📷 O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na convenção do Partido dos Trabalhadores, no domingo (2/ago) quando foi lançado candidato do partido à reeleição ao Planalto |•| O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício |•| Imagens reprodução de vídeo |•| Arte URBS MAGNA
| Brasília (DF)
03 de agosto de 2026
A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu a 35% em pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (03/ago), a um ponto da mínima de todo o seu mandato.
O dado ganha relevância no Brasil porque coincide com acusações do governo Lula de que Trump tentaria influenciar as eleições presidenciais brasileiras de outubro em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O que mostra a pesquisa mais recente
Segundo a Reuters, a aprovação de Trump recuou de 37% para 35% em relação ao levantamento do mês anterior, com a pesquisa realizada entre quarta e segunda-feira, ouvindo 4.505 adultos americanos, margem de erro de dois pontos percentuais.
Pela primeira vez em quase uma década, os americanos passaram a considerar os democratas mais capazes de administrar a economia do que os republicanos — reflexo direto da insatisfação com o custo de vida e a alta dos preços de energia, agravada pela guerra no Irã.
O número de 63% de desaprovação citado com frequência nas redes é real, mas corresponde a uma pesquisa Reuters/Ipsos anterior, realizada entre 3 e 8 de junho, que já registrava exatamente 35% de aprovação e 63% de reprovação, segundo compilação da Forbes.
Ou seja: o índice de aprovação de 35% se repete na pesquisa mais recente, e a desaprovação, embora não divulgada em número fechado na rodada de agosto, segue em patamar historicamente alto para o mandato.
A disputa sobre uma possível interferência no Brasil
Enquanto a popularidade de Trump despenca dentro dos Estados Unidos, cresce no Brasil o debate sobre até que ponto ele estaria disposto a interferir na disputa presidencial brasileira.
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Lula afirmou acreditar que Trump e o secretário de Estado Marco Rubio já teriam demonstrado preferência pela candidatura de Flávio Bolsonaro.
Mesmo assim, o petista disse não temer o resultado das urnas: “Se ele quiser vir apoiar eleitoralmente, que venha”.
Do lado americano, porém, o cenário é menos definido do que sugere a acusação presidencial.
Uma fonte do governo dos Estados Unidos afirmou ao Estadão/Broadcast que Trump ainda não decidiu se fará um endosso público a qualquer candidato brasileiro, e que integrantes de seu entorno veem Flávio Bolsonaro como um aliado natural — o que reduziria, na avaliação dessa fonte, a necessidade de um gesto formal de apoio.
Essa leitura é reforçada até por aliados do próprio Flávio.
O empresário Paulo Figueiredo, próximo da pré-campanha, disse que o senador não busca uma declaração de apoio explícita, mas sim pressão diplomática em torno de temas como liberdade de expressão.
O próprio Flávio já havia negado publicamente ter pedido apoio eleitoral a Trump, alegando que já teria sofrido com suposta interferência internacional nas eleições de 2022.
O contraste entre a crise de popularidade de Trump nos Estados Unidos e a disposição de setores do bolsonarismo em seguir associando o nome dele à pré-campanha de Flávio é, no mínimo, um cálculo político arriscado: importar o capital simbólico de um presidente estrangeiro em baixa histórica de aprovação pode ter efeito reverso entre eleitores brasileiros mais moderados.
Há uma assimetria de estratégia: enquanto o governo brasileiro tende a nomear a relação como interferência, o próprio entorno de Trump parece preferir a ambiguidade — sem confirmar nem desmentir de forma definitiva o apoio.
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