Enquanto o diretor Andrei Rodrigues ganha força para futuro ministério, vazamentos, suspeitas de grampos e disputa por cadeiras no TSE marcam o retorno tenso dos Três Poderes nesta quarta-feira (18/fev)
Brasília (DF) · 18 de fevereiro de 2026
Um ambiente de conflagração institucional e desconfiança generalizada domina a Praça dos Três Poderes desde o estouro do escândalo do Banco Master.
Nem o Carnaval abafou o clima de guerra entre Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme análise de Vera Rosa no O Estado de S. Paulo, o Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu carta branca ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para aprofundar as apurações sobre o ministro Dias Toffoli e suas relações com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O gesto elevou tanto Andrei Rodrigues que ele já é cotado para comandar um futuro Ministério da Segurança Pública caso Lula conquiste novo mandato em 2026.
A decisão provocou mal-estar profundo entre magistrados. Nos bastidores do STF, Lula foi chamado de “ingrato”, segundo o relato do jornal, por aliados que sustentaram o governo desde os atos de 8 de janeiro de 2023.
Sob pressão, Toffoli deixou a relatoria do caso Master — agora sob responsabilidade de André Mendonça —, mas logo surgiram vazamentos de gravações de sessão secreta com elogios ao ministro, alimentando suspeitas de grampos no próprio tribunal.
Ministros consideram a atuação da PF “clandestina e ilegal” por não contar com aval prévio da Procuradoria-Geral da República.
Andrei Rodrigues rebateu: todas as informações entregues ao presidente do STF, Edson Fachin, constavam do celular apreendido de Vorcaro.
Conforme coluna da jornalista que tem sido chamada de “Malu Gasparzinho” no O Globo, Toffoli atribui diretamente a Lula a entrega do dossiê de cerca de 200 páginas.
Toffoli admitiu integrar o quadro societário da Maridt Participações, empresa familiar que negociou participação no resort Tayayá (Paraná) com fundo ligado ao cunhado de Vorcaro, conforme nota confirmada pelo g1.
Ele garante que a administração cabe a parentes e que tudo foi declarado à Receita Federal.
No Congresso, deputados e senadores do Centrão e da esquerda, já de olho nas eleições de outubro, articulam para engavetar propostas de CPI do Banco Master e redirecionar esforços para a CPI do INSS.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já avisou que não pautará impeachment de ministros do STF.
O Planalto tenta capitalizar a crise e aposta no enfraquecimento de Alcolumbre para viabilizar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias — evangélico que acaba de retornar de retiro espiritual —, a uma vaga na Corte.
Toffoli, indicado por Lula em 2009, deverá atuar como fiel da balança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha, sob presidência de Nunes Marques.
Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news desde 2019, determinou rastreamento de quebras de sigilo de magistrados e familiares.
A Receita Federal identificou vazamentos internos, inclusive de auditor que recebeu R$ 51 mil em dezembro e de servidor cedido pelo Serpro.
Na terça-feira (17/fev), a Polícia Federal deflagrou operação para apurar vazamentos de dados na Receita Federal envolvendo servidores ligados ao caso.

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