Proposta do presidente dos EUA a países exige contribuições de US$ 1 bilhão por nação, o que críticos veem como uma abordagem mercantilista
Donald Trump convidou Lula para o Conselho de Paz em Gaza, parte de plano para reconstrução e governança pós-conflito. Brasil avalia objetivos, composição com líderes como Milei e Modi, e custos de US$ 1 bi para extensão. Convites a países como Índia, Egito e Turquia geram debates; Israel objeta. Resposta brasileira prevista para próxima semana, priorizando impactos diplomáticos.
Brasília (DF) · 19 de janeiro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o cenário global ao estender um convite formal ao Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar o recém-criado Conselho de Paz para a Faixa de Gaza.
A iniciativa, anunciada pela Casa Branca na sexta-feira (16/jan), faz parte de um ambicioso plano de 20 pontos para encerrar o conflito na região, com foco na desmilitarização, reconstrução e governança transitória.
O governo brasileiro, por meio do Palácio do Planalto e do Itamaraty, confirmou o recebimento da proposta via embaixada em Washington e iniciou análises detalhadas sobre seus objetivos, composição e implicações financeiras.
De acordo com a CNN Brasil, a resposta oficial de Lula deve ocorrer apenas na próxima semana, priorizando uma avaliação criteriosa para evitar precipitações.
A proposta chega em um momento de tensões elevadas, após mais de dois anos de confrontos entre Israel e o Hamas, que resultaram em devastação infraestrutural e perdas humanas estimadas em mais de 71 mil palestinos.
O conselho, presidido por Trump com poder de veto, visa coordenar esforços internacionais para restaurar serviços públicos, atrair investimentos e promover estabilidade, integrando uma estrutura tripartite: o Conselho Executivo Fundador para supervisão estratégica, o Comitê Nacional para Administração de Gaza (liderado pelo palestino Ali Sha’ath) para operações locais, e o Conselho Executivo de Gaza para aconselhamento regional.
A composição do órgão reflete uma mistura de influências políticas e econômicas. Membros confirmados incluem o secretário de Estado americano Marco Rubio, o negociador especial Steve Witkoff, o genro de Trump Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o bilionário americano Marc Rowan, o presidente do Banco Mundial Ajay Banga e o assessor de segurança Robert Gabriel.

No âmbito do Conselho Executivo de Gaza, destacam-se figuras como o ministro das Relações Exteriores turco Hakan Fidan, o diplomata qatari Ali Al-Thawadi, o general egípcio Hassan Rashad, a ministra emirati Reem Al-Hashimy e o bilionário israelense Yakir Gabay, além da coordenadora da ONU para Gaza, Sigrid Kaag.
O convite se estende a uma ampla gama de líderes mundiais, incluindo o primeiro-ministro albanês Edi Rama, o presidente argentino Javier Milei, o primeiro-ministro canadense Mark Carney, o presidente cipriota Nikos Christodoulides, o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o rei jordaniano Abdullah II, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, o presidente paraguaio Santiago Pena, o presidente romeno Nicusor Dan e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan.
Países como Hungria e Vietnã já aceitaram a participação, enquanto o Paquistão confirmou apoio a esforços internacionais pela paz, conforme declaração do Ministério das Relações Exteriores paquistanês à Times Of India.
No entanto, a proposta não está isenta de controvérsias. Uma minuta de carta obtida pela agência Reuters e detalhada pela Bloomberg revela que a extensão do mandato além de três anos exige contribuições de US$ 1 bilhão 👉🏼 1 (cerca de R$ 5,3 bilhões) por nação, o que críticos veem como uma abordagem mercantilista.
Israel expressou objeções à inclusão de Turquia e Catar, considerando-a desalinhada com suas políticas de segurança, conforme relatos da Firstpost. A ausência inicial de representantes palestinos diretos também gera críticas por potencial viés colonialista, ecoando preocupações históricas.
