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Trump diz que dinheiro do FMI para a Argentina só se Milei romper acordo com a China

    “Libertário” foi aos EUA tentar conseguir US$ 20 bilhões, mas voltou de mãos abanando – dinheiro busca fortalecer reservas e reestruturar dívida do país vizinho – situação econômica é de fragilidade crônica – SAIBA MAIS

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    Brasília, 5 de abril de 2025

    O presidente argentino, Javier Milei, busca negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter um empréstimo estimado em cerca de US$ 20 bilhões, com o objetivo de reestruturar a dívida existente e fortalecer as reservas do Banco Central da República Argentina (BCRA).

    Apesar de sua visita aos Estados Unidos em busca de apoio do presidente Donald Trump não ter rendido os resultados esperados, Milei segue firme em sua estratégia de estabilização econômica.

    Milei, que afirmou que jamais faria negócios com comunistas, teve que se render à sua fala infeliz e fez negócios com a República Popular, chegando a elogiar o povo: “Eles são fabulosos“. Mas agora Trump disse que o dinheiro do FMI só se o argentino romper um acordo com o país liderado por Xi Jinping.

    A Argentina, embora não esteja em colapso total, enfrenta uma situação financeira delicada, marcada por reservas líquidas baixas e vencimentos iminentes de uma dívida externa significativa.

    POR QUE MILEI QUER O EMPRÉSTIMO DO FMI?

    Milei tem como prioridade utilizar os recursos do FMI para três frentes principais: fortalecer as reservas do BCRA, reestruturar a dívida existente e pavimentar o caminho para a saída do cepo cambial, os rígidos controles de capital que limitam o acesso a dólares no país.

    Segundo dados recentes reportados pelo Buenos Aires Times, as reservas brutas do BCRA estavam em torno de US$ 26 bilhões em março de 2025, mas as reservas líquidas – descontados os compromissos – são significativamente menores, possivelmente negativas.

    O empréstimo seria usado para recomprar dívida interna do Tesouro com o BCRA, como as Letras Intransferíveis, melhorando o balanço do banco e aumentando a liquidez em dólares.

    A reestruturação da dívida é outro foco. A Argentina deve mais de US$ 41 bilhões ao FMI, herança de um empréstimo de US$ 44 bilhões negociado em 2018 sob o governo de Mauricio Macri.

    O novo financiamento, segundo o Bloomberg, substituiria parte dessa dívida, alongando prazos e aliviando a pressão imediata sobre as finanças públicas. Milei argumenta que isso não aumenta a dívida bruta, mas troca credores internos por externos.

    A eliminação do cepo cambial, uma promessa central de sua campanha, depende de reservas robustas para evitar uma corrida contra o peso. O FMI, conforme noticiado pela agência Reuters, vê o empréstimo como essencial para sustentar esse plano, mas pode exigir ajustes no regime cambial como contrapartida.

    CONTEXTO INTERNACIONAL: PRESSÃO DOS EUA E RELAÇÃO COM A CHINA

    A negociação com o FMI ocorre em meio a pressões geopolíticas. Segundo o South China Morning Post, os Estados Unidos, por meio de Mauricio Claver Carone, enviado especial de Trump para a América Latina, condicionaram o apoio ao empréstimo à suspensão de um acordo de swap cambial com a China.

    Esse mecanismo, essencial para acessar renminbi conversível em dólares, tem sido uma tábua de salvação para as reservas argentinas.

    A exigência reflete a prioridade de Washington em reduzir a influência chinesa na região, colocando Milei em uma encruzilhada entre seus aliados ideológicos nos EUA e a necessidade prática de divisas.

    Milei viajou aos EUA para se encontrar com Trump em Mar-a-Lago, buscando apoio político e financeiro, mas, voltou de mãos abanando. Apesar do fracasso, ele foi agraciado com o prêmio “Lion of Liberty” por sua agenda libertária, mas o foco permanece no aval dos EUA para o FMI.

    Javier Milei em 05/02/2025 | REUTERS – Agustin Marcarian

    Donald Trump | EFE/EPA/JIM LO SCALZO

    A ARGENTINA ESTÁ QUEBRADA?

    A situação econômica argentina não é de falência total, mas de fragilidade crônica. O país enfrenta vencimentos de US$ 47 bilhões em dívida externa entre 2025 e 2028, conforme estimativas citadas no texto inicial e corroboradas pelo Economist.

    Sem acesso fácil aos mercados internacionais, o empréstimo do FMI é visto como uma ponte para evitar um default. A economia está em recessão, com o PIB projetado para cair 2,8% em 2024 pelo FMI, resultado de cortes fiscais drásticos que reduziram o déficit em 5 pontos percentuais do PIB.

    Default financeiro é o não cumprimento de obrigações financeiras, como o pagamento de dívidas ou juros. É também conhecido como calote ou moratória.

    A inflação, no entanto, foi controlada: caiu de 25% ao mês em dezembro de 2023 para 2,7% em dezembro de 2024, segundo o Buenos Aires Herald. Apesar disso, o peso está sobrevalorizado no câmbio oficial, gerando pressões que o FMI pode explorar como condição para o desembolso.

    CRÍTICAS E PERSPECTIVAS

    Milei, que já chamou acordos anteriores com o FMI de “imorais”, agora defende que seu caso é diferente: o ajuste fiscal já foi feito, e o empréstimo visa “sanear” o BCRA, não financiar déficits.

    Opositores, como a ex-presidenta Cristina Kirchner, acusam-no de inconsistência e temem mais ajustes impostos pelo FMI, conforme destacado pelo argentino Página12, enquanto analistas do Economist elogiam os progressos de Milei, mas alertam que o sucesso depende de reformas adicionais e da gestão eficaz dos fundos.

    JOGO DE EQUILÍBRIO

    O empréstimo do FMI é uma aposta de Milei para ganhar fôlego financeiro, fortalecer reservas e avançar na liberalização econômica.

    A Argentina não está “quebrada” em termos absolutos, mas enfrenta uma crise de divisas e dívida que exige ajuda externa.

    O resultado dependerá das condições do FMI, ainda incertas, e da capacidade de Milei de navegar entre pressões internas e externas, incluindo a tensão EUA-China e a falta de apoio concreto de Trump.

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