Relato oficial venezuelano detalha vítimas de bombardeio dos EUA em área costeira próxima a Caracas, com impacto em populações locais e infraestrutura residencial; países latinos protestam durante todo o sábado (3/jan)
Caracas · 04 de janeiro de 2026
Um oficial sênior da Venezuela confirmou que pelo menos 40 pessoas perderam a vida durante um ataque militar liderado pelos Estados Unidos no início de sábado (3/jan). As vítimas incluem tanto pessoal militar quanto civis inocentes, destacando as consequências humanas de uma operação que visava capturar o presidente Nicolás Maduro.
De acordo com relatos preliminares divulgados por uma fonte anônima do governo venezuelano ao The New York Times, as mortes ocorreram em meio a uma série de ações coordenadas, incluindo ataques aéreos. “Entre os mortos estavam civis e militares”, relatou o oficial, que falou sob condição de anonimato para discutir informações iniciais.
Essa declaração ecoa a gravidade da incursão, que marcou uma escalada dramática na postura agressiva da administração Donald Trump em relação à nação sul-americana. Um dos incidentes mais chocantes envolveu um bombardeio aéreo em Catia La Mar, uma área costeira de baixa renda a oeste do aeroporto de Caracas.
Ali, um prédio residencial de três andares foi atingido, resultando na morte de Rosa González, uma idosa de 80 anos, e ferimentos graves em outra pessoa. Familiares de González descreveram o momento: “O ataque matou Rosa González, de 80 anos, segundo sua família, e feriu gravemente uma segunda pessoa”, publicou o The New York TImes.
Wilman González, sobrinho da vítima, sofreu ferimentos no rosto, necessitando de três pontos, e expressou desespero ao perder sua casa. “Questionado sobre para onde iria agora que havia perdido sua casa, ele respondeu simplesmente: “Não sei”, escreveu o jornal novaiorquino sobre o relato feito enquanto resgatava pertences dos escombros, incluindo móveis e um guarda-chuva antigo.
Vizinhos na região, como um homem de 70 anos chamado Jorge e outro identificado apenas como Javier, relataram perdas totais e expressaram raiva. Javier atribuiu o ataque à cobiça por recursos naturais, referindo-se à intenção declarada da administração Trump de permitir que empresas americanas controlem os campos de petróleo da Venezuela.
“A vida de pessoas como ele [Trump]não significava nada“, disse ele. Equipes de investigação governamental estavam no local à tarde, coletando evidências como projéteis e entrevistando testemunhas.
Do lado americano, o presidente Trump, em entrevista à Fox News, afirmou que nenhum soldado dos EUA foi morto, embora tenha sugerido ferimentos entre as tropas. O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, detalhou em uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago que helicópteros americanos enfrentaram fogo inimigo durante a extração de Maduro e sua esposa. “Um helicóptero foi atingido, mas “permaneceu em condições de voo”, e todas as aeronaves americanas “retornaram à base”, explicou Caine.
Essa operação surge em um contexto de meses de tensão, com os EUA posicionando uma força naval significativa no Caribe, incluindo um porta-aviões, sete navios de guerra, dezenas de aeronaves e 15 mil tropas. Inicialmente justificada como combate ao narcotráfico, a ação evoluiu para uma invasão em larga escala.
Críticos apontam para a falta de aprovação congressional, violando leis americanas, e questionam a justificativa de combater “narco-terroristas”, dado que a Venezuela não é uma fonte primária de drogas como fentanil nos EUA.
A estratégia de segurança nacional de Trump, que reafirma a Doutrina Monroe com um “Corolário de Trump 1”, visa reestabelecer a dominância americana no hemisfério ocidental, incluindo o uso de força letal contra migrantes e traficantes.
- O termo “Corolário de Trump” refere-se a uma atualização proposta da Doutrina Monroe, uma política externa dos EUA do século XIX, que reafirma a preeminência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental e busca negar a influência de potências não hemisféricas, como China e Rússia, na região.
Fundamento na Doutrina Monroe: A Doutrina Monroe original (1823) advertia as potências europeias a não intervirem ou colonizarem as Américas. O “Corolário de Trump” baseia-se nesse princípio, mas o expande para o contexto geopolítico atual, focado em rivalidades de grandes potências e ameaças transnacionais.
Controle e Influência: A essência do corolário é que os EUA devem manter o controle político, econômico e militar sobre o hemisfério. A Estratégia de Segurança Nacional (ESN) de 2025, do segundo governo Trump, declara explicitamente que os EUA “reafirmarão e farão cumprir” essa política para proteger o acesso a geografias-chave e recursos (como minerais e energia).
