Grupo ultraleal ao republicano do Departamento de Estado ameaça consequências ao STF e ao governo brasileiro em defesa do ex-presidente e do comércio americano
Brasília, 14 de julho de 2025
O subsecretario interino para assuntos públicos do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie, postou na rede social X, no início da noite desta segunda-feira (14/jul), uma mensagem para lembrar a Carta do presidente Donald Trump enviada ao Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O “Alto Funcionário para Diplomacia Pública” afirma que “estaremos observando atentamente” os “ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio americano“.
Beattie disse ainda que as “consequências” são “há muito esperadas à Suprema Corte de Moraes e ao governo Lula”. E completa afirmando que “tais ataques são uma vergonha e estão muito abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil“.
“As declarações do presidente Trump são claras“, enfatiza Beattie.
Ele foi o redator de discursos de Trump em seu primeiro mandato e que deixou o cargo em 2018 por suspeita de laços com supremacistas brancos.
Quando Bettie foi escolhido para ocupar o Gabinete do Subsecretário de Diplomacia Pública, até republicanos se surpreenderam.
Um artigo do Valor Econômico sob a manchete “Irmandade ultraleal a Trump se apossa de cargos-chave do Departamento de Estado” detalha a ascensão de um grupo conhecido como “Irmandade da América Primeiro” (America First Brotherhood) que, formado por ex-funcionários e aliados próximos de Donald Trump, está assumindo posições estratégicas no Departamento de Estado dos Estados Unidos, influenciando a política externa do país.
A Irmandade da América Primeiro é descrita como um grupo coeso de ex-funcionários do governo Trump, incluindo nomes como Mike Pompeo (ex-secretário de Estado), Robert O’Brien (ex-conselheiro de Segurança Nacional) e outros aliados leais.
O objetivo principal é consolidar uma visão nacionalista e isolacionista, alinhada à doutrina “América Primeiro” de Trump, na condução da política externa americana. O grupo trabalha para garantir que cargos-chave no Departamento de Estado sejam ocupados por indivíduos que compartilhem essa ideologia, priorizando lealdade a Trump e sua agenda.
A Irmandade tem exercido influência expressiva nas nomeações para cargos importantes no Departamento de Estado, incluindo embaixadores, subsecretários e outros postos de alto escalão. Essas nomeações são vistas como estratégicas para assegurar que a política externa americana reflita as prioridades de Trump, como a redução de compromissos multilaterais, o fortalecimento de alianças bilaterais com países alinhados ideologicamente e uma postura mais dura contra adversários como China e Irã.
Ex-secretário de Estado e figura proeminente, Mike Pompeo é apontado como um dos líderes informais da Irmandade. Ele tem atuado nos bastidores para promover aliados e moldar a agenda do Departamento de Estado.
O ex-conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, também desempenha um papel central na articulação de nomeações e na defesa de políticas nacionalistas. Outros membros incluem ex-assessores de Trump e figuras do movimento conservador que mantêm laços estreitos com o ex-presidente.
A ascensão da Irmandade tem gerado críticas de diplomatas de carreira, analistas e opositores políticos, que temem que a lealdade a Trump esteja sendo priorizada em detrimento de qualificações técnicas e experiência diplomática. Há preocupações de que a abordagem agressiva e ideológica do grupo possa minar a credibilidade dos EUA no cenário global, especialmente em negociações delicadas, como as relacionadas ao acordo nuclear com o Irã ou à contenção da China.
Críticos também apontam que a Irmandade promove uma visão de mundo que rejeita instituições multilaterais, como a ONU, e acordos internacionais, o que pode isolar os EUA diplomaticamente.
O artigo do Valor Econômico destaca que a influência da Irmandade reflete o controle contínuo de Trump sobre o Partido Republicano, mesmo após deixar a presidência. A nomeação de aliados em cargos estratégicos é vista como uma tentativa de consolidar uma base de poder para uma possível nova candidatura de Trump ou para garantir que sua visão política perdure no governo.
A presença da Irmandade no Departamento de Estado pode levar a uma política externa mais confrontacional, com ênfase em interesses americanos estreitos, como segurança energética, protecionismo econômico e pressão sobre adversários geopolíticos. Há receios de que a diplomacia americana perca flexibilidade e capacidade de construir coalizões internacionais, especialmente em questões globais como mudanças climáticas e saúde pública.
A ascensão da Irmandade da América Primeiro no Departamento de Estado representa uma mudança expressiva na condução da política externa dos EUA, com implicações de longo alcance para a posição do país no cenário global. A priorização de lealdade ideológica sobre expertise levanta debates sobre a eficácia e os riscos dessa abordagem em um momento de tensões geopolíticas crescentes.








