📷 O presidente dos EUA, Donald Trump, supostamente dormindo durante reunião na Casa Branca |2.12.2025| Foto: Brian Snyder / Reuters | Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã / Foto: Denis Balibouse / Reuters
| Teerã (IR) / Washington (US)
14 de junho de 2026
IRÃ 14.6.2026
O vídeo acima é uma declaração oficial do Irã anunciando um acordo de paz com os Estados Unidos, que pôs fim a mais de três meses de guerra na região do Oriente Médio.
A fala, feita pelo Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, detalha os dois principais pontos do acordo, que foram confirmados, neste domingo (14/jun), após negociações mediadas pelo Paquistão:
Cessar-fogo imediato e permanente:
O acordo determinou o fim de todas as operações militares em todas as frentes, incluindo o conflito paralelo no Líbano, onde Israel combatia o Hezbollah, aliado do Irã.
Fim do bloqueio naval:
Os EUA concordaram em retirar imediatamente o bloqueio naval que haviam imposto ao Irã no Estreito de Ormuz. Em contrapartida, o Irã permitiu a reabertura do estreito para a passagem de navios petroleiros.
A assinatura oficial do Memorando de Entendimento (MoU) estava marcada para 19 de junho de 2026, na Suíça.
CONTEXTO DO CONFLITO
A guerra havia começado em fevereiro de 2026 com ataques de EUA e Israel ao Irã, que retaliou contra Israel e aliados na região.
Como parte de sua estratégia, o Irã bloqueou virtualmente o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o petróleo global, levando os EUA a imporem o bloqueio naval.
As negociações foram tensas e quase foram prejudicadas por um ataque de Israel a Beirute no mesmo dia do anúncio, o que irritou o presidente dos EUA, Donald Trump.
O acordo foi visto como um momento crucial para a segurança do Oriente Médio e para a economia global.
DONALD TRUMP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que um acordo foi alcançado com o Irã.
O entendimento prevê a reabertura do Estreito de Hormuz ao tráfego marítimo internacional e o imediato fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos.
medida encerra, ao menos temporariamente, um conflito que se estendeu por meses e envolveu operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos.
ABBAS ARAGHCHI
A reação oficial em Teerã foi de celebração. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou em rede de televisão estatal: “Somos o vencedor deste campo de batalha. A República Islâmica do Irã emergiu como vitoriosa. O povo iraniano alcançou a vitória.”
Fontes iranianas e aliados regionais descreveram o resultado como triunfo do regime, que manteve sua estrutura de poder intacta após as hostilidades.
Veículos de comunicação norte-americanos com linha editorial democrática registraram o movimento com reservas.
Reportagens da CNN destacam que Trump ordenou a suspensão de novos ataques e a retirada do bloqueio naval após avanços nas negociações mediadas pelo Paquistão.
Análises publicadas no The New Yorker apontam que qualquer acordo plausível com o atual governo iraniano reforça os setores mais duros do regime, que demonstraram capacidade de pressionar a economia global ao restringir o fluxo pelo Estreito de Hormuz.
O The New York Times registrou amplo descontentamento em Israel. Veículos israelenses, como o Yediot Aharonot, resumiram a percepção local em duas palavras: “Bad Deal”.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta críticas internas por aceitar termos que não atendem integralmente às exigências de segurança declaradas por seu governo.
Analistas citados pelo jornal observam que a insatisfação atravessa o espectro político israelense.
O “PREJU” CAUSADO POR TRUMP
Estimativas divulgadas pelo Pentágono e repercutidas em reportagens da Al Jazeera e outras fontes indicam que os gastos militares diretos dos Estados Unidos com as operações superam US$ 25 bilhões até o momento.
Danos a bases americanas na região do Golfo Pérsico, causados por ataques iranianos, foram avaliados em centenas de milhões de dólares, com relatos de estruturas e equipamentos afetados em instalações nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita.
O acordo ainda depende de formalização.
Trump indicou que o memorando de entendimento entrará em vigor na sexta-feira seguinte à assinatura, com cerimônia prevista na Suíça.
Questões centrais, como o programa nuclear iraniano e eventuais alívios adicionais de sanções, permanecem para negociações posteriores em até 60 dias.
