Solidariedade imediata do Movimento Sem Terra chega à cidade destruída por ciclone extratropical, enquanto governo libera R$ 50 milhões para reconstrução de casas afetadas por ventos de até 250 km/h
Brasília, 09 de novembro 2025
Em meio à maior tragédia causada por tornado no Paraná em décadas, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul enviou o primeiro caminhão carregado com alimentos não perecíveis, colchões e cobertas para Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul paranaense, onde ventos de até 250km/h destruíram cerca de 90% da área urbana na sexta-feira (7/nov).
Uma brigada de voluntários do movimento também seguiu para o local, atuando na cozinha solidária instalada no Centro de Convivência dos Idosos, que se transformou em ponto central de apoio, servindo refeições para centenas de desabrigados.
🚩O MST do RS enviou o 1º caminhão com alimentos, colchões e cobertas para Rio Bonito do Iguaçu (PR), onde 90% da cidade foi atingida pelo ciclone.
— MST Oficial (@MST_Oficial) November 9, 2025
Uma brigada também segue para atuar na cozinha solidária, levando apoio direto ao povo atingido. pic.twitter.com/jm10zESK3u
O tornado, classificado preliminarmente como EF3 na escala Fujita Aprimorada pelo Simepar – com rajadas entre 200 e 266km/h, formou-se a partir de uma supercélula associada a um ciclone extratropical que atingiu o Sul do Brasil.
Até este domingo (9/nov), o balanço oficial da Defesa Civil do Paraná confirmava seis mortes – cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava –, mais de 750 feridos e cerca de 1 mil desalojados ou desabrigados em uma cidade de aproximadamente 14 mil habitantes.
As vítimas fatais foram identificadas como José Gieteski (83 anos), Adriane Maria de Moura (47 anos), Julia Kwapis (14 anos), entre outros.
“Parecia uma bomba atômica”, relatou um morador à imprensa, descrevendo o fenômeno que durou menos de um minuto, mas deixou um rastro de casas colapsadas, postes derrubados e veículos revirados. Imagens aéreas revelam um cenário de devastação quase absoluta, com bairros inteiros reduzidos a escombros.
Diante da calamidade, o governador Ratinho Júnior decretou estado de calamidade pública, reconhecido sumariamente pelo governo federal.
Em sessão extraordinária na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), foi aprovado projeto que altera o Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap), liberando até R$ 50 mil por família afetada – totalizando R$ 50 milhões – para compra direta de materiais de reconstrução, alimentos ou itens essenciais, sem intermediação burocrática.

A Alep ainda repassará R$ 3 milhões adicionais do próprio fundo.
A Cohapar, em parceria com o Crea-PR, iniciou o levantamento de danos para priorizar reparos e reconstruções, enquanto a Copel restaurou 49% da energia e a Sanepar garantiu abastecimento com geradores e caminhões-pipa.
O ministro Waldez Góes visitou o local, coordenando ajuda federal, e a Força Nacional do SUS montou hospital de campanha.
Outras entidades se mobilizaram: a Havan doou 1.200 edredons e 330 travesseiros, e a World Central Kitchen distribui marmitex com arroz, feijão e proteínas.
Doações são centralizadas em quartéis do Corpo de Bombeiros e abrigos em Laranjeiras do Sul.
Contexto Histórico e Climático
Embora tornados sejam raros no Brasil, o Paraná registra eventos severos em primaveras úmidas. O tornado de Rio Bonito do Iguaçu é o mais letal desde o de Palmas (1959, 35 mortes) e o mais destrutivo desde Antônio Prado-RS (2003).
Especialistas do Cemaden atribuem a intensidade ao aquecimento global, que potencializa ciclones extratropicais e supercélulas. Em novembro de 2025, chuvas intensas já haviam colocado 14 municípios em emergência antes do ciclone.
A aplicação do Enem 2025 foi suspensa na cidade, e buscas por desaparecidos encerradas sem novos registros.
A reconstrução, estimada em fases simultâneas, une estado, União e sociedade civil para devolver dignidade às famílias de Rio Bonito do Iguaçu.
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