
Tarlis Marcone de Barros Gonçalves
“Fiquei desesperada quando vi que tinham me levado para uma prisão em Cuba. Não sabia o que iam fazer comigo”, relatou – SAIBA MAIS
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Brasília, 02 de maio de 2025
Uma cabeleireira transgênero brasileira, Tarlis Marcone de Barros Gonçalves, foi detida em 15 de fevereiro de 2025 ao cruzar a fronteira do México para os Estados Unidos, buscando asilo devido a perseguições no Brasil.
Presa por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), ela foi inicialmente levada ao Centro de Processamento do Condado de Otero, no Novo México, onde ficou em uma unidade com quase 50 homens, enfrentando assédio e falta de privacidade.
Sem aviso, Tarlis foi transferida, algemada, para um avião militar e só ao chegar descobriu estar na prisão de Guantánamo, em Cuba, onde foi mantida em uma ala masculina por cinco dias.
“Fiquei desesperada quando vi que tinham me levado para uma prisão em Cuba. Não sabia o que iam fazer comigo”, relatou à Folha de S. Paulo.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, pelo menos 177 imigrantes em situação irregular foram enviados à base militar, normalmente reservada para acusados de terrorismo.
Em Guantánamo, Tarlis enfrentou condições desumanas, como falta de comida, uma única muda de roupa e revistas invasivas por guardas masculinos.
Apesar de reiterados pedidos para ser reconhecida como mulher trans e alojada em segurança, suas queixas foram ignoradas.
“Os guardas não me tratavam como ser humano”, afirmou em depoimento à Justiça. Após cinco dias, ela foi transferida para Miami e, posteriormente, para Pine Prairie, na Louisiana, onde ficou em solitária por 17 dias, com apenas 25 minutos diários de banho de sol.
Tarlis relatou que funcionários da prisão alegaram que o governo dos EUA não reconhecia pessoas trans, intensificando sua vulnerabilidade.
Seu caso, tornado público no feriado de 1º de maio, expõe o uso controverso de Guantánamo para deter imigrantes e a precariedade do tratamento a pessoas trans no sistema de imigração americano.
Deportada para o Brasil no início de abril, Tarlis voltou para Alvarenga (MG), onde enfrenta dívidas de R$ 70 mil pagas a um coiote para a travessia.
“Nunca imaginei que fosse parar em uma prisão em Cuba. Não cometi nenhum crime”, desabafou.
Agora, ela busca reconstruir sua vida e saldar as dívidas, com planos frustrados de abrir um salão de beleza e construir uma casa para os pais.
O caso de Tarlis faz parte dos debates sobre os direitos humanos de imigrantes transgêneros, além da necessidade de políticas que respeitem suas identidades de gênero.
Organizações de direitos humanos questionam a detenção de solicitantes de asilo em instalações como Guantánamo, exigindo reformas urgentes.











