População dos EUA é de aproximadamente 347,27 milhões de habitantes – declaração foi feita em meio à tensão com a Venezuela ante um suposto combate ao narcotráfico
Brasília, 16 de setembro de 2025
Em um momento de tensões diplomáticas com a Venezuela, o presidente Donald Trump chocou o mundo ao declarar a um jornalista que “300 milhões de pessoas [americanas] morreram no ano passado por causa das drogas”.
A afirmação, feita no domingo (14/set), durante uma coletiva em Morristown, Nova Jersey, veio como defesa a um ataque militar americano contra um barco venezuelano suspeito de tráfico, que resultou na morte de 11 supostos traficantes.
O presidente, ao responder críticas do líder venezuelano Nicolás Maduro sobre a legalidade da operação, rebateu:
“O que é ilegal são as drogas que estavam no barco, e as drogas que estão sendo enviadas para o nosso país, e o fato de que 300 milhões de pessoas morreram no ano passado por causa das drogas. Isso é o que é ilegal”.
A declaração, que viralizou nas redes sociais e gerou memes e críticas imediatas, ignora completamente a realidade demográfica dos Estados Unidos.
De acordo com estimativas do Worldometer, a população americana em 2025 é de aproximadamente 347,27 milhões de habitantes no meio do ano, impulsionada principalmente pela imigração líquida, já que o crescimento natural – diferença entre nascimentos e mortes – tem desacelerado devido ao envelhecimento populacional e à queda nas taxas de natalidade.
Outras projeções, como as do Trading Economics, apontam para 343,60 milhões até o final do ano, enquanto o Congressional Budget Office (CBO) eleva o número para cerca de 350 milhões.
Em qualquer cenário, os 300 milhões citados por Trump representariam quase 90% da população total, um colapso demográfico impossível e sem precedentes na história moderna.
Especialistas em saúde pública foram unânimes em classificar a fala como uma “exageração grotesca”.
Dados provisórios do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) revelam que, em 2024, o número real de mortes por overdoses de drogas nos EUA foi de 79.383, uma queda impressionante de mais de 24% em relação às 105.007 registradas em 2023 – o menor patamar desde 2019.
Para o período de 12 meses encerrado em março de 2025, a estimativa é de cerca de 75.000 óbitos, com o pico histórico de 111.466 tendo ocorrido no período encerrado em junho de 2023.
A maioria desses casos envolve opioides sintéticos, como o fentanil, mas o declínio recente é atribuído a investimentos em prevenção, tratamento e vigilância epidemiológica.
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Essa não é a primeira vez que Trump infla números sobre a crise de drogas para justificar políticas agressivas. Durante a campanha de 2024, ele já havia alegado “300.000 pessoas estão morrendo por ano”, contrastando com as estimativas oficiais de 90.000 a 100.000 na época.
Em janeiro de 2025, ao assinar uma ordem executiva designando cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras, repetiu a narrativa de subnotificação.
Críticos, como o professor de medicina de vícios Daniel Ciccarone, da University of California San Francisco, apontam que tais declarações minam a credibilidade de esforços reais contra a epidemia, que matou mais de 110.000 americanos em 2023, mas mostra sinais de reversão graças a parcerias entre saúde pública e forças de segurança.
A repercussão foi imediata e global. No FactCheck.org, a declaração foi desmascarada como infundada, destacando que nem mesmo considerando mortes mundiais por drogas o número chegaria perto de 300 milhões – o total global de óbitos por todas as causas em 2024 foi de apenas 62 milhões.
O MSNBC ironizou o “fracasso matemático” de Trump, enquanto o Daily Beast questionou preocupações com sua saúde cognitiva aos 79 anos.
No NJ.com, ex-procuradora Joyce Vance tuitou: “Aparentemente, a maioria de nós agora morreu de drogas, segundo o presidente”.
Até veículos conservadores, como a Fox News, relataram a fala sem correção direta, mas enfatizando a redução no tráfego de barcos de Venezuela após o ataque.
Enquanto o crescimento populacional dos EUA depende cada vez mais da imigração – com o Census Bureau projetando um nascimento a cada 9 segundos e uma morte a cada 9,4 segundos em janeiro de 2025 –, a crise de overdoses continua a demandar ações coordenadas.
O declínio de 27% em 2024, reportado pelo CDC, é um alívio, mas cortes orçamentários propostos pela administração Trump em programas de saúde podem ameaçar esse progresso, segundo análise do CNN.
Especialistas alertam que retórica inflamada, como a do presidente, pode desviar o foco de soluções baseadas em evidências, como expansão de tratamentos e controle de fronteiras inteligentes.








Constatação: Trump está ficando senil, já não diz coisa com coisa. E, está afundando seu país. Cada povo tem o governo que merece. 🤔🤔🤔
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