
Por que o silêncio de Trump pesa tanto
Trump já foi questionado publicamente sobre um possível endosso a Netanyahu quatro vezes nas últimas semanas —e nas quatro vezes evitou o compromisso, referindo-se ao premiê apenas como um “grande primeiro-ministro de guerra”, sempre no passado, segundo apurou o site ClashReport.
Questionado se algum outro candidato conduziria melhor o cargo, Trump driblou a pergunta dizendo não conhecer a maioria deles.
Um funcionário sênior da Casa Branca minimizou, à Axios, declarações recentes de Netanyahu classificando-as como “política de temporada eleitoral”, e não como um posicionamento oficial dos Estados Unidos — reforçando que Washington não tem problema com a postura do premiê, desde que ele continue restringindo ataques em Gaza.
Até aliados históricos podem se tornar cálculo político quando a popularidade pesa mais que a lealdade pessoal. Trump chegou a defender publicamente um perdão para encerrar o processo por corrupção que Netanyahu enfrenta em Israel, nas primeiras semanas da guerra contra o Irã — mas o distanciamento cresceu à medida que os objetivos de política externa dos dois passaram a divergir, sobretudo em relação a Gaza e ao Líbano.
O primeiro-ministro israelense, adversários de Netanyahu, como o próprio Eizenkot e os ex-premiês Naftali Bennett e Yair Lapid, têm buscado Trump por canais informais — amigos, doadores e aliados políticos — pedindo que o presidente americano fique fora da disputa israelense, segundo apurou o Mediaite.
Ainda dá tempo de Trump mudar de ideia?
A Axios ressalva que Trump ainda pode reverter a posição e declarar apoio a Netanyahu antes do pleito. Restam, porém, apenas 75 dias até a eleição de 27 de outubro — um prazo cada vez mais curto para o premiê reverter o cenário de queda nas pesquisas.
A Casa Branca e o gabinete de Netanyahu ainda não responderam formalmente às perguntas da imprensa internacional sobre a possibilidade de endosso antes da eleição.
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