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Trump ameaça Macron com taxas de 200% sobre champagne em retaliação à recusa em aderir ao ‘Board of Peace’ de Gaza

    Setores econômicos franceses expressaram alarme, prevendo perdas substanciais em um mercado onde os EUA representam o principal destino de exportações da bebida, ultrapassando 30 milhões de garrafas

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    Emmanuel Macron
    Emmanuel Macron, presidente da França, e Donald Trump, presidente dos EUA / Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters | Ao fundo, garrafas de champagne / Crédito: portal Politico
    RESUMO

    Donald Trump ameaça impor tarifa de 200% sobre champagne e vinhos franceses após Emmanuel Macron recusar adesão ao Board of Peace para Gaza. Declaração em Davos revela texto de Macron e reacende tensões comerciais. França rejeita intimidações, prevendo impactos econômicos. Trump reforça reciprocidade em post no X; Macron foca em outros temas. Outras reações incluem críticas a coerção.


    Washington, D.C. (US)/Paris (FR) · 20 de janeiro de 2026

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, flutuou a ideia de impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses como retaliação à recusa do presidente francês Emmanuel Macron em aderir ao recém-proposto Board of Peace, uma iniciativa americana voltada para resolver o conflito em Gaza.

    Essa ameaça, articulada durante declarações recentes em Davos, na Suíça, no contexto do Fórum Econômico Mundial, destaca a interseção entre diplomacia e economia, com potenciais repercussões para o setor vitivinícola francês e as relações bilaterais.

    A proposta do Board of Peace emergiu como uma tentativa de Trump de fomentar uma coalizão internacional para a paz no Oriente Médio, convidando líderes como Macron e até figuras controversas como o presidente bielorrusso Alexander Lukashenko.

    No entanto, Macron declinou o convite, uma decisão que provocou a resposta tarifária. “Vou impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champagnes dele e ele vai aderir“, declarou Trump, conforme reportado por Bloomberg, revelando inclusive uma mensagem de texto de Macron convidando-o para jantar em Paris na quinta-feira (22/jan).

    Essa revelação adiciona um tom pessoal à disputa, sugerindo uma mistura de diplomacia informal e pressão econômica. Do lado francês, as reações foram imediatas e firmes, com ênfase na rejeição a qualquer forma de intimidação.

    Um oficial próximo a Macron afirmou que tarifas punitivas são inaceitáveis, ecoando preocupações sobre a estabilidade das relações EUA-Europa. “As ameaças de tarifas são inaceitáveis”, destacou Macron em resposta a anúncios de tarifas progressivas, de 10% a partir de 1/fev e 25% a partir de 1/jun, sobre aliados da União Europeia, conforme citado por The Guardian, embora o foco em champagne amplifique o impacto simbólico para a França.

    Setores econômicos franceses, representados por associações como o Comité Champagne, expressaram alarme, prevendo perdas substanciais em um mercado onde os Estados Unidos representam o principal destino de exportações de champagne, ultrapassando 30 milhões de garrafas anualmente.

    Nas redes sociais, Trump não postou diretamente sobre a tarifa específica, mas reforçou sua doutrina de reciprocidade comercial em uma publicação do ano passado, feita em 17 de fevereiro de 2025 no X (antigo Twitter), afirmando:

    “Em relação ao Comércio, decidi, para fins de Justiça, que cobraria uma Tarifa RECÍPROCA, ou seja, o que quer que os Países cobrem dos Estados Unidos da América, nós cobraremos deles – Nem mais, nem menos!”

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    Portanto, a postura atual alinha-se com ameaças anteriores, como as de março de 2025, quando tarifas semelhantes foram ventiladas em retaliação a impostos europeus sobre produtos americanos como whiskey.

    Macron, por sua vez, manteve silêncio sobre o episódio no X, focando em postagens sobre agricultura e paz em Gaza e Ucrânia, como uma de 7/jan de 2026 sobre isenções de tarifas em fertilizantes: “Não haverá aumento no preço dos fertilizantes relacionado ao imposto sobre o carbono nas fronteiras”.

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    Outros políticos entraram no debate via redes. Nos Estados Unidos, republicanos como o orador da Câmara Mike Johnson não comentaram diretamente, mas o tom geral apoia a linha dura de Trump.

    Na França, figuras como o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe criticaram a abordagem como coercitiva, enquanto posts no X de usuários influentes, como o analista ucraniano Tymofiy Mylovanov, citaram Macron: “No intimidation or threats will influence us, whether in Ukraine, Greenland or anywhere else”, ligando a disputa a tensões mais amplas, incluindo a controvérsia sobre Groenlândia.

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    Essa escalada remete a confrontos passados, como em 2019, quando Trump ameaçou tarifas de 100% sobre champagne em resposta a impostos digitais franceses sobre gigantes tech americanas, conforme histórico de Politico.

    Analistas econômicos preveem volatilidade cambial, com o dólar enfraquecendo temporariamente, como observado por Bloomberg.

    Enquanto Trump usa tarifas como ferramenta diplomática, a França e a União Europeia sinalizam retaliações potenciais, ameaçando produtos como bourbon, o que poderia intensificar uma guerra comercial.

    Relatos recentes de The Washington Post indicam que o secretário do Tesouro americano afirmou que as relações EUA-Europa “nunca estiveram mais próximas“, apesar das ameaças.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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