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Trump confirma “bilhões” vindos da Venezuela e avisa: o Irã é o próximo

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Donald Trump a bordo do Air Force One

📷 O presidente dos EUA, Donald Trump, a bordo do Air Force One / Imagem reprodução |•| URBS MAGNA

RESUMO
URBS MAGNA

| Washington (US)
28 de julho de 2026

O presidente Donald Trump confirmou que os Estados Unidos já arrecadaram bilhões de dólares com a venda do petróleo venezuelano apreendido após o sequestro de Nicolás Maduro, e avisou que pretende repetir o modelo com o Irã.

A declaração, dada a bordo do Air Force One, reacende a pressão do Congresso americano por explicações sobre o destino desses recursos.

O que Trump disse, exatamente

Questionado por um repórter sobre estimativas de que os EUA teriam arrecadado mais de US$ 13 bilhões com a venda de petróleo venezuelano, Trump respondeu: “13 bilhões da Venezuela? Acho que até mais do que isso”, segundo transcrição publicada pela CNBC, enquanto viajava para Michigan para visitar uma fábrica da General Motors.

Ele completou dizendo que o dinheiro é usado para “administrar o país”, podendo inclusive ser direcionado às Forças Armadas, mas que qualquer uso depende de aprovação do Congresso.

Sobre o Irã, o presidente foi direto: “Isso também vai acontecer com o Irã. Pagamos pela guerra várias vezes”, disse, segundo apurou a The New Republic.

Questionado se ativos iranianos sob controle americano seriam usados para indenizar Teerã por danos a embarcações atingidas no Estreito de Ormuz, Trump foi taxativo: os recursos serão usados para que o Irã pague pelos próprios danos causados, não o contrário.

A origem do dinheiro: a operação militar de janeiro

O episódio remonta a 3 de janeiro de 2026, quando forças especiais americanas capturaram Nicolás Maduro em uma operação militar, encerrando seu governo na Venezuela.

Desde então, Washington assumiu o controle das exportações de petróleo do país, instalando a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina.

Em 9 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva determinando que a receita do petróleo fosse depositada em contas custodiais do Tesouro americano, sob justificativa de proteger os recursos de credores privados que buscam ressarcimento de dívidas venezuelanas antigas, segundo detalhou o Council on Foreign Relations.

A Fox News noticiou que Trump chegou a assinar uma segunda ordem executiva, batizada de “Salvaguardar a receita petrolífera venezuelana para o bem dos povos americano e venezuelano”, bloqueando qualquer tentativa judicial de apreender esses fundos, sob o argumento de que tal ação representaria uma ameaça à segurança nacional americana.

A cobrança do Congresso por transparência

A opacidade sobre o destino do dinheiro tem gerado reação bipartidária em Washington. O senador democrata Chuck Schumer, líder da minoria no Senado, e o senador Adam Schiff apresentaram o projeto Venezuela Oil Proceeds Transparency Act [Lei de Transparência dos Lucros do Petróleo da Venezuela], que obrigaria o Government Accountability Office (GAO) – agência federal independente e apartidária que atua como o braço investigativo do Congresso dos Estados Unidos – a auditar de forma independente o esquema de contas offshore usado pelo governo americano, segundo comunicado oficial do Senado dos Estados Unidos.

A senadora Elizabeth Warren foi além, afirmando não existir “nenhuma base legal” para que o presidente venda ativos apreendidos pelas Forças Armadas, conforme divulgou o Daily Beast.

Do lado democrata na Câmara, o deputado Joaquín Castro acusou a gestão Trump de praticar “graft” — termo em inglês para corrupção — com os recursos venezuelanos, segundo o Daily Beast.

O deputado Robert Garcia, principal integrante democrata do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, formalizou pedidos de esclarecimento aos departamentos de Estado, Energia e Tesouro, de acordo com nota publicada pelo próprio Comitê de Supervisão da Câmara.

A cobrança não partiu apenas de democratas: a deputada republicana María Elvira Salazar também defendeu, em audiência no Congresso, a divulgação integral do destino dos recursos.

A fala de Trump sobre o Irã é o dado mais relevante do episódio: ao tratar a apreensão de receitas de países sob controle militar americano como um modelo replicável, o presidente confirma publicamente uma lógica que a oposição no Congresso já vinha denunciando como opaca em relação à Venezuela — e sugere que o mesmo padrão de falta de transparência pode se repetir em uma nova frente.

O fato de a cobrança por explicações vir tanto de democratas quanto de uma republicana relevante indica que a questão já não se resume a uma disputa estritamente partidária em Washington.

FAQ Rápido

Quanto dinheiro os Estados Unidos já receberam da Venezuela?
Segundo o próprio Trump, mais de US$ 13 bilhões desde o rapto de Nicolás Maduro, em janeiro de 2026.

Por que o Congresso está pressionando por respostas?
Porque, do total arrecadado, apenas uma fração pequena — cerca de US$ 300 milhões a US$ 3 bilhões, segundo diferentes relatos — teria sido publicamente contabilizada como destinada de volta à Venezuela.

O que Trump quis dizer ao citar o Irã?
Que pretende aplicar ao Irã o mesmo modelo de apreensão e controle de receitas já usado com a Venezuela, incluindo o uso de fundos iranianos para cobrir custos que o próprio país teria causado aos Estados Unidos.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ainda não respondeu publicamente às novas cobranças do Congresso após a fala de Trump no Air Force One.



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