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Trump impõe censura a matérias jornalísticas sobre Defesa, que agora devem ter aprovação do Pentágono

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    O presidente
    O presidente dos EUA, DONALD TRUMP, durante entrevista a um programa de TV / imagem reprodução | Ao fundo, o PENTAGONO, sede do Departamento de Defesa do país, localizado no condado de Arlington, Virgínia, à beira do rio Potomac, em Washington, D.C. / imagem Google Earth


    Quem desobedecer será impedido de entrar na sede do órgão para coletar informações – Medida impede trabalho de jornalistas da área



    Brasília, 20 de setembro de 2025

    O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na sexta-feira (19/set), novas restrições draconianas ao acesso de jornalistas ao Pentágono, exigindo que todas as reportagens sobre temas de defesa nacional sejam previamente aprovadas por autoridades do departamento.

    A medida, que entra em vigor nas próximas duas a três semanas, obriga repórteres a assinar um termo de compromisso no qual prometem não publicar ou obter informações – mesmo não classificadas – sem autorização oficial.

    Desobedecidos serão revogados os credenciais, impedindo a entrada na sede em Arlington, Virgínia, e paralisando o trabalho de setoristas especializados em assuntos militares.

    A diretriz, divulgada em um memorando de 17 páginas distribuído à imprensa, reforça que “informação do Departamento de Defesa deve ser aprovada para liberação pública por um oficial autorizado apropriado antes de ser divulgada, mesmo se for não classificada”.

    O documento, assinado pelo secretário de Defesa Pete Hegseth – ex-apresentador da Fox News e figura central na agenda de “combate a vazamentos” do governo –, amplia controles já em vigor desde maio, quando repórteres foram proibidos de circular livremente pelo edifício sem escolta oficial.

    Áreas como o terceiro andar, próximo aos escritórios do secretário, agora demandam permissão explícita, sob o pretexto de proteger a “segurança nacional e o bem-estar do pessoal do Departamento”.

    Essa escalada faz parte de um padrão de tensão entre a administração Trump e a mídia, intensificado desde a posse em janeiro.

    Hegseth, que assumiu o cargo prometendo uma postura mais “agressiva” contra o que chama de “sabotagem da imprensa hostil”, já removeu espaços de trabalho de veículos como The New York Times, Washington Post e CNN no Pentágono, substituindo-os por outlets alinhados, como Breitbart News e New York Post.

    Em junho, após um ataque militar a instalações iranianas, ele realizou apenas uma coletiva de imprensa, acusando jornalistas de espalhar “informações de funcionários descontentes”.

    Recentemente, coberturas sobre planos de guerra com a China e ataques a embarcações venezuelanas – que mataram 17 pessoas – expuseram contradições, como a divulgação acidental de estratégias classificadas em chats privados envolvendo Elon Musk.

    Fontes jornalísticas americanas, consultadas exclusivamente para esta reportagem, confirmam a veracidade e a gravidade da medida.

    O Político foi o primeiro a noticiar, neste sábado (20/set), destacando que o porta-voz Sean Parnell defendeu a iniciativa como necessária para evitar “riscos à segurança que colocam o pessoal em perigo”.

    Já o The New York Times, em edição também desta data, publicou o memorando integral, alertando para o impacto em “90 repórteres credenciados” e citando o histórico de Hegseth de hostilidade pública à imprensa.

    O Washington Post, no mesmo dia 19, descreveu as regras como um “crackdown inédito” que limita severamente a capacidade de reportar sobre gastos militares e decisões que afetam vidas americanas.

    A ABC News ecoou críticas de veteranos da cobertura pentagonal, como a ex-correspondente Barbara Starr, da CNN, que chamou a política de “extremamente preocupante” em um contexto de “hostilidade sem precedentes”.

    O NPR reportou hoje reações da Pentagon Press Association [organização que representa os interesses do corpo de imprensa que cobre as forças armadas dos EUA], que está revisando o documento e planeja ações legais, enquanto o editor-chefe Thomas Evans enfatizou o compromisso com a “Primeira Emenda e a transparência”.

    Outras vozes, como o presidente do National Press Club [a principal organização profissional de jornalistas do mundo], Mike Balsamo, alertaram que “se as notícias sobre nosso exército devem ser aprovadas pelo governo, o público não recebe mais reportagens independentes”.

    Legisladores republicanos como o senador Mike Lee, de Utah, e o deputado Greg Steube, da Flórida, propuseram leis para oficializar o nome, mas o foco agora é na erosão da liberdade de imprensa.

    O The Hill, também neste 20 de setembro, contextualizou a norma como parte de uma campanha anti-vazamentos, incluindo testes de polígrafo em funcionários do Departamento de Segurança Interna.

    Essa ofensiva ocorre em meio a outras polêmicas, como a rebatização do Departamento de Defesa para Departamento de Guerra em 5 de setembro, via ordem executiva de Trump, sem aprovação congressional inicial – uma mudança simbólica para enfatizar um “ethos de guerreiro”, segundo o presidente, mas criticada por historiadores como um retrocesso à era pós-Segunda Guerra Mundial.

    Para o Brasil e o mundo, essa dinâmica levanta preocupações sobre o fluxo de informações globais: decisões militares dos EUA – de sanções a conflitos no Caribe – afetam nações aliadas, e a mordaça no Pentágono pode obscurecer riscos compartilhados.

    A Pentagon Press Association [entidade que serve como a voz dos jornalistas que cobrem a cidadela das forças armadas dos EUA, o Pentágono] planeja uma reunião de emergência na próxima semana, sinalizando resistência.

    Enquanto isso, jornalistas como os da Reuters, que em maio já cobriram restrições iniciais, preveem um “novo normal” de vigilância, onde o sigilo oficial prevalece sobre o escrutínio público.

    O debate sobre os limites da transparência em tempos de tensão geopolítica nunca foi tão urgente.



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