Brasília (DF)
30 de outubro de 2026
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro de ser o líder legítimo do Brasil, apesar de ter facilitado sua chegada ao país após anos de apoio a ele e a seu pai, afirmaram na quinta-feira (30/out) uma autoridade norte-americana e outra pessoa a par do assunto à Reuters. A postura sugere relutância em abrir nova crise nas relações bilaterais, que enfrentaram altos e baixos recentes, enquanto o mundo democrático reconheceu a legitimidade da eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.
O QUE A REUTERS APUROU SOBRE O POSICIONAMENTO DE TRUMP?
Segundo a reportagem assinada por Steve Holland e Gram Slattery, Trump afirmou que a eleição brasileira de domingo (25/out) pareceu “manipulada”, mas ressaltou que não ofereceu endosso na disputa. O presidente americano também declarou que se dá bem com Lula, o líder sindical de 81 anos que garantiu a reeleição por cerca de 3,5 pontos percentuais, contrariando as pesquisas.
A autoridade norte-americana e a pessoa familiarizada com o assunto, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro, mesmo tendo permitido sua entrada no país. Eles acrescentaram que o presidente pode mudar de ideia. Uma terceira autoridade, também anônima, afirmou que o capital político de Flávio diminuiu agora que ele se encontra em autoexílio, e muitos conservadores no Brasil criticaram a fuga.
A Casa Branca encaminhou pedido de comentário ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e um representante de Flávio Bolsonaro também não se pronunciaram.
COMO FLÁVIO CHEGOU AOS ESTADOS UNIDOS E O QUE DISSE NA CARTA?
A partida de Flávio ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenar a entrega de seus passaportes, atendendo a pedido da Polícia Federal em investigação por suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas — acusação que ele nega. A ordem veio minutos após a proclamação da vitória de Lula, conforme a Reuters.
Autoridades argentinas informaram que Flávio, sua esposa e duas filhas cruzaram uma ponte para o norte da Argentina na terça-feira à noite e embarcaram em voo fretado. O assessor de Trump, Jason Miller, próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina. Durante a viagem, o secretário de Estado Marco Rubio recomendou a admissão, o que Trump aprovou. As autoridades norte-americanas concederam “parole humanitária”, status temporário por razões humanitárias ou interesse público.
Em carta publicada no X na quarta-feira (28/out), Flávio se autoproclamou inicialmente “o verdadeiro presidente eleito” e depois editou o texto para se declarar “líder” do Brasil, alegando fraude sem apresentar provas e agradecendo a Trump e a Javier Milei, segundo o g1.
QUAIS OS ANTECEDENTES E AS IMPLICAÇÕES DIPLOMÁTICAS?
Trump tem criticado o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas e afirmou, em declarações públicas anteriores, que não se envolveria na situação, embora tenha aprovado a entrada de Flávio. O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre pena por tentativa de golpe após a derrota em 2022.
Algumas autoridades brasileiras, em condição de anonimato, disseram à Reuters que a partida de Flávio ajuda Lula ao enfraquecer a oposição conservadora no Congresso Nacional. O irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, havia sugerido publicamente que ele deixasse o país em caso de derrota e foi condenado pelo STF por tentar obter interferência do governo Trump no julgamento do pai.
A análise aponta que a decisão de não endossar a autodeclaração de Flávio reforça a prioridade de Trump por pragmatismo diplomático em um momento de atenção voltada a outras agendas internas, evitando o risco de isolamento internacional que acompanhou tentativas semelhantes em outros países da região. A legitimidade da eleição brasileira, reconhecida por instituições eleitorais e por governos democráticos, permanece o ponto central do debate.
IMPORTANTE: A reportagem da Reuters baseia-se em fontes anônimas do governo americano. Não há, até o momento, declaração pública oficial de Trump endossando ou rejeitando formalmente a pretensão de Flávio Bolsonaro. O próprio Trump afirmou publicamente que não se envolveria.
O QUE ACONTECE AGORA?
O autoexílio de Flávio e a ausência de apoio explícito de Washington podem reduzir sua capacidade de articular a oposição a partir dos Estados Unidos. As relações entre Brasil e Estados Unidos seguem sob observação, com Lula reeleito e o governo americano evitando escalada imediata.
FAQ Rápido
O governo Trump apoia Flávio Bolsonaro como líder do Brasil?
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, não há planos atuais de apoiar essa alegação, embora Trump possa mudar de ideia.
Flávio Bolsonaro se declarou presidente eleito?
Em uma primeira versão de carta, sim. Depois editou o texto e passou a se declarar “líder” do Brasil.
Qual foi o resultado da eleição presidencial de 2026?
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com cerca de 51,8% dos votos válidos, derrotando Flávio Bolsonaro por aproximadamente 4,4 milhões de votos.
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