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Trump ameaçada a luta global contra a Aids e provoca risco de crise sanitária mundial, diz Libération

    o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump 09.04.2025 | Por Nathan Howard/Reuters /// Capa do diário de opinião francês Libération 14.4.2025 | Imagem reprodução


    Cortes de financiamento dos EUA colocam milhões de vidas em perigo, mostra artigo da mídia francesa – ACESSE E SAIBA MAIS

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    PARIS, 15 de abril de 2025

    A administração de Donald Trump, ao assumir a presidência em janeiro de 2025, desencadeou uma onda de cortes orçamentais que colocam em risco décadas de avanços na luta contra o HIV/AIDS.

    Segundo o Libération,  jornal de opinião diário publicado em Paris, França, Trump assinou 46 decretos no dia da sua posse, incluindo a retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a suspensão, por 90 dias, de toda a ajuda internacional americana, nomeadamente através da USAID.

    Esta decisão ameaça diretamente o Plano de Emergência do Presidente para a Luta contra a Sida (PEPFAR), que fornece tratamentos antirretrovirais a milhões de pessoas em todo o mundo.

    Especialistas alertam que, sem este financiamento, cerca de 6,3 milhões de mortes adicionais por sida podem ocorrer até 2029.

    Os cortes não se limitam ao PEPFAR. O National Institutes of Health (NIH), principal financiador da investigação médica nos EUA, anunciou reduções drásticas nos seus programas, comprometendo a pesquisa sobre o HIV e outras doenças infeciosas.

    A suspensão de fundos para prevenção e acompanhamento social já provoca efeitos devastadores, especialmente na África, onde programas de apoio a populações vulneráveis foram interrompidos, destaca o diário fundado em 1973, com apoio de Jean-Paul Sartre, que foi seu primeiro editor.

    A incerteza sobre a continuidade do financiamento, mesmo com isenções temporárias para tratamentos, agrava a situação, com cadeias de abastecimento de medicamentos em risco de colapso.

    A decisão de Trump reflete uma mudança radical na política externa americana, priorizando interesses domésticos em detrimento da solidariedade global.

    A saída da OMS e a redução do papel da USAID, que historicamente liderou esforços contra epidemias, criam um vazio que outros países e organizações têm dificuldade em preencher.

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    O Libération, originalmente alinhado à extrema-esquerda, cita especialistas que temem uma insegurança sanitária mundial, com o potencial ressurgimento de epidemias controladas.

    O impacto é particularmente grave em regiões como a África Subsariana, onde o acesso a tratamentos e prevenção depende fortemente do apoio americano.

    Este cenário coloca pressão sobre a comunidade internacional para encontrar soluções urgentes. Enquanto o objetivo de erradicar a epidemia de HIV até 2030 parecia alcançável, os cortes ameaçam reverter progressos, aumentando infeções e mortes evitáveis.

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