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PARA ENTENDER O ACORDO EUA/IRÃ
O acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã não é ainda um tratado de paz definitivo, mas sim um memorando de entendimento (MOU) que amplia o cessar-fogo e estabelece as bases para negociações mais amplas nos próximos 60 dias, segundo a Reuters.
O que foi acordado exatamente?
1. Fim das operações militares
Os dois países concordaram em encerrar as ações militares diretas e manter um cessar-fogo ampliado por 60 dias. O texto também prevê o fim das hostilidades em outras frentes relacionadas ao conflito, incluindo o Líbano.
2. Reabertura do Estreito de Ormuz
O Irã concordou em reabrir o Estreito de Ormuz para o tráfego comercial internacional. Esse ponto é crucial porque cerca de 20% do petróleo transportado por navios no mundo passa por essa rota marítima. O fechamento parcial do estreito durante a guerra provocou forte alta dos preços do petróleo, e acordo com a Axios.
3. Fim do bloqueio naval americano
Os Estados Unidos concordaram em suspender o bloqueio naval imposto aos portos iranianos durante a guerra, diz Reuters.
4. Sanções
Segundo autoridades iranianas, o texto prevê: congelamento de novas sanções; flexibilização das sanções sobre exportação de petróleo; negociações para remoção gradual de sanções americanas e da ONU.
5. Ativos iranianos congelados
Os EUA concordariam em liberar aproximadamente US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior.
6. Programa nuclear
O Irã compromete-se a: não desenvolver armas nucleares; congelar temporariamente o avanço de seu programa nuclear; negociar o destino do urânio enriquecido já produzido; discutir futuras inspeções e limitações nucleares.
7. Plano econômico para o Irã
Uma versão divulgada do texto menciona a criação de um programa internacional de reconstrução e desenvolvimento econômico para o Irã, podendo chegar a centenas de bilhões de dólares em investimentos ao longo dos próximos anos, segundo o Fortune.
OS EUA TERÃO QUE PAGAR INDENIZAÇÃO PELOS DANOS DA GUERRA?
A resposta é: possivelmente, mas isso ainda não está definido. Este é um dos pontos mais controversos.
O que o Irã exige?
O governo iraniano insiste que o acordo deve incluir: compensação pelos danos causados por ataques americanos e israelenses; reparação pela destruição de infraestrutura; indenização por perdas econômicas, segundo o The Washington Post.
Autoridades iranianas afirmam que os prejuízos totais chegariam a cerca de US$ 270 bilhões entre danos diretos e indireto, de acordo com o Conselho de Relações Exteriores.
O que os EUA aceitaram?
Até agora não há confirmação pública de que Washington tenha concordado em pagar indenizações diretas em dinheiro. Porém surgiram três versões diferentes:
Versão iraniana
A mídia estatal iraniana afirma que o texto inclui um mecanismo para compensação dos danos de guerra e que garantias internacionais já teriam sido obtidas para viabilizar esses pagamentos, disse a CBS News.
Versão americana
As informações divulgadas por Washington enfatizam: liberação dos US$ 25 bilhões congelados; alívio de sanções; ajuda econômica futura; mas não falam explicitamente em indenizações de guerra, segundo a Reuters.
Avaliação dos especialistas
Diversos analistas acreditam que o compromisso final poderá ser uma solução intermediária: liberação de ativos congelados; suspensão de sanções; investimentos internacionais; programas de reconstrução; em vez de um pagamento formal de “reparações de guerra”, segundo o Conselho de Relações Exteriores.
Então quem venceu?
Politicamente, ambos tentam vender o acordo como vitória:
EUA – conseguiram reabrir Ormuz; obtiveram limitações ao programa nuclear; encerraram uma guerra custosa, segundo a Axios.
Irã – mantém seu governo intacto; obtém acesso a bilhões de dólares congelados; consegue negociação sobre sanções; não aceitou rendição militar formal.
O ponto mais importante é que a questão da indenização ainda não está totalmente resolvida. O texto preliminar indica que o tema será discutido durante os 60 dias de negociações seguintes à assinatura do memorando.
Portanto, neste momento, não se pode afirmar que os EUA pagarão reparações diretas, mas o Irã continua exigindo alguma forma de compensação econômica, disse o The Washington Post.
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