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Três indígenas, idosa, mãe e bebê, são carbonizadas em Mato Grosso do Sul – APIB culpa “agrobanditismo”

    O crime ocorreu em uma região marcada por conflitos fundiários históricos entre indígenas Guarani e Kaiowá e proprietários rurais, o que tem gerado tensões na região – a polícia investiga – SAIBA MAIS

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    Brasília, 1º de abril de 2025

    Em Mato Grosso do Sul, três indígenas, uma idosa, Liria Batista, de 76 anos, uma mãe, Fabiana Benites Amarilha, de 36 anos, e sua bebê, Mariana Amarilia de Paula, de aproximadamente 1 ano de idade, foram encontradas carbonizadas após um incêndio em sua residência, disse a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

    Incêndio provocado por seguranças privados, em setembro deste ano, destruiu uma casa Guarani Kaiowá no tekoha Avae’te | setembro/2021 | Foto: povo Guarani Kaiowá

    Situada em um contexto histórico de violência, a reserva indígena de Dourados, onde cerca de 20 mil indígenas vivem confinados em apenas 3,4 mil hectares, é constantemente ameaçada por um “pacote de maldades”: desmatamento, queimadas, expropriação dos territórios tradicionais, monocultura, uso de agrotóxicos e usurpação dos bens comuns, como a água

    (CIMI – Conselho Indigenista Missionário)

    A PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) investiga o caso como um triplo homicídio. O incidente aconteceu na área de retomada indígena Avaeté Mirim, na aldeia Bororó, entre os municípios de Dourados e Itaporã, na madrugada de segunda-feira (31/mar).

    Segundo as autoridades, uma suspeita de 29 anos teria invadido o local, atacado a idosa com um objeto contundente (um pedaço de concreto), asfixiado o bebê e, posteriormente, incendiado a casa com um líquido inflamável enquanto Fabiana dormia.

    A área onde o crime ocorreu é marcada por conflitos fundiários históricos entre indígenas Guarani e Kaiowá e proprietários rurais, o que tem gerado tensões na região.

    O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) repudiou o ato de violência e informou que está acompanhando o caso, enviando uma equipe ao local e solicitando investigações urgentes à Polícia Federal e ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

    A APIB e outras organizações indígenas também têm destacado a vulnerabilidade dos povos originários em áreas de retomada, frequentemente alvos de ameaças e violações territoriais.

    Até o momento, as investigações seguem em andamento para esclarecer os detalhes e confirmar a motivação do crime.

    Leia o informe da APIB nas redes sociais:

    Três vidas indígenas dos povos Guarani e Kaiowá foram tiradas, neste 31 de março, de forma criminosa e cruel. Liria Batista (76 anos), Janaína Benites e a bebê Mariana Amarilia de Paula foram carbonizadas na Retomada Ava’ete, em Dourados (MS). Os conflitos na região estão entre os mais violentos do país, com ameaças, ataques, uso de agrotóxicos sobre as comunidades, incêndios criminosos, violência policial, racismo e criminalização dos indígenas. Um projeto de extermínio étnico liderado pelos ruralistas do Mato Grosso do Sul para dominar completamente as terras do estado. Que a família, a comunidade, o povo Guarani e Kaiowá se sinta acolhido e abraçado pela Apib e pelos povos indígenas do Brasil. Estamos juntos, lado a lado, na dor do luto e na luta por justiça às vidas arrancadas com tanta crueldade pelo agrobanditismo. Fazer justiça é demarcar e proteger nossos corpos-territórios.

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