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“Tranqueiras” que governaram o Brasil “não voltarão”, diz Lula pensando em Bolsonaro (vídeo)

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    Presidente Lula
    Presidente Lula inaugura ponte que liga Xambioá (TO) a São Geraldo do Araguaia (PA) |18.11.2025| Imagem reprodução/Canal Gov


    “Nós vamos fazer comparação o que eles fizeram e o que nós fizemos, para que o povo não vote nunca mais numa mentira”, disse o Presidente ao inaugurar ponte




    Brasília, 18 de novembro 2025

    A inauguração da ponte que liga Xambioá (TO) a São Geraldo do Araguaia (PA) transcendeu a formalidade de um evento de infraestrutura. Em seu discurso, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou a gestão anterior como “paralisação” e inércia,

    A estrutura de concreto sobre o Rio Araguaia mais uma vez serviu para o estadista demonstrar seu modelo de governança superior, em contraste direto com seu antecessor, Jair Bolsonaro.

    Lula literalmente desconstruiu as velhas narrativas de seu predecessor, que deixou uma “herança da paralisação”.

    A obra, incluída no PAC pela ex-presidente golpeada Dilma Rousseff, teve sua ordem de serviço assinada no governo Temer e foi parcialmente executada na gestão Bolsonaro, mas foi Lula quem a finalizou.

    O estadista afirmou que assumiu seu terceiro mandato com quase “3.000 obras em escolas públicas, em creches paralisadas, porque o outro governo não quis fazer“, além de “87.000 casas… paralisadas porque tinha sido começada nos governos do PT“.

    O chefe do Executivo federal se posicionou como o gestor que transcende partidarismos para concluir projetos, arrematando que, apesar da longa trajetória da obra, “quem tá entregando a obra para uso é outra vez o presidente Lula“.

    Lula prometeu que “aquelas tranqueiras que governarem esse país não voltarão a governar mais esse país” e disse que 2026 será um ano de “eleições limpas“, espetando Bolsonaro ao lembrar que “não vai ter guarda rodoviário proibindo eleitor de votar não vai ter denúncia de urna falsa“.

    Antes de sua fala, os ministros e governadores aliados de Lula apresentaram dados e relatos para corroborar a tese de descontinuidade.

    O ministro dos Transportes, Renan Filho, encapsulou a mensagem central do evento em uma frase lapidar: “Digam para eles foi entregar uma ponte que muitos prometeram mas aqui no Brasil acontece sempre a mesma coisa quem entrega é Lula quando tá na presidência da República.” 

    O governador do Pará, Hélder Barbalho, forneceu o contraste quantitativo mais afiado, afirmando que enquanto o governo Bolsonaro realizou apenas “52 km em 4 anos” de obras em estradas federais no Pará, sua gestão estadual pavimentou 2.500 km no mesmo período, reforçando a imagem de inércia federal.

    Alinhado a Lula, Barbalho também criticou a oposição que se dedica à “lacração” nas redes sociais, afirmando que “o povo quer trabalho, o povo quer entrega“.

    Com o contraste entre os governos solidamente estabelecido, Lula passou a detalhar os pilares e as ambições de sua própria administração.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    As Outras Mensagens do Presidente

    Lula utilizou o restante de seu discurso para reforçar os pilares de seu próprio governo. Com uma retórica que mesclou sua história pessoal com anúncios de políticas públicas, ele abordou temas como educação, programas sociais e a projeção internacional do Brasil, delineando uma visão de futuro para o país.

    Numa deliberada estratégia retórica de apelo ao pathos, Lula utilizou sua própria biografia para construir uma identidade de “homem comum” e legitimar sua defesa da educação. Apresentando-se como “o primeiro presidente da República da história do país que não tem diploma universitário“, ele argumentou que a educação é a chave para a autonomia e mobilidade social.

    Enfatizou especialmente seu impacto para as mulheres, para que uma delas “não vai morar com alguém por causa de um prato de comida; ela vai morar porque ela gosta ou não da pessoa“. A fala incluiu uma crítica histórica à elite brasileira que, segundo ele, “nunca se preocupou com a educação do povo“, pois este era destinado a trabalhos de menor qualificação, defendendo que o povo deve aspirar a ser engenheiro, médico e o que mais desejar.

    O presidente aproveitou a plataforma para reafirmar e anunciar políticas sociais com foco na população de baixa renda, contrastando-as com uma agenda de maior tributação para os mais ricos.

    • Gás de Cozinha: Anunciou a política de distribuir “gás de graça para 17 milhões de famílias“.
    • Energia Elétrica: Mencionou a isenção de pagamento para quem consome até 80 kWh.
    • Imposto de Renda: Destacou a isenção para quem ganha até R$ 5.000, afirmando a necessidade de “colocar os ricos para pagar imposto de renda“.

    Soberania e Projeção de Futuro

    Em sua fala final, Lula projetou uma visão de futuro para o Brasil, marcada pela soberania nacional e pelo otimismo. Ele defendeu a realização da COP 30 em Belém (PA) como uma afirmação da centralidade da Amazônia e reafirmou a independência da política externa brasileira, declarando que o país “não aceitamos que ninguém nem russo nem chinês nem americano nem francês diga o que a gente tem que fazer“.

    Ao abordar sua idade avançada, minimizou o fator cronológico e focou em sua disposição para governar, concluindo que, embora não seja jovem, “o que é novo em mim é a minha motivação“.

    Essa projeção de futuro conectou a entrega de uma obra física a um projeto político mais amplo de desenvolvimento e afirmação nacional.

    Um Ato Simbólico para uma Nova Era

    A inauguração da ponte entre Tocantins e Pará foi instrumentalizada como um poderoso ato simbólico pelo Presidente Lula. Mais do que celebrar a conclusão de uma obra de infraestrutura, o evento foi cuidadosamente transformado em uma plataforma para consolidar a narrativa do atual governo.

    O discurso presidencial serviu para fixar sua imagem de uma gestão focada na reconstrução e no progresso, em oposição à “era de paralisação” e de política destrutiva.



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    “E eu tô aqui com muito orgulho entregando uma obra que começou a ser projetada pela Dilma passou pelo governo Temer, passou pelo Bolsonaro, mas quem tá entregando a obra para uso é outra vez o presidente Lula”.

    Ele usou esse ponto para criticar a prática de paralisar obras por desentendimento político, destacando que quem paga o preço da “ignorância” dos dirigentes é o povo brasileiro:

    O presidente reforçou a ideia de que o que importa é a importância da obra para o povo, e não quem a começou, citando que a ponte foi um projeto que transitou por diferentes administrações: “O que a gente tem que levar em conta é se a obra é ou não importante para o povo de uma cidade ou de um estado”.

    Embora Lula não tenha se referido nominalmente a Bolsonaro em termos críticos diretos sobre o seu governo, ele fez uma referência indireta ao falar sobre o futuro político do país:

    Ele prometeu que “aquelas tranqueiras que governarem esse país não voltarão a governar mais esse país, não voltarão”.

    • Em seguida, ele disse que seu governo fará comparações sobre o desempenho em diversas áreas: “Nós vamos fazer comparação o que eles fizeram e o que nós fizemos, o que eles fizeram e o que nós fizemos, para que o povo não vote nunca mais numa mentira”.

    Assim, a única menção direta ao nome “Bolsonaro” na fala de Lula se deu ao elencar os governos pelos quais a obra da ponte passou.

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