📷 O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se prepara para falar com a imprensa após encerramento do G7 / Imagem reprodução Canal.Gov [digital remaster upscaling photo]
| Genebra (CH)
17 de junho de 2026
Donald Trump descreveu o Brasil como um país “um pouco complicado” e “politicamente perigoso” durante coletiva de imprensa na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.
A fala ocorreu nesta quarta-feira (17/jun), pouco depois de o presidente americano ter conversado brevemente com Luiz Inácio Lula da Silva.
“O país está um pouco barra pesada, sabe, politicamente. A situação está um pouco perigosa politicamente… Está desagradável. Ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr.. Ele estava indo bem nas pesquisas”, declarou Trump, segundo transcrição e relatos de agências internacionais.
O mandatário americano confundiu os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Referia-se à condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF, ocorrida na terça-feira (16/jun), por coação no curso do processo relacionado à trama golpista.
Eduardo Bolsonaro recebeu pena de quatro anos de prisão em regime semiaberto e oito anos de inelegibilidade.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato com bom desempenho em pesquisas, não foi preso.
Trump ainda completou: “Eles jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos.”
A declaração ocorre em momento de tensão nas relações bilaterais, marcado por tarifas americanas sobre produtos brasileiros e pela decisão dos EUA de classificar facções criminosas como terroristas — medida vista como interferência por parte do governo brasileiro.
Luiz Inácio Lula da Silva respondeu na mesma quarta-feira (17/jun), em coletiva na embaixada brasileira em Genebra, na Suíça.
O presidente rebateu com firmeza, defendendo o sistema eleitoral nacional e a soberania do país.
“Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, afirmou Lula, referindo-se ao conhecimento de Trump sobre o país.
O estadista corrigiu: “O Bolsonaro já está preso” — aludindo ao contexto legal de Jair Bolsonaro — e destacou a eficiência das eleições brasileiras.
“Não tem país no mundo que tem um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que duas horas após terminar as eleições a gente já sabe o resultado em 27 estados da federação, já sabe quem é o presidente eleito, quem são os governadores, quem são os senadores, quem são os deputados”, disse Lula.
Ele ironizou a crítica: “Se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele como ela funciona.”
Sobre interferência externa, Lula foi direto: “Não se metam nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil, como as eleições americanas é um problema deles. Não é um problema meu.”
O presidente brasileiro acrescentou que Trump pode manter suas preferências pessoais pela família Bolsonaro, mas deve respeitar a soberania nacional.
“Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania.”
Lula também cobrou cooperação dos EUA no combate ao crime organizado transnacional, mencionando que armas apreendidas pela Polícia Federal no Brasil frequentemente vêm de Miami e que há lavagem de dinheiro em Delaware.
A troca de farpas reforça a defesa brasileira da democracia e do sistema de votação eletrônica, amplamente auditável e reconhecido internacionalmente por sua rapidez e transparência — contrastando com críticas recorrentes ao modelo de Trump sobre eleições americanas.
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