Rede de intelectuais rebate com veemência acusações infundadas e denuncia cinismo que pode levar a colapso humanitário na ilha caribenha
Brasília (DF) · 30 de janeiro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na sexta-feira (30/jan) uma ordem executiva que classifica Cuba como uma “ameaça inusual e extraordinária” à segurança nacional e à política externa de seu país.
A medida, intitulada “Abordando as Ameaças do Governo de Cuba aos Estados Unidos“, autoriza a imposição de tarifas a nações que vendam ou forneçam petróleo à ilha, intensificando o bloqueio econômico já em vigor há décadas.
Essa ação confere poderes ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, para punir economicamente países soberanos com laços comerciais energéticos com Havana, invocando alegações desmentidas de apoio ao terrorismo e críticas às relações de Cuba com Rússia e China.
O capítulo cubano da Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais En Defensa da Humanidade (REDH) reagiu prontamente com um pronunciamento contundente, divulgado no mesmo dia.
No documento, a entidade qualifica as alegações de Trump como “falsidade e cinismo monumentaies”, argumentando que Cuba não representa risco algum aos Estados Unidos, mas sim que “Trump é uma ameaça para a vida”.
Essa declaração, publicada no site oficial da REDH-Cuba, contrasta as ações humanitárias da ilha – como o envio de médicos ao mundo – com as políticas agressivas de Washington, que incluem bombardeios e assédios internacionais.
A ordem executiva agrava um bloqueo que, segundo dados oficiais cubanos citados pela teleSUR, causou danos acumulados superiores a 170.677 milhões de dólares a preços correntes, com perdas de 1.600 milhões de dólares em apenas 60 dias – equivalente ao combustível necessário para a geração elétrica nacional ou a um ano de cesta básica familiar.
A REDH alerta que tal estrangulamento econômico visa pavimentar o caminho para uma incursão militar, questionando retoricamente: “Iremos aguardar passivamente um desfecho fatal? Iremos nós, como humanidade, testemunhar mais um espetáculo televisionado do extermínio de um povo inteiro?”.
Essa perspectiva de “extermínio televisado” é exclusiva do comunicado da rede, ecoando preocupações com violações ao direito internacional e aos direitos humanos.
Reações em Cuba foram de ira e angústia generalizadas, especialmente em Havana, onde cortes massivos de eletricidade já dificultam o dia a dia.
Conforme reportado pela Los Angeles Times, cidadãos como um entrevistado anônimo afirmaram que “Cuba representa uma ameaça para os cubanos, não para os Estados Unidos. Para os cubanos, o governo é que representa uma ameaça.”, destacando o impacto sobre famílias independentemente de orientação ideológica.
Já a Telemundo relata que Trump descreveu Cuba como uma “nação falida“, afirmando em entrevista que “parece que é algo que simplesmente não vai poder sobreviver”, o que intensifica temores de colapso infrastrutural em setores como saúde e transporte.
O pronunciamento da REDH também defende a solidariedade cubana com causas globais, como o apoio ao povo palestino e a condenação ao “genocídio sionista“, interpretando as sanções como punição à autonomia da ilha.
Em contexto mais amplo, o porta-voz chinês Guo Jiakun, conforme noticiado pela teleSUR, expressou apoio à soberania de Cuba e oposição a interferências estrangeiras.
A entidade conclui transmitindo confiança de que “Só o povo pode salvar o povo”, posicionando a luta como uma “batalha antifascista pela humanidada“.
Essa ofensiva reflete, segundo a REDH, que a administração Trump está “transbordando de ódio anticubano“. A entidade acusa as duas gestões do presidente de serem as que menos fizeram pelo povo cubano, priorizando a asfixia de crianças, idosos, jovens e mulheres na ilha.
Mais de 80% dos cubanos nasceram sob essas restrições, que violam princípios de autodeterminação e soberania.
Leia a íntegra da resposta da REDH:

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