Direito de Intervenção: Semelhante ao Corolário de Roosevelt (1904), o Corolário de Trump sugere um direito de intervenção dos EUA, ou “poder de polícia internacional”, quando os governos locais falham em controlar ameaças consideradas hostis aos EUA, como o tráfico de drogas, a migração em massa e a presença de atores externos. Foco na América Latina: A estratégia prioriza a segurança do Hemisfério Ocidental acima de outras regiões, como o Oriente Médio ou a Ásia, e enquadra as atividades na América Latina, como as operações navais no Caribe ou a pressão sobre a Venezuela, como parte da aplicação do corolário.
Em resumo, o “Corolário de Trump” é uma política externa agressiva que visa restaurar a primazia americana no seu “quintal” hemisférico, usando meios militares e econômicos para combater o que a administração considera ameaças à segurança interna e à influência global dos EUA. ↩︎
No entanto, históricos intervenções dos EUA em países como Afeganistão, Líbia, Iraque, Chile, Cuba, Guatemala e Nicarágua servem como alerta: tentativas de derrubar regimes, mesmo repressivos como o de Maduro, frequentemente levam a instabilidade maior.
Maduro, acusado de roubar as eleições de 2024 e de violações de direitos humanos documentadas pela Organização das Nações Unidas – incluindo assassinatos, tortura e detenções arbitrárias –, tem sido um foco de condenação internacional. Sua governança contribuiu para um êxodo de quase oito milhões de migrantes, desestabilizando a região.
Ainda assim, a intervenção militar levanta preocupações éticas e legais, potencialmente exacerbando uma crise humanitária. Investigações independentes e relatos de campo continuam a emergir, pintando um quadro de devastação em áreas civis. Enquanto o mundo observa, as repercussões diplomáticas e humanitárias dessa ação prometem moldar o futuro das relações entre EUA e América Latina.
AMÉRICA LATINA REAGE
Danos em alvos estratégicos
A base militar La Carlota, em Caracas, foi um dos principais alvos da ofensiva, sofrendo danos consideráveis após o impacto de, pelo menos, três mísseis em seus arredores. O governo venezuelano qualificou a ação como uma estratégia imperialista para desestabilizar a região, atentar contra a soberania nacional e impor uma mudança de governo que favoreça os interesses de Washington.
Cuba denuncia “Terrorismo de Estado”
Em Havana, uma jornada de reafirmação patriótica e solidariedade reuniu parlamentares, jovens e movimentos sociais na Tribuna Anti-imperialista, segundo informações de Isabel Díaz, da TeleSUR. A nação cubana condenou veementemente os ataques, classificando-os como um “ato de terrorismo de Estado” e um assalto criminoso contra a soberania da América Latina.
A Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba emitiu uma declaração instando parlamentares de todo o mundo a não silenciarem diante da violação do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.
Durante o ato, estudantes da Federação Estudantil Universitária (FEU) e cidadãos reafirmaram seu apoio ao povo venezuelano, invocando o legado de Fidel Castro ao declarar disposição de solidariedade total à Revolução Bolivariana. O chamado urgente das vozes em Havana é para que os povos da “Nossa América” cerrem fileiras contra a impunidade do governo estadunidense.
Mobilização e denúncias na Bolívia
A indignação estendeu-se a La Paz, onde dezenas de pessoas se mobilizaram em frente à embaixada dos Estados Unidos para protestar contra a intervenção, reportou Freddy Morales, da TeleSUR. Manifestantes bolivianos denunciaram que, além dos bombardeios, a ação militar — atribuída à administração de Donald Trump — incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Os movimentos sociais na Bolívia alertaram que a ofensiva visa o controle de recursos estratégicos, especialmente o petróleo venezuelano, e representa uma ameaça direta a outras nações soberanas como Bolívia, Colômbia e México.
“Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro país“, alertaram lideranças durante o comício, que seguiu em marcha pelo centro da cidade exigindo a libertação imediata de Maduro e o fim da agressão militar.
Enquanto organizações populares demandam o cessar das hostilidades, a segurança na capital boliviana foi reforçada em meio aos protestos que repudiam a tentativa de reinserção do poder imperialista na América Latina.

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O ditador americano, ao invadir a Venezuela e capturar seu presidente, violou os direitos internacionais, violou a carta da ONU, violou a suberania da América do Sul. Estou esperando a resposta do mundo, ou vão assistir de braços cruzados
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