Comitiva brasileira revela que presidente americano busca impor tarifas de 50% e interferir em questões judiciais, gerando tensão diplomática
Brasília, 29 de julho de 2025
A comitiva de senadores brasileiros que visita Washington revela uma preocupação grave: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condiciona qualquer acordo comercial com o Brasil a uma postura de humilhação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo os parlamentares, durante o primeiro dia de tentativas, Trump busca replicar com Lula o tratamento dado ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a quem chamou de “desrespeitoso” em um telefonema recente.
Essa postura foi percebida durante reuniões com autoridades americanas, onde ficou claro que Trump vê o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma “perseguição” e exige que Lula interfira no caso, algo que o governo brasileiro considera inaceitável por violar a soberania nacional.
A tensão diplomática escalou com o anúncio de Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, uma medida que vai além dos 15% a 20% aplicados a outros países.
Os senadores ouviram que essa sobretaxa reflete a insatisfação de Trump com a proximidade do Brasil com a China, potência rival dos EUA, informa o Valor Econômico.
No Palácio do Planalto, auxiliares de Lula classificaram Trump como “imprevisível” e defendem um diálogo preparado para evitar constrangimentos, como ocorreu com Zelensky e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, a quem Trump exibiu vídeos sem comprovação para atacar.
O Itamaraty, liderado pelo ministro Mauro Vieira, sinalizou disposição para negociar em Nova York ou Washington, mas sem ceder à pressão.
Lula, por sua vez, adotou um tom conciliador, mas firme, ao dizer que espera que Trump “reflita sobre a importância do Brasil” e negocie de forma civilizada, sem imposições.
Ele rejeitou qualquer interferência estrangeira em assuntos judiciais brasileiros, especialmente no caso de Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes como tentativa de golpe de Estado.
A comitiva de senadores, que inclui nomes de diferentes espectros políticos, busca apoio de parlamentares e empresários americanos para reabrir canais de diálogo, mas não há previsão de reuniões com a Casa Branca.
A proximidade com a China é vista como um trunfo brasileiro, já que, sem ela, o impacto das tarifas seria ainda mais devastador.
Apesar da gravidade, o governo brasileiro mantém a calma. A Embraer, maior empresa afetada, não demonstra desespero, segundo seu CEO, Francisco Gomes Neto.
A 72 horas da entrada em vigor das tarifas, o Brasil planeja medidas de contingência, como crédito subsidiado e compras públicas, para mitigar os impactos.
A pressão de Trump é vista como parte de uma estratégia de coerção política, mas senadores e o governo acreditam que o Brasil pode resistir sem ceder à humilhação.
A situação expõe um jogo de poder onde a soberania brasileira é testada, enquanto Lula reforça que o país buscará novos mercados e parcerias, como com os Brics, para manter sua autonomia.
O senador Jaques Wagner usou suas redes sociais para informar que “a resposta pode não ser imediata“, mas há a preocupação da comitiva de proteger a soberania brasileira.
Segundo o petista, os senadores buscam ouvir e criar diálogos com empresários e políticos, incluindo um contato com o ex-presidente Bush.
Wagner acrescenta que é essencial ter uma relação entre empresários e política, onde todos devem colaborar e se comprometer.
E que o desafio é falar com empresas americanas que podem se sentir ameaçadas.
MISSÃO EUA | A comitiva de senadores brasileiros segue aqui em #Washington, em diálogo com empresários e políticos americanos para reverter a sobretaxa de 50% imposta aos produtos brasileiros. A resposta pode não ser imediata, mas nós estamos abrindo as portas e intensificando o… pic.twitter.com/zTPhKLMZcG
— Jaques Wagner (@jaqueswagner) July 29, 2025








