Delcy Rodríguez recebeu ordem da Suprema Corte do país para assumir cargo, desde a polêmica operação militar dos Estados Unidos em Caracas

Washington, D.C., 04 de janeiro de 2026
O presidente Donald Trump advertiu a nova líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, de que ela enfrentaria um “preço muito maior” se não alinhar suas ações aos interesses americanos, logo após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar ousada em Caracas.
Essa declaração, proferida em 03/jan, sublinha a estratégia de Washington de moldar o destino venezuelano por meio de pressão econômica e ameaça de intervenções adicionais, enquanto Rodríguez navega entre lealdades chavistas e pragmatismo diplomático, em um desdobramento que ecoa as intrincadas dinâmicas da geopolítica hemisférica.
A ascensão de Delcy Rodríguez ao cargo interino decorre de uma diretriz da Suprema Corte de Justiça da Venezuela, que a instruiu a assumir as funções presidenciais na esteira da detenção de Maduro. Fontes do The New York Times revelam que, semanas antes da operação, autoridades americanas já haviam identificado Rodríguez como uma substituta viável, impressionadas por sua gestão na indústria petrolífera, crucial para o país.
Intermediários convenceram o governo Trump de que ela salvaguardaria investimentos futuros dos EUA no setor energético, posicionando-a como uma figura transitória com quem se poderia negociar de forma “muito mais profissional” do que com Maduro.
O sequestro de ocorreu em uma ação em larga escala que resultou em sua transferência para custódia em Nova Iorque, junto com sua esposa. Essa movimentação, anunciada por Trump, marca uma escalada sem precedentes, justificada por alegações de interrupção no fluxo de narcóticos, mas que se expande para reivindicações de “administrar” a Venezuela por tempo indeterminado e recuperar ativos petrolíferos americanos.
Trump enfatizou que Rodríguez deve cooperar ou arriscar consequências graves, ecoando uma postura que mescla expansionismo unilateral com argumentos contestados sobre segurança regional, conforme a Fox News.
As motivações para a intervenção radicaram na percepção de que Maduro desdenhava das ameaças americanas. De acordo com relatos do The New York Times, suas aparições públicas, incluindo uma dança ao som de batida eletrônica na TV estatal enquanto repetia “No crazy war” em inglês, foram vistas como provocação, somadas à recusa de exílio na Turquia.
Isso precipitou a decisão da Casa Branca de executar as ameaças, optando por Rodríguez em detrimento da opositora María Corina Machado, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2025, sob a alegada “campanha vitoriosa” em 2024.
Trump criticou Machado por faltar “respeito” necessário para governar, uma visão que contrasta com o apoio relutante a Rodríguez, descrita como uma solucionadora econômica que transicionou a Venezuela de um socialismo corrompido para um capitalismo laissez-faire igualmente controverso.
O secretário de Estado Marco Rubio, em entrevista ao programa Face the Nation da CBS News, neste domingo (04/jan), reforçou que os EUA julgarão o governo interino por ações concretas: “Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem”.
Ele alertou que, se decisões erradas forem tomadas, ferramentas de pressão permanecerão ativas, incluindo sanções às exportações de petróleo, que altos funcionários americanos indicaram que persistirão inicialmente para manter alavancagem.
Apesar da aposta em uma chavista como Rodríguez, sua lealdade a Maduro persiste publicamente. Em pronunciamento televisivo no sábado (03/jan), ela acusou os EUA de “invasão ilegal” e afirmou que Maduro permanece o “líder legítimo”, uma postura que, segundo fontes próximas ao governo citadas pelo The New York Times, serve como estratégia para apaziguar forças armadas e paramilitares atordoados pela humilhação militar.
No entanto, sua trajetória — filha de um guerrilheiro marxista, educada na França em direito trabalhista, e ascendente sob Hugo Chávez com auxílio de seu irmão Jorge Rodríguez — lhe confere credenciais de estabilizadora econômica, tendo elevado a produção petrolífera apesar de sanções.
O jornal Washington Post destacou sua emergência como líder surpresa, construindo pontes com elites econômicas e investidores estrangeiros, apresentando-se como tecnocrata em contraste ao círculo interno de Maduro.
Analistas como o ex-parlamentar Juan Francisco García, que rompeu com o chavismo, veem potencial em Rodríguez como ponte para transição democrática, citando precedentes históricos onde figuras ligadas a regimes autoritários facilitaram estabilização.
Contudo, contradições abundam: enquanto Trump a empossou simbolicamente, a TV estatal ainda a rotula como vice-presidente, ilustrando o abismo ideológico que ela deve transpor.
Essa conjuntura reflete não apenas uma reconfiguração do poder na Venezuela, mas uma asserção de influência americana sobre recursos estratégicos, com implicações para a estabilidade regional.
Líderes da indústria venezuelana expressam otimismo cauteloso, dependendo do relaxamento de sanções para reanimar a economia, enquanto Washington reserva o direito a medidas adicionais se Rodríguez não “jogar conforme as regras”.

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
