Segundo o ator, que viveu 75 anos na terra do Tio Sam, mas se mudou para a Espanha antes da posse do republicano, “isso não está ocorrendo apenas nos EUA, está em todos os lugares“, disse, ao receber sua quarta honraria da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, no Centro de Conferências e Exposições de Granada, em Andaluzia, Espanha – ASSISTA E SAIBA MAIS
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Na noite de sábado (8/fev), o ator e produtor estadunidense Richard Gere, 75, participou da da 39ª cerimônia dos Prêmios Goya da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, no Centro de Conferências e Exposições de Granada, em Andaluzia, Espanha, “por sua extraordinária contribuição à arte do cinema, estrelando alguns dos filmes mais emblemáticos da história do cinema, e por seu compromisso social pessoal e profissional“.
Em transmissão feita pelas emissoras La 1 e RTVE Play, durante seu discurso na cerimônia em que recebeu a maior honraria do cinema espanhol para um cineasta internacional, o artista fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que foi o motivo da mudança de endereço do ator, esposa e filhos para a Espanha, desde dezembro de 2024.
“Esse tribalismo muito tolo está começando a tomar conta, onde achamos que somos todos separados uns dos outros. Infelizmente, temos autoridades eleitas que não nos inspiram da maneira que queremos ser inspirados”, disse Richard Gere, provocando a suspensão do ritmo normal das respirações de todos os presentes.
“Estou vindo de um lugar em que, agora, está muito sombrio na América. Onde temos um valentão e um bandido, que são o presidente dos Estados Unidos“, disse, dando uma pausa para permitir que a maioria aplaudisse.
Mas não isso não está ocorrendo apenas nos EUA, está em todos os lugares. Eu li uma carta realmente comovente no The New York Times, de um senhor na Hungria, e ele foi a pista escorregadia de como isso acontece em todos os lugares onde o autoritarismo nos domina. Temos que ficar vigilantes”, disse o ator ‘desertor’.
“Precisamos ser enérgicos, precisamos ser corajosos e destemidos, e todos estão observando isso no mundo hispanofalante e em outros lugares. Precisamos estar dispostos a nos levantar, dizer a verdade, ser honestos, e que há um lugar na vida de todos nós para a bondade básica, para o amor básico e compreensão, e um abraço uns dos outros.
“A América está passando por um momento sombrio, e chegou a hora de as pessoas se levantarem. Devemos estar vigilantes sobre esse casamento sombrio de dinheiro e poder. É irresponsável e corrosivo que haja milionários no comando dos Estados Unidos, um perigo para todo o planeta.”
“Os palhaços milionários que cercam Trump são imaturos e narcisistas, uma mistura mortal”, alertou Richard Gere. Este é um incentivo maravilhoso. Esses prêmios por conquistas ao longo da vida são sempre, eu acho, um pouco prematuros”, concluiu após afirmar que espera receber “muito mais“.
Assista a um trecho da fala de Richard Gere, em que a câmera enquadra, na plateia, o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez Pérez-Castejón.
RICHARD GERE recebeu seu 4º Prêmio Goya Internacional
Days of Heaven, An Officer and a Gentleman, American Gigolo, The Cotton Club, Pretty Woman e o musical Chicago, pelo qual ganhou o Globo de Ouro, são apenas alguns dos muitos títulos inextricavelmente ligados a Richard Gere, na memória e nas emoções dos espectadores ao redor do mundo nas últimas décadas.
O ator e produtor americano Richard Gere atua há cinco décadas e recebe o seu quarto Goya Internacional justamente no ano que marca o 50º aniversário de sua estreia nos cinemas. A honraria foi criada para reconhecer personalidades que contribuem para o cinema como arte que une culturas e espectadores de todo o planeta.
Gere nasceu na Filadélfia há 75 anos e cresceu em uma pequena cidade no norte do estado de Nova York. Sua filmografia do ator inclui Dias de Paraíso, Cônsul Honorário, Um Estranho no Ninho, À Procura do Sr. Goodbar, Hachi-ko, Negócio Sujo, Mr. Jones, O Primeiro Cavalheiro, O Dia do Chacal, Trapaça, Não Estou Lá, O Caso Wells, Amelia e Mestres do Brooklyn.
Julia Roberts, Kim Basinger, Jodie Foster, Winona Ryder, Susan Sarandon, Diane Keaton, Diane Lane e Uma Thurman foram algumas das co-estrelas de Gere, que em 2007 recebeu o Prêmio Donostia no Festival de Cinema de San Sebastián.
Há mais de 30 anos, ele fundou a Fundação Gere para canalizar seu intenso ativismo em prol da autonomia tibetana e da preservação da cultura tibetana defendida pelo Dalai Lama – Gere pratica o budismo desde os vinte anos de idade –; bem como seu apoio aos direitos dos povos indígenas, refugiados e moradores de rua.
Seu profundo comprometimento com essas causas cruza fronteiras e o levou a colaborar com, entre outras, as ONGs Survival International, Open Arms e Hogar Sí. O ator também é um forte defensor da proteção ambiental e, por meio de sua fundação, apoia um ambicioso projeto de conservação natural, Sierra a Mar, no México.
Richard Gere toca vários instrumentos e declarou que a pessoa que mais influenciou sua vida foi seu pai, que o inspirou para seu último filme, Oh, Canada.
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