📷 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em imagem gerada por Inteligência Artificial, com elementos datados com o ano de 2028, alusivos a um terceiro mandato 1.8.2026 |•| Imagem reprodução Truth Social |•| URBS MAGNA
| Brasília (DF)
02 de agosto de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insinuar publicamente um mandato além do permitido pela Constituição americana, ao publicar uma imagem em sua rede Truth Social com a data de 2028.
Dias antes, Trump havia publicado dezenas de imagens geradas por inteligência artificial vestindo um boné vermelho com os dizeres “Trump 2028”.
A 22ª Emenda da Constituição proíbe qualquer presidente de ser eleito mais de duas vezes — e Trump já venceu duas eleições.
O episódio do jantar de correspondentes
O estopim mais recente ocorreu em 24 de julho, durante o jantar remarcado da White House Correspondents’ Association, realizado no hotel Waldorf Astoria, em Washington.
O evento havia sido adiado desde abril, depois que um atirador provocou uma evacuação de segurança na edição original, segundo relato da NPR.
Durante o discurso, Trump colocou o boné “Trump 2028” e declarou: “minha intenção de concorrer a um quarto mandato como presidente dos Estados Unidos”, emendando que já havia “vencido três vezes” — afirmação falsa, já que venceu apenas duas eleições presidenciais, em 2016 e 2024, tendo perdido a de 2020.
Ainda no mesmo discurso, o presidente fez uma ressalva, defendendo a criação de limites de mandato para o Congresso, mas sem recuar do tom de campanha em relação a si mesmo, conforme registrou a The Hill.
A enxurrada de imagens no domingo seguinte
Dois dias depois, no domingo (26/jul), Trump publicou mais de duas dezenas de imagens fabricadas por inteligência artificial em poucas horas — segundo a Yahoo News, foram mais de 25 posts entre 11h e 17h30, vários deles com o boné “Trump 2028”, além de cartazes fictícios de filmes, imagens ao lado dos Founding Fathers e referências à guerra no Irã.
A HuffPost apurou, em reportagem replicada pela AOL, que o volume chegou a 43 publicações em seis horas, incluindo um pôster falso de Star Trek com Trump como “Cosmic Commander” e uma imagem dele pilotando um navio-tanque com um boné estampado com a sigla “FAFO”.
O que diz a Constituição
A 22ª Emenda, ratificada em 1951 após Franklin D. Roosevelt ter sido o único presidente eleito quatro vezes, estabelece que nenhuma pessoa pode ser eleita para o cargo de presidente mais de duas vezes.
Especialistas constitucionais consultados pela Newsweek são unânimes em afirmar que Trump está impedido de vencer uma nova eleição presidencial em 2028, e o processo para alterar a Constituição — que exige dois terços de aprovação em ambas as Casas do Congresso, ou uma convenção convocada por dois terços dos Estados e ratificada por três quartos deles — é raro e extremamente difícil de concluir.
Não é a primeira vez
O gesto já havia aparecido em setembro de 2025, quando bonés “Trump 2028” surgiram sobre a mesa durante uma reunião no Salão Oval com os líderes democratas Hakeem Jeffries e Chuck Schumer.
Segundo relato do próprio Jeffries à CNN, reproduzido pela NBC News, ele perguntou ao vice-presidente JD Vance se aquilo não era um problema, e a resposta foi apenas “sem comentários”.
Na ocasião, o presidente da Câmara, Mike Johnson, tentou minimizar o episódio como provocação bem-humorada, lembrando publicamente que “existe a 22ª Emenda” e que o próprio Trump conhece o limite.
A insistência do episódio — repetido em pelo menos três momentos distintos ao longo de dez meses — não altera o quadro jurídico: a barreira constitucional contra um terceiro mandato eleito segue intacta, e nenhuma reportagem americana consultada identificou avanço concreto de infraestrutura de campanha, arrecadação ou registro formal para 2028.
O padrão de repetição da provocação, sempre classificada pela própria Casa Branca como brincadeira, cumpre uma função política clara: manter a base mobilizada e testar os limites do debate público sobre a permanência do presidente no poder, sem cruzar, até aqui, nenhuma linha jurídica formal.
A Casa Branca não indicou, até a publicação desta matéria, qualquer intenção formal de buscar alteração constitucional para viabilizar um terceiro mandato de Trump. O Urbs Magna acompanha o desdobramento do caso.
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