📷 Os irmãos Tate, que enfrentam alegações de estupro e tráfico humano, supostamente contataram pessoas na órbita de Trump / Crédito: AP |•| Urbs Magna
| Washington (US)
21 de julho de 2026
Donald Trump decidiu não intervir para impedir a extradição de Andrew Tate e Tristan Tate para a Grã-Bretanha, apesar da pressão de figuras próximas ao presidente, segundo revelou o The Telegraph.
A decisão mantém em curso o processo que pode enviar os influenciadores a julgamento no Reino Unido por estupro, abuso sexual e tráfico humano.
Os irmãos foram detidos por agentes do U.S. Marshals Service em Miami no último sábado, a pedido de autoridades britânicas, conforme confirmou a Ynet News em reportagem baseada no furo do jornal britânico.
Segundo o Crown Prosecution Service, Andrew Tate, de 39 anos, e Tristan Tate, de 38, agora respondem a 59 acusações envolvendo sete supostas vítimas, com fatos que remontam ao período entre 2010 e 2017.
A origem: da fuga da Romênia ao pouso em Washington
O caso não começou em Miami. Os dois irmãos, investigados havia anos na Romênia por tráfico sexual, deixaram o país europeu de jato particular no início do ano, aproveitando o afrouxamento de restrições de viagem impostas pela Justiça romena.
Na ocasião, atribuíram a Trump o mérito de se sentirem seguros ao voltar aos Estados Unidos, embora o próprio presidente tenha negado publicamente qualquer conhecimento prévio do caso.
Meses depois, uma reportagem da ProPublica, publicada por veículos como o Yahoo News, revelou que um funcionário da Casa Branca chegou a pressionar o Departamento de Segurança Interna (DHS) para devolver aos irmãos dispositivos eletrônicos apreendidos na chegada aos Estados Unidos — episódio que caso senadores democratas classificaram de interferência indevida em investigação federal.
Dias antes da prisão em Miami, a dupla ainda circulou por Washington, visitando o Capitólio e um clube privado próximo à Casa Branca, convidada por um empresário ligado ao círculo de Trump, segundo apurou a Ynet News com base no The Telegraph.
A prisão e a reação da base bolsonarista americana
A prisão, no entanto, pegou de surpresa até integrantes do primeiro escalão do governo Trump. Um funcionário americano familiarizado com as discussões internas afirmou ao The Telegraph que a Casa Branca não foi avisada com antecedência de que o Departamento de Justiça cumpriria o mandado britânico.
A fala reflete a frustração de parte da base política do presidente, que passou a tratar o caso Tate como evidência de um suposto tratamento desigual entre aliados e adversários do governo.
O advogado dos irmãos também classificou o processo como politicamente motivado. As autoridades britânicas, por sua vez, sustentam que o pedido de extradição soma as 21 acusações já autorizadas anteriormente a novas denúncias, depois que quatro vítimas adicionais foram identificadas.
A decisão de Trump de não bloquear a extradição — mesmo sob pressão do próprio entorno — sinaliza um limite ainda não testado da influência política sobre o sistema de Justiça americano: mesmo aliados com acesso direto à Casa Branca não conseguiram, neste caso, sobrepor um processo já em curso perante um juiz federal.
Qualquer transferência ainda depende de decisão judicial sobre a compatibilidade do pedido britânico com a lei americana e com o tratado de extradição entre os dois países, além do aval final do secretário de Estado dos Estados Unidos.
A repercussão também chegou às redes sociais brasileiras. A jornalista Lúcia Guimarães, correspondente radicada em Nova York, compartilhou a reportagem do The Telegraph em sua conta no X (antigo Twitter), comentando, em tom sucinto: “Não estou surpresa e acho que sei o motivo.”
FAQ rápido
Por que Andrew e Tristan Tate foram presos em Miami?
Por determinação de um mandado de extradição solicitado por autoridades britânicas, que os acusam de estupro, abuso sexual e tráfico humano.
Trump vai impedir a extradição?
Não, segundo o The Telegraph: o presidente decidiu deixar o processo judicial seguir seu curso normal, apesar da pressão de aliados.
Quando os irmãos podem ser enviados ao Reino Unido?
Ainda não há data definida. Um juiz federal americano precisa primeiro validar o pedido britânico, e a palavra final cabe ao secretário de Estado dos Estados Unidos.
Os irmãos Tate devem retornar à Justiça federal de Miami nos próximos dias para continuar a contestar a extradição. O Urbs Magna acompanha os próximos passos do processo.
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