‘Tô cercado, mas não me rendo’, diz Glauber, que segue denunciando perseguição de Lira e Orçamento Secreto
Deputado do PSOL-RJ afirma que tentativa de cassação é retaliação por críticas a esquema na Câmara – SAIBA MAIS
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Brasília, 8 de abril de 2025
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) usou a rede social X nesta terça-feira (8/abr) para afirmar que a tentativa de cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados é uma retaliação às suas denúncias contra o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e o esquema do chamado “orçamento secreto”.
Em sua postagem, Braga declarou: “Tô cercado mas não me rendo. Todo mundo na Câmara sabe que a tentativa de me cassarem nada tem a ver com a minha reação ao provocador do MBL. As denúncias contra Lira e o esquema do orçamento secreto é que me colocaram na condição de inimigo a ser calado. Não vou parar!”
Tô cercado mas não me rendo. Todo mundo na câmara sabe que a tentativa de me cassarem nada tem nada a ver com a minha reação ao provocador do MBL. As denúncias contra Lira e o esquema do orçamento secreto é que me colocaram na condição de inimigo a ser calado. Não vou parar!
O parlamentar enfrenta um processo no Conselho de Ética da Câmara desde abril de 2024, quando agrediu fisicamente Gabriel Costenaro, militante do Movimento Brasil Livre (MBL), após provocações que incluíram ofensas à sua mãe, Saudade Braga, falecida dias depois.
O relator do caso, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), recomendou a cassação do mandato em parecer apresentado no dia 2 de abril. A votação, porém, foi adiada por um pedido de vista e segue em análise.
Braga insiste que o verdadeiro motivo da perseguição é sua postura crítica ao “orçamento secreto”, mecanismo de distribuição de emendas parlamentares sem transparência, que ele associa diretamente a Lira.
Em depoimento à Polícia Federal em fevereiro deste ano, o deputado detalhou supostas irregularidades no esquema. “Lira liderava um esquema que desviou milhões por meio de emendas”, afirmou Braga à época, apontando como exemplo o município de Rio Largo (AL), beneficiado por recursos sob suspeita.
Glauber Braga disse ter relatado em depoimento a suposta fraude orquestrada por Arthur Lira • Mário Agra/Câmara dos Deputados
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A denúncia de Braga ganhou eco em investigações recentes. Em dezembro de 2024, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu R$ 4,2 bilhões em emendas do orçamento secreto, atendendo a um pedido do PSOL.
A medida reacendeu o debate sobre a falta de transparência na gestão de Lira, que comandou a Câmara entre 2021 e fevereiro de 2025.
Em sua defesa, Braga também questiona a imparcialidade do relator Paulo Magalhães, acusado por ele de receber emendas do orçamento secreto em articulação com Lira.
“O relatório foi comprado”, declarou o deputado em sessão do Conselho de Ética.
Magalhães e Lira negam as acusações, mas não comentaram diretamente a postagem mais recente de Braga.
Apoiadores do deputado, como a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), têm se manifestado em redes sociais com a hashtag #GlauberFica, argumentando que a cassação seria uma injustiça diante de casos mais graves não punidos na Câmara, como o do deputado Chiquinho Brazão, preso por suspeita de envolvimento no assassinato de Marielle Franco, mas ainda sem julgamento final no plenário.
O processo contra Braga agora depende da decisão do Conselho de Ética, que, se aprovar o parecer, levará o caso ao plenário da Câmara, onde são necessários 257 votos para a cassação.
Enquanto isso, o deputado promete resistência: “Não vão me silenciar”, reiterou em sua postagem.
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