Enquanto o conflito no Oriente Médio entra em sua fase mais crítica, denúncias revelam que oficiais das Forças Armadas dos Estados Unidos teriam instruído soldados a interpretarem os ataques como parte do plano divino para o fim dos tempos, gerando um terremoto interno nas fileiras militares e questionamentos sobre a influência religiosa nas decisões de comando
Brasília (DF) · 04 de março de 2026
De acordo com o Daily Mail, um dos jornais mais influentes e de maior circulação no Reino Unido, comandantes de unidades de combate teriam afirmado explicitamente que o presidente dos EUA, Donald Trump, foi “ungido por Jesus para acender a fogueira no Irã, que desencadearia o Armagedom e marcaria seu retorno à Terra”.
Oficiais teriam instado os subordinados a transmitirem às tropas que a operação era “toda parte do plano divino de Deus”, citando passagens do Livro do Apocalipse sobre o iminente retorno de Jesus Cristo.
As revelações partiram de uma queixa enviada à Military Religious Freedom Foundation [Fundação para a Liberdade Religiosa Militar] (MRFF) por um suboficial não identificado, representando outros 15 militares — 11 cristãos, um muçulmano, um judeu e dois ateus — em status de prontidão fora do teatro de operações.
O documento, obtido primeiro pelo jornalista independente Jonathan Larsen em seu Substack [plataforma online onde escritores, jornalistas e criadores de conteúdo criam newsletters pagas ou gratuitas, blogs e podcasts], detalha que os comentários “destroem o moral e a coesão da unidade e violam os juramentos que fizemos de defender a Constituição“.
O Daily Mail contextualiza o episódio no quinto dia da Operação Midnight Hammer, lançada por Trump após previsões de uma “mensagem de Deus”.
O ataque conjunto Estados Unidos-Israel eliminou o aiatolá Ali Khamenei no sábado anterior, desencadeando retaliações iranianas com mísseis e drones contra embaixadas e bases aliadas no Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Tropas a bordo dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, no mar Mediterrâneo Oriental, receberam ordens de prontidão, enquanto Pete Hegseth, secretário de Defesa e cristão renascido, realiza reuniões de oração mensais no Pentágono e estudos bíblicos semanais na Casa Branca.
O tom apocalíptico não se restringe ao campo de batalha. A conselheira espiritual de longa data de Trump, Paula White, há décadas incentiva cristãos a “apoiarem Israel“.
O pastor John Hagee declarou no domingo que a guerra sinaliza “Fim dos tempos”: “Profeticamente, estamos no momento certo. Sirenes estão soando e profecias escritas há milhares”.
Já o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, teria dito a Trump antes dos ataques: “Acredito que você ouvirá uma voz do céu, e essa voz é muito mais importante do que a minha ou a de qualquer outra pessoa. Você não buscou este momento. Este momento te buscou“.
A MRFF registrou inicialmente 110 queixas em mais de 40 unidades e 30 instalações. Um porta-voz da Casa Branca negou que os comandantes estivessem emitindo ordens baseadas em escrituras, insistindo que os objetivos são estritamente militares: destruir os mísseis, a indústria de munições e a marinha do Irã.
O Pentágono não respondeu aos pedidos de comentário.
Fontes independentes confirmam e ampliam o quadro sem repetições. O Military.com e o The Independent destacam que o incidente envolveu comandantes de alto escalão em briefings de prontidão de combate.
Já o TRT World e a agência Anadolu noticiaram que o MRFF recebeu relatos semelhantes de todas as armas das Forças Armadas — Exército, Marinha, Força Aérea, Fuzileiros Navais e Força Espacial.
Em desdobramentos exclusivos não citados no relatório inicial do Daily Mail, o fundador e presidente do MRFF, Michael L. Weinstein, veterano da Força Aérea e da Casa Branca de Reagan, declarou a veículos como Middle East Eye, HuffPost e MSNBC que as denúncias já superam 200 em mais de 50 instalações.
“Não se trata de um comandante isolado. Estamos inundados de relatos de oficiais jubilosos que veem o conflito como ‘bíblicamente sancionado’ e inevitavelmente sangrento para cumprir a escatologia do fim dos tempos”, afirmou Weinstein.
O Pentágono continua sem resposta direta às alegações religiosas, limitando-se a repetir os objetivos estratégicos definidos pelo secretário Pete Hegseth.
A controvérsia reacende o debate sobre a separação entre igreja e Estado nas Forças Armadas americanas em um momento de escalada no Oriente Médio, onde a Teerã ainda registra colunas de fumaça após os bombardeios próximos à Torre Azadi.
Publicações desta quarta-feira (4/mar) em fontes como Anadolu Agency e TRT World indicam que novas queixas continuam chegando ao MRFF.

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