
Fachada do Banco do Brasil em Brasília – Agência Senado-Flickr
Apesar da queda nas ações e da perda de competitividade frente ao Itaú, a instituição financeira mantém estratégia de apoio ao setor agropecuário e busca soluções junto ao BC para mitigar impactos – SAIBA MAIS
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Brasília, 17 de maio de 2025
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) sofreram uma queda expressiva de 12,69% na Bolsa de Valores (B3), fechando a R$ 25,67, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2025 (1T25), nesta sexta-feira (16/mai).
A desvalorização, que chegou a 13,8% no pico do pregão, foi a maior do Ibovespa, que recuou apenas 0,11%.
O lucro líquido ajustado do banco ficou em R$ 7,3 bilhões, uma redução de 20,7% em relação ao mesmo período de 2024 e 23% na comparação trimestral, ficando 20% abaixo do consenso de mercado, que projetava cerca de R$ 9 bilhões.
A revisão das projeções (guidance) para 2025, com expectativas reduzidas para margem financeira, custo de crédito e lucro líquido, intensificou a desconfiança dos investidores.
A principal causa do tombo foi o aumento da inadimplência na carteira de crédito do agronegócio, que totaliza cerca de R$ 400 bilhões.
A taxa de inadimplência atingiu 3,04%, um salto de 0,6 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e 1,9 pontos percentuais na comparação anual.
Apesar da safra recorde em 2025, o setor enfrenta dificuldades devido a recuperações judiciais de safras anteriores (2023/2024) e atrasos nos pagamentos, impactando diretamente a geração de margem do banco.
Além disso, a Resolução CMN nº 4.966/21, do Conselho Monetário Nacional, exigiu um provisionamento adicional de R$ 1 bilhão, pressionando ainda mais os resultados financeiros.
A combinação da nova regulação com a alta da Selic foi apontada pela CEO Tarciana Medeiros como um fator que levou o banco a registrar um lucro “abaixo do potencial”.
O Banco do Brasil também perdeu a liderança que dividia com o Itaú no setor de dividendos, com analistas da Genial Investimentos e do Bradesco BBI rebaixando a recomendação das ações para “neutra” devido à baixa visibilidade no ciclo agrícola e aos desafios na recomposição da margem líquida.
A situação foi agravada por preocupações com o déficit no fundo de previdência do banco (Previ), que pode continuar impactando os resultados caso não seja controlado.
Apesar do cenário adverso, o Banco do Brasil mantém sua estratégia de apoio ao agronegócio, com a CEO afirmando que não haverá redução na exposição ao setor.
A instituição busca um tratamento diferenciado para sua carteira de crédito rural junto ao Banco Central, visando mitigar os impactos das regras de provisionamento.
O vice-presidente financeiro, Marco Geovanne Tobias, garantiu que o banco manterá o pagamento de 40% do lucro em dividendos em 2025 e espera que medidas como judicialização, protestos e cobranças, combinadas com a geração de renda no campo, controlem a inadimplência no segundo semestre.
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O mercado, embora abalado, vê potencial de recuperação nas ações do Banco do Brasil, com um preço-justo estimado em R$ 31,77, o que sugere uma valorização possível de cerca de 12%.
Além dos desafios financeiros, o banco enfrentou problemas operacionais recentes, como a instabilidade nos canais digitais em 21 de março de 2025, resolvida no mesmo dia, e a interdição de uma agência devido à queda de parte do teto em 12 de maio.
Desde fevereiro, o BB elevou suas provisões para devedores duvidosos a R$ 41,9 bilhões, um recorde, como medida preventiva contra o aumento de recuperações judiciais no agronegócio e os efeitos da Selic elevada.
Apesar do “tombo”, a instituição segue confiante em sua recuperação, mas analistas alertam para a persistência de desafios no curto prazo, especialmente relacionados à margem líquida e à inadimplência.












