
Tatuagem feita no corpo de vítima do trabalho escravo com iniciais dos nomes dos patrões. Depois, ela foi borrada por ordem dos mesmos | Imagem: Inspeção do Trabalho
Caso chocante em Planura revela tortura, abusos e aliciamento pelas redes sociais, com resgate de vítimas em operação conjunta – SAIBA MAIS
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Brasília, 26 de abril de 2025
Em um caso alarmante de exploração humana, dois trabalhadores domésticos foram resgatados de condições análogas à escravidão em Planura, no Triângulo Mineiro, Minas Gerais, entre 8 e 15 de abril de 2025.
A operação, conduzida por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MPE), procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e agentes da Polícia Federal (PF), revelou um cenário de tortura, abusos sexuais e violência, conforme mostrou o UOL.
Uma das vítimas, um trabalhador, teve o corpo tatuado com as iniciais “A.J.”, que seriam de dois dos três empregadores, como símbolo de “propriedade”.
A tatuagem foi posteriormente coberta por outro desenho por ordem dos patrões, conforme relatado pela fiscalização.
Os trabalhadores foram aliciados por meio de falsas promessas de emprego divulgadas no Facebook e Instagram.
Entre as vítimas, está uma mulher trans de nacionalidade uruguaia, que aceitou uma proposta de trabalho em julho de 2024 com salário de R$ 700 mensais.
Desse valor, eram descontados custos de alimentação, moradia, internet e luz, deixando-a com apenas cerca de R$ 100.
Ela relatou viver sob medo constante de sofrer as mesmas agressões que o outro trabalhador, descrito pelos empregadores como “o escravo da casa”.
A vítima sofreu um acidente vascular cerebral devido ao estresse no local de trabalho, onde enfrentava jornadas exaustivas das 6h às 18h, sem pausas adequadas.
A fiscalização constatou que as vítimas enfrentavam condições degradantes, incluindo jornadas exaustivas e restrição de liberdade.
A mulher trans, mesmo após conseguir alugar um imóvel, permanecia dependente dos empregadores, pois o contrato estava em nome deles.
O caso foi descrito como complexo, envolvendo um “submundo de exploração de vulnerabilidades sociais e de gênero pela internet” em um ambiente doméstico de um núcleo familiar poliafetivo homossexual, segundo Humberto Camasmie, da fiscalização.
Durante a operação, as autoridades também identificaram uma menina de 12 anos em situação de trabalho infantil, realizando tarefas de limpeza duas vezes por semana em uma escola particular no mesmo local.
A denúncia que desencadeou a investigação partiu do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, em janeiro de 2025.
A fiscalização resultou em oito autos de infração, e os empregadores devem pagar mais de R$ 234 mil em verbas salariais devidas apenas ao trabalhador, segundo cálculos preliminares.
As vítimas foram retiradas de Planura e estão recebendo atendimento médico, psicológico e assistência social nas clínicas de enfrentamento ao trabalho escravo da Unipac (Centro Universitário Presidente Antônio Carlos) e da UFU (Universidade Federal de Uberlândia).
Ambos receberão três meses de seguro-desemprego especial destinado a vítimas de trabalho escravo. O MPT atua para garantir os direitos das vítimas.
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O resgate em Planura expõe a persistência do trabalho escravo contemporâneo no Brasil, que, em 2023, registrou o resgate de 3.190 trabalhadores em condições análogas à escravidão, o maior número desde 2009.
O uso de redes sociais como ferramenta de aliciamento reflete a modernização de práticas criminosas, exigindo maior vigilância digital e políticas públicas robustas.
Este caso também reforça a importância de canais como o Disque 100 e de operações integradas para combater a exploração laboral e proteger os direitos humanos.