Para o Brasil, essa seria a segunda incursão significativa de Lula em negociações no Oriente Médio. Em 2010, durante seu segundo mandato, ele mediou um acordo nuclear com o Irã ao lado da Turquia, que envolvia a troca de combustível atômico para evitar sanções internacionais.
No entanto, a iniciativa foi rejeitada pelo governo de Barack Obama, que a considerou “não realista”, levando a frustrações diplomáticas registradas pelo ex-chanceler Celso Amorim em seu livro Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva, conforme detalhado pelo O Globo.
Auxiliares de Lula enfatizam a necessidade de clareza sobre metas e responsabilidades para mitigar riscos semelhantes.
Reações internacionais variam. Na Índia, o convite a Modi é visto como oportunidade para expandir influência regional, mas sem resposta oficial imediata, segundo a Times of India e a Firstpost.
A Rússia, via agência TASS, reportou o convite ao Brasil sem detalhes sobre aceitação. Já a Al Arabiya destacou a estrutura do conselho, notando a ênfase em mobilização de capitais e relações regionais, mas sem reações específicas dos convidados.
Essa proposta surge em um contexto de crise humanitária aguda na Gaza, com populações abrigadas em estruturas danificadas e expostas a condições climáticas adversas.
O conselho, endossado pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, busca transitar do conflito para o desenvolvimento, mas enfrenta desafios como a relutância do Hamas em desarmar e a composição da força de segurança internacional.
- A minuta do estatuto (draft charter) para o “Board of Peace” proposto pela administração Trump, obtida pela Reuters e inicialmente reportada pela Bloomberg, delineia uma estrutura para uma nova organização internacional focada em promover estabilidade e paz em áreas de conflito, começando por Gaza.
♦ De acordo com o documento, o conselho entraria em vigor assim que três Estados-membros concordassem com o estatuto.
♦ Trump atuaria como presidente inaugural vitalício, com poderes amplos, incluindo aprovar renovações de mandatos, convidar membros, aprovar agendas e decisões, designar um sucessor e remover membros (sujeito a veto por maioria de dois terços dos Estados-membros).
♦ Quanto aos termos de membresia, o estatuto estipula: “Cada Estado-Membro cumprirá um mandato não superior a três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, podendo ser renovado pelo Presidente.”
♦ No entanto, o estatuto prevê uma exceção expressa para contribuições financeiras substanciais. Conforme consta na minuta: “O prazo de três anos de membresia não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1.000.000.000 em fundos em dinheiro para o Board of Peace no primeiro ano após a entrada em vigor da Carta.”
♦ Essa cláusula permite que nações dispostas a aportar mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões, na cotação atual) em doações diretas em dinheiro durante o primeiro ano de vigência do estatuto obtenham membresia permanente, ficando isentas do limite ordinário de três anos de mandato.
♦ A disposição tem sido apontada por analistas e fontes diplomáticas como um dos elementos mais controversos do projeto, pois introduz um critério financeiro explícito para a permanência no conselho, o que críticos classificam como uma abordagem mercantilista e potencialmente excludente para países de menor capacidade orçamentária.
♦ As decisões seriam tomadas por voto majoritário (um voto por Estado-membro presente), mas sujeitas à aprovação do presidente.
♦ Reuniões de votação ocorreriam anualmente, com encontros adicionais conforme determinado pelo presidente, e reuniões não-votantes trimestrais com o conselho executivo.
♦ O conselho executivo inicial inclui figuras como o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, Jared Kushner e Tony Blair.
♦ Críticos veem a abordagem como uma tentativa de rivalizar com a ONU, e fontes indicam que o controle de Trump sobre os fundos é inaceitável para muitos potenciais membros.
♦ O documento foi enviado a cerca de 60 países, mas enfrenta oposição, inclusive de nações europeias e de Israel quanto à composição. ↩︎

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Os custos e indenizacoes DEVEM SER ATRIBUÍDOS à israel, pais agressor e genocida de Gaza.